Capítulo 13

1203 Palavras
P. O. V. Alexandre… Eu estava no telefone com o moço da concessionária, quando escutei Manuela falando de forma alterada com o médico, então dei uma desculpa pro rapaz e desliguei o telefone e fui me aproximando do quarto pra saber do que se tratava. — Marido? Que marido? — perguntava alterando o tom de voz, ao mesmo tempo, em que olhava pra mim assustada. — A senhora não se lembra quem é ele? — O médico perguntou e quando ela negou com a cabeça, eu não consegui segurar minhas lágrimas. — Doutor, o senhor me disse que a probabilidade era mínima de isso acontecer. Onde estão os exames dela? — perguntei. — Calma senhor. Os exames estão aqui. — ele começa a vasculhar a prancheta. — Achei. O diagnóstico é que devido as fortes batidas com a cabeça, no capotamento, sua esposa está com amnésia traumática. — Como assim doutor? — pergunto mais alterado ainda. — Sinto muito, senhor, mas é o que os exames mostram. — ele diz e mostra os papéis pra mim, e vejo Manuela levando a mão à cabeça, e logo fica quieta. Mas rompe o silêncio, fazendo uma pergunta que me corta por dentro. — Onde está o Gustavo? Meu namorado. — perguntou e eu quis desabar no chão. — Você é casada comigo! — digo e a vejo encolher. Só então percebo que disse aquilo com raiva e não quero que ela fique com medo de mim. — Moço, eu já disse que não me lembro de você. — Falou nervosa e evitando ao máximo o contato visual comigo. — Manuela, como você pode não lembrar de mim? Somos casados há quase 11 anos! — digo não escondendo o quanto estava magoado. — É a verdade. — diz sem se importar se me magoa. — Doutor, vamos conversar em particular, por favor. — choramingo. — Claro, vamos até a minha sala. — Doutor Álvaro sinaliza para sairmos da sala, mas somos interrompidos pela Manuela. — Eu gostaria de ir embora. — Falou cruzando os braços, encarando os dois. — Senhora, hoje não será possível, precisamos fazer mais alguns exames. Vou te deixar mais um dia em observação. — diz ele, entrando no quarto novamente. — Mas eu preciso avisar o Gustavo. — ela diz, colocando a mão na cabeça outra vez. — A senhora ainda está sentindo dores de cabeça. Infelizmente terá que ficar. Enfermeira, por favor, cuide dela que já retornamos. — Uma moça entra pra examiná-la. Eu saí da sala completamente abalado, depois de ver que a minha esposa não me reconhecia, mas se lembrou daquele infeliz do Gustavo, seu ex-namorado de muito tempo atrás e meu atual rival no ramo hoteleiro. Eu conheci Manuela enquanto ela ainda estava com ele, nas vezes em que nos encontrávamos em festas sociais, ela sempre me relatava as vezes que ele a maltratava e era grosseiro, mas mesmo estando nesse relacionamento abusivo, ela não tinha forças pra largá-lo, e isso me fazia espumar de raiva porque com a convivência, acabei criando sentimentos por ela, mas nunca disse nada, sempre respeitei sua posição de fidelidade. Até que em um evento fechado apenas para os representantes e donos de rede hoteleira, Manuela veio até mim chorando. “ — Ei, o que tá acontecendo, porque está chorando. — Paro ela no meio do corredor. — O Gustavo… ele acabou de me trair, com uma mulher que eu nem faço ideia de quem seja. — disse em prantos. — Como assim? — Eu vou ser um motivo de chacota em todos os jornais, deveria ter terminado com ele muito antes disso. — Me pegando totalmente de surpresa, ela me abraçou e chorou em meus braços, enquanto eu não sabia muito bem como reagir. Eu quis ir atrás dele, mas devido à instabilidade dela, eu não iria deixá-la ali sozinha, então me ofereci pra lhe dar uma carona, e ela aceitou. Quando chegamos em frente à casa dela, eu percebi que ela estava mais calma e tomei a decisão. Sabia que poderia não ser o momento certo, mas não aguentava mais esconder aquele sentimento, se ela não corresponder, melhor já saber desde agora. — Então. — Me virei pra ela e ela me encarou; sua maquiagem estava toda borrada, mas isso não a fazia menos bonita. Nenhuma mulher deveria sofrer assim por um homem. — Eu sei que pode não parecer o melhor momento pra dizer isso, já que você acabou de terminar, mas eu gostaria muito que você me desse uma chance de mostrar pra você como uma mulher deve ser tratada. — Hum. — ela continuou atenta. — Você é uma mulher incrível, e eu sei do seu passado com ele, mas jamais vou usar isso contra você; com o tempo que temos nos encontrado frequentemente, eu comecei a ver você de outra forma. Mas não precisa me responder agora, eu vou te passar meu número e se aceitar sair comigo, me manda uma mensagem. — Passo um cartão pra ela. — Tá bom. — ela sai do carro. — Obrigada pela carona. Boa noite. — Boa noite. Na mesma semana ela me ligou e saímos.” Desde então estamos juntos. Depois que o médico deixou Manuela aos cuidados de uma enfermeira e seguimos até a sala dele. — Pode se sentar, senhor. — Doutor, porque isso foi acontecer justo com a minha mulher? — pergunto com os olhos marejados. — Eu não entendo. — Senhor Alexandre, fique calmo. Essa perda de memória pode ser apenas passageira. Eu entendo a dor do senhor, não é o primeiro caso que temos esse diagnóstico. Mas como estou falando pro senhor, ela pode se lembrar daqui a duas semanas, um mês, no mais tardar um ano. — Um ano? Isso não pode acontecer! — Me levanto da cadeira alterado e começo a andar de um lado pro outro, pensativo. — E não vai! Uma sugestão que dou é que quando ela sair, não fique pressionando ela a se lembrar, o senhor pode ajudar a acelerar o processo de relembrar, por recriar os momentos bons que tiveram juntos… — Ele sugere e eu presto bastante atenção. — Jantares, festas, tudo que já passaram nesses quase 11 anos de casados. Isso pode acelerar o processo de retorno das memórias. — Ele finaliza. — Certo, doutor, e quando vou poder levá-la pra casa? — pergunto. — Deixarei ela mais um dia aqui de observação. — diz. — Depois de amanhã, ela estará liberada, se os exames derem tudo certinho. — Tudo bem, doutor. Acho que vai ser bom mesmo mantê-la aqui mais uma noite. — Eu digo concordando com o doutor, e já vou me levantando. — Bom, vou voltar lá pra sala, e ficar de companhia com ela mesmo assim. Obrigado pelas informações. Saio da sala um pouco mais calmo, mas chegando no quarto vejo que ela está acordada, e me aproximo apenas um pouco pra pegar a cadeira e arrastá-la pra uma distância considerável. — Você pode avisar o Gustavo pra mim, ele vai ficar furioso. — pergunta e eu sinto meu sangue ferver, mas me controlo. — Não precisa mais. — Ouço a voz dele e olhando pra porta o vejo. Que ódio!
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR