.P. O. V. Alexandre…
Chego em casa, após mais um dia cansativo, fazendo ligações e assistindo vídeos, e vejo que a casa está mais silenciosa que o de costume. Olho no relógio e noto que só me atrasei por 5 minutinhos, então Manuela e Pietro devem estar à mesa, me esperando. Vou me aproximando da cozinha sem pressa para não assustá-los, mas me deparo com Suzana e Pietro sentados, e ela ajudando meu filho a comer. Estranho.
— Boa noite. — digo ainda meio confuso.
— Boa noite, senhor Alexandre. — Ela responde e se levanta.
— Oi papai. — Pietro se distrai da comida, e vem me abraçar.
— Oi filhão, cadê a mamãe? — pergunto olhando nos olhos dele.
— A senhora Manuela disse que estava indisposta e que era pra eu ajudá-lo a comer e colocá-lo pra dormir. — Explicou Suzana, e aquilo só me deixou mais confuso ainda.
— Ok, eu vou lá ver o que está acontecendo e deixar você fazer o seu trabalho. — digo e saio da cozinha, rumo ao quarto.
Já no corredor dos quartos, percebo que o nosso quarto com a luz apagada e conforme vou me aproximando, escuto a tv ligada. Vou abrindo e entrando devagarinho pela brecha da porta, sem fazer muito barulho e encontro Manuela deitada dormindo, observo bem o seu rosto e noto que está com o nariz vermelho, indicando um choro, então sento do seu lado e a chamo até ela despertar e me encarar com aqueles lindos olhos castanhos.
— Oi amor.
— Oi, você já chegou. — diz bocejando e coçando os olhos.
— O que aconteceu? — pergunto, e ela se senta.
— Nada de mais. — diz baixinho.
— Nada de mais? Eu te conheço amor, e sei que você não é assim. Sabe que pode me contar tudo, não sabe? — digo e ela responde um sim com a cabeça.
— É que eu perdi um cliente hoje. — Explica.
— Sério? Que pena, amor. Eu sinto muito.
— É…
— Mas eles pelo menos explicaram o motivo? — perguntei tentando entender.
— Não disseram, apenas agradeceram por meus serviços.
— Estranho demais isso. — digo pensativo.
— Mas o que descobri foi que eles assinaram com uma empresa concorrente, e esse cliente não era tão anônimo e a notícia da parceria apareceu por toda a internet. E sinceramente, eu não consigo pensar em nenhuma coisa que eu fiz de errado, não consigo ver onde falhei. — diz escondendo o rosto com as mãos.
— Calma, meu amor. Se você não se lembra de ter feito algo errado, é porque a culpada não é você mesmo. Talvez eles quiseram buscar uma nova abordagem, e é sobre eles e não sobre você. Você é uma ótima designer, então não fica aí se martirizado não. — digo sincero.
— É, a Sabrina também disse isso. Obrigada amor. — Ela aproxima sua testa da minha e ficamos assim uns minutinhos.
— Agora fica tranquila. Eu vou só tomar um banho e aí nós podemos descer pra jantar, você não jantou, né? — pergunto pra confirmar minhas suspeitas.
— Não.
— Conseguiu pelo menos tomar seu banho? — pergunto.
— Sim.
— Tá. Depois do jantar nós podemos assistir a um filme juntinhos, sei que hoje você vai demorar a dormir. E eu vou ficar acordado com você. — Beijo a testa dela e saio.
Vou até o closet e pego um conjunto preto de moletom, minha toalha e entro no banheiro, aproveito que estou lá dentro e penso mais um pouco, e percebo que talvez eu deva me esforçar pra ser mais presente essa semana, dar meu apoio pra ela nesses momentos difíceis, mostrar que eu a amo e ainda evitar uma depressão. Não gosto nem de lembrar que pouco depois de um ano de casados, Manuela teve uma crise depressiva, por conta de não estar conseguindo engravidar; ela ficou muito m*l.
Deixo a água quente cair sobre os meus ombros por um tempo e depois que termino, me seco e já saio do banheiro vestido no moletom e secando o cabelo, e nisso noto Manuela me olhando e morde os lábios involuntariamente e eu dou uma risadinha.
— Agora nós podemos descer. — digo a tirando dos seus pensamentos.
— Tá bom. — Ela sai de debaixo da coberta, e vejo seu pijama parecido com o meu, só que era um moletom vermelho.
Dei a mão pra ela e assim fomos andando pelo corredor, só que no meio do caminho, ela me parou.
— Acho melhor ir vermos o Pietro primeiro. — Ela diz com uma culpa na voz.
— Okay, vamos lá. — digo sorrindo.
Chegando no quarto do Pietro, ele ainda estava acordado e Suzana estava sentada num puff, enquanto contava uma historinha pra ele.
— Mamãe, papai.
Assim que nos viu, ele deu um pulo da cama, vindo até nós nos abraçar.
— Oi filho. — Manuela disse abraçando o garotinho.
— A mamãe já está melhor, tá bom. — Eu falo.
— Vim te dar seu beijinho de boa noite. — Manuela diz.
Ela pega ele no colo e o leva de volta pra cama, o deitando, em seguida o cobre e dá o beijo nele.
— Depois que a Suzi terminar a historinha, é hora de dormir, se comporte direitinho, tá bom?
— Tá bom, mamãe. — Ele responde.
— Então tá bom. Boa noite.
— Boa noite. — Ele e a Suzana dizem.
Depois disso, Manuela e eu saímos do quarto, e descemos pra jantar. A peguei de surpresa quando tirei a cadeira pra ela se sentar e fui até a geladeira ver qual era o jantar, e vi uma travessa de canelone de presunto e queijo.
— Hoje é canelone de presunto e queijo. — Anuncio.
— Delícia. — Ela diz.
Pego a travessa, coloco em cima da bancada e quando volto pra pegar o arroz, Manuela vem até mim, me ajudar e trocamos um olhar cúmplice. Depois de colocar a panela, em cima do fogão, Manuela vai pra lá vigiar pra não queimar enquanto o canelone esquenta no micro-ondas, e sem querer me pego reparando no corpo de Manuela e ela percebe, soltando uma risada, e vem até mim. Ela fica bem na minha frente, a centímetros da minha boca, e então eu a puxo pra um beijo cheio de carinho e amor, que durou poucos segundos.
— Não estamos tendo tanto tempo pra ficar assim, juntinhos — ela diz — estava sentindo falta disso.
— Eu também. — disse e ouvi o micro-ondas apitar, tive que me afastar pra pegar a comida.
Depois desse nosso pequeno momento de carinho, comemos em silêncio e subimos pra dormir, e eu que pensei que Manuela demoraria a pegar no sono, mas assim que ela deitou em meu peito, dormiu de uma vez. Amo muito essa mulher!