Capítulo 12

1258 Palavras
P. O. V. Manuela: Acabo de terminar mais um dia de trabalho na empresa de designer, desço de elevador, pois está quase na hora de ir buscar o Pietro na escola. Caminho pelo longo estacionamento no subsolo da empresa, concentrada em minha bolsa tentando encontrar a chave do meu Yaris Sedan e quando vejo minha colega de trabalho Camila, já estava do outro lado de saída também. Dei um tchauzinho pra ela e entrei no carro jogando a minha bolsa no banco do passageiro e meu celular lá dentro. Em seguida, ligo o carro e vou saindo do estacionamento, encontrando um vapor de calor muito forte, já eram 16h00min da tarde, e o sol continuava mostrando sua força, então liguei o ar condicionado e continuei minha rota até a escola do meu filho. Pietro é um menino muito bonzinho, mesmo sabendo que as vezes me atraso, toda vez que sugiro a deixar o motorista da família trazê-lo, ele não aceita. Quando chego na escola, vejo que só restou ele com as professoras. — Mamãe, mamãe… — Ele sai saltitando até o carro, e quando chega se vira pra trás, dando tchau para as professoras e eu faço o mesmo. Abro a porta pra ele, que já entra todo agitado. — Oi, meu filho! Desculpa a demora da mamãe. — A tia Luiza ficou comigo, mamãe. — diz sorridente. — Que bom, meu amor. Coloca o cinto. — respondo e fico olhando pelo retrovisor, esperando ele me obedecer. Assim que o faz, dou partida no carro. — Como foi a aula? — Foi boa, hoje fizemos trabalhinho com as mãos, eu sujei tudo. — diz dando gargalhadas. — Que bom, meu amor. — eu disse prestando atenção no trânsito. Mas de repente, meu celular começou a tocar, mas como ele estava dentro da bolsa tive que inclinar um pouco, sem tirar os olhos da estrada. Vi o nome do Alexandre na tela e me desesperei, tentando pegar o aparelho logo. — Mamãe, o caminhão! — Gritou Pietro desesperado. Quando voltei para a posição, segurando o volante, não deu tempo de fazer muita coisa, porque um caminhão desgovernado carregado de árvores recém-cortadas veio na direção do nosso carro, então só fechei os olhos sentindo o baque da batida e cada rodopiada que o carro dava, ao mesmo tempo, em que minha cabeça batia contra o vidro, estilhaçando e chocando contra o asfalto, ouvindo os gritos do Pietro chamando o pai dele no telefone. Não sei em que momento ele alcançou o celular, mas eu sabia que a ajuda estaria a caminho. Abri os olhos e senti uma tontura horrível, eu provavelmente não iria aguentar, a dor pelo meu corpo era descomunal; meu carro também provavelmente seria perda total. Olhei para o banco de trás e vi que meu filho não tinha se machucado tanto igual a mim, ele estava com a mochila a frente do peito, o que impediu que o baque afetasse tanto seu corpinho. Já eu, a cada respiração, sentia dores de cabeça e também o cheiro do sangue, metálico e quente descendo testa a baixo, fazendo caminho pelo meu nariz. — Meu amor, presta atenção. Os médicos vão chegar daqui a pouco, tá bom? Você vai encontrar o papai e contar pra ele tudo que aconteceu. — digo com a voz embargada. — Nunca se esqueça que a mamãe te ama muito, tá? Nunca se esqueça. — Digo com a voz fraca e sinto tudo escurecer no mesmo instante. […] Acordo assustada e quando olho em volta, vejo o monitor multiparâmetro de sinais vitais, e também um soro conectado ao meu braço; me dou conta de que estou no hospital, mas esse homem que se encontra do meu lado… quem será ele? Vejo que está cabisbaixo, parece estar chorando. O telefone dele toca e no mesmo instante ele olha pra mim. — Enfermeira, chame o doutor, por favor. Vou só atender uma ligação. — ele diz e vai mais pra perto da porta da sala. Escuto o homem do outro lado. “O carro deu perda total, no estado em que o pessoal encontrou, foi uma sorte sua esposa ter sobrevivido.” Esposa? Não estou entendendo é nada. — Senhora, que bom que acordou. — diz um homem de jaleco entrando no quarto. Acho que ele é o médico. — Eu sou o doutor Álvaro e estou responsável pelo seu caso. Você e seu marido podem ficar tranquilos que aqui será bem atendida. — Marido? Que marido? — perguntei alterando o tom de voz, olhando assustada para aquele homem, que estava vindo na minha direção. — A senhora não se lembra quem é ele? — O médico perguntou e eu neguei com a cabeça. O homem começou a chorar. — Doutor, o senhor me disse que a probabilidade era mínima de isso acontecer. Onde estão os exames dela? — O homem questionou. — Calma senhor. Os exames estão aqui. — ele começa a vasculhar a prancheta. — Achei. O diagnóstico é que devido as fortes batidas com a cabeça, no capotamento, sua esposa está com amnésia traumática. — Como assim doutor? — O homem pergunta alterado. — Sinto muito, senhor, mas é o que os exames mostram. — ele diz e mostra os papéis pro homem. Nisso, sinto uma forte dor na cabeça e começo a ver a figura de um homem. — Onde está o Gustavo? Meu namorado. — pergunto me lembrando dele. — Você é casada comigo! — O homem diz grosseiro. — Moço, eu já disse que não me lembro de você. — falo nervosa. Queria sair dali o mais rápido possível. — Manuela, como você pode não lembrar de mim? Somos casados há quase 11 anos! — diz magoado. — É a verdade. — digo. — Doutor, vamos conversar em particular, por favor. — diz o homem chorando outra vez. — Claro, vamos até a minha sala. — O doutor diz, e eles começam a sair da sala, mas antes, eu resolvo falar. — Eu gostaria de ir embora. — Falo cruzando os braços, encarando os dois. — Senhora, hoje não será possível, precisamos fazer mais alguns exames. Vou te deixar mais um dia em observação. — O doutor Álvaro diz entrando no quarto novamente. — Mas eu preciso avisar o Gustavo. — Sinto outra pontada na cabeça. — A senhora ainda está sentindo dores de cabeça. Infelizmente terá que ficar. Enfermeira, por favor, cuide dela que já retornamos. — Dá ordem pra uma moça morena que entra na sala pra me examinar. Bufo e resolvo ficar com os olhos fechados, mas acabo abrindo os olhos quando escuto a notícia na televisão do quarto: “Um acidente gravíssimo aconteceu, próximo à rodovia do contorno, deixou o filho e a esposa de Alexandre (sobrenome) em estado grave. Conforme mostram as imagens das câmeras de segurança perto do local, um caminhão desgovernado colidiu com o carro em que estavam. Fontes confirmam que Manuela (sobrenome) está no hospital central, e que devido a forte pancada na cabeça, devido ao impacto entre o carro e o caminhão, ela sofreu uma perda de memória. O filho do casal está bem e já se encontra em casa, se recuperando.” Filho? Eu tinha um filho, como se já não bastasse ter um marido, agora eu descobria que tinha um filho. Levantei a blusa, passando a mão pela barriga, descobrindo o corte de uma cesária ali. Eu tive vontade de chorar, mas os remédios que a enfermeira aplicou no meu soro, me deixaram amolecida e logo adormeci, com essa novidade.
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