Capítulo 10

1115 Palavras
P. O. V. Manuela… Entro no carro e sigo minha rota diária, deixando o Pietro na escola, depois indo para o meu trabalho. Hoje saí depressa e não tomei café, então assim que o elevador parou, entrei deixando minhas coisas na mesa, e fui direto pra sala do café, encontrando as meninas conversando animadamente. — Bom dia. — digo entrando na sala, sorridente. — Bom dia. — Camila respondeu. — Hoje saí tão depressa! — resmunguei mais pra mim do que com elas, pegando uma xícara e servindo um gole de café. Sentei-me num canto e fiquei um pouco isolada olhando pela janela, o outro lado da cidade e também as montanhas. Quando terminei de beber o meu café, lavei a xícara e voltei para a minha mesa, onde já cheguei ligando meu computador, e trabalhando, mas o que eu não esperava era receber uma mensagem como aquela na minha caixa de e-mail. “Olá, depois de analisarmos bem, decidimos romper nossas relações com a empresa. Gostaríamos de agradecer toda a ajuda e auxílio prestados até aqui e desejamos sucessos na sua jornada” Um pouco confusa, encaro a tela e a mensagem pelo menos umas 5 vezes, tentando processar tudo. — O que aconteceu? — Sabrina pergunta me olhando. — Cancelaram um contrato. — respondi. — Quem? — Ela se levanta vindo até a minha mesa e lê a mensagem na minha tela. — Eu hein, por que será? — Ela me olha. — Não sei, eu não fiz nada de errado. — digo sentindo a garganta fechar e a voz embargar. — Fica calma, amiga. Eles devem estar tentando uma nova abordagem. — Ela diz tentando me confortar. — Pode ser. — respondo. — Obrigada! — Bola pra frente que logo vai aparecer outros clientes pra você. — Ela disse voltando pra sua mesa. Concordei com ela e segui trabalhando, então decidi entrar nos sites de jornal que eu acompanho diariamente, pra saber tendências do nicho e também acompanhar o que falam da nossa família, e aquele ditado que procuramos até achar o que não queremos ver, é realmente o que percebo agora, vendo o que não queria ver. Lá estava a notícia de que o meu cliente havia assinado com uma outra empresa. E tá certo que eu não deveria ficar revoltada, mas não tem como, principalmente que eles não me deram nenhuma explicação, mas relevei e continuei trabalhando, não podia deixar aquilo me afetar em meu ambiente de trabalho, deixei pra chorar em casa. [...] A hora de buscar o Pietro já se aproximava, então terminei de entregar as prévias e os esboços que eu precisava entregar, e desliguei tudo. Desci de elevador e fui caminhando depressa até o carro, tinha que ficar bem atenta, porque saí bem na hora próxima do pico e minha cabeça não estava legal, não podia desmoronar na frente do Pietro. Encostei o carro na porta da escola, e logo o sinal tocou e as crianças começaram a sair, então só esperei até ele vir. E assim que o vi, foi inevitável não esboçar um sorriso, às vezes sinto que ele está crescendo muito depressa. — Oi filho. — Oi, mamãe. — diz entrando no carro, e sentando na cadeirinha. — O meu amiguinho mandou perguntar de novo quando ele pode ir lá em casa. — Eu prometo que vou pensar num dia. — digo dando partida no carro. Chegando em casa, assim que Pietro subiu pro quarto dele, eu fui até a cozinha falar com Suzi. — Suzi? — Oi senhora, está tudo bem? — pergunta me olhando. — Na verdade, não, estou um pouco indisposta, será que você poderia ajudar o Pietro a jantar? Eu preciso me deitar. — digo. — Sim, senhora. — Ela responde. — Obrigada! — Agradeço e ela vai pro fogão e eu subo. Vou até o banheiro e já deixo a banheira enchendo e busco o Pietro no quarto dele. Rapidamente dou banho nele, e aviso pra ele que hoje Suzana vai ajudá-lo com o jantar, vou tomar o meu. Depois disso, coloco meu conjunto de pijama de moletom, vermelho e me deito, deixando as lágrimas tomarem conta, e adormeço. Logo sinto um peso ao meu lado e depois escuto a voz de Alexandre, me chamando, e então abro os olhos lentamente. — Oi amor. — Ele diz olhando pra mim. — Oi, você já chegou. — Bocejo e coço os olhos. — O que aconteceu? — perguntou. Sabendo que ele não iria me deixar até saber porque eu estava daquele jeito, me sentei. — Nada de mais. — digo baixinho. — Nada de mais? Eu te conheço amor, e sei que você não é assim. Sabe que pode me contar tudo, não sabe? — Ele pergunta e eu concordo com a cabeça. — É que eu perdi um cliente hoje. — Explico. — Sério? Que pena, amor. Eu sinto muito. — É… — Mas eles pelo menos explicaram o motivo? — perguntou. — Não disseram, apenas agradeceram por meus serviços. — Estranho demais isso. — pareceu pensativo. — Mas o que descobri foi que eles assinaram com uma empresa concorrente, e esse cliente não era tão anônimo e a notícia da parceria apareceu por toda a internet. E sinceramente, eu não consigo pensar em nenhuma coisa que eu fiz de errado, não consigo ver onde falhei. — digo com raiva, escondendo o rosto com as mãos. — Calma, meu amor. Se você não se lembra de ter feito algo errado, é porque a culpada não é você mesmo. Talvez eles quiseram buscar uma nova abordagem, e é sobre eles e não sobre você. Você é uma ótima designer, então não fica aí se martirizado não. — ele diz, tentando me confortar. — É, a Sabrina também disse isso. Obrigada amor. — Tomo um pouco de atitude e encosto minha testa na dele, como agradecimento. — Agora fica tranquila. Eu vou só tomar um banho e aí nós podemos descer pra jantar, você não jantou, né? — perguntou. — Não. — Conseguiu pelo menos tomar seu banho? — pareceu preocupado. — Sim. — Tá. Depois do jantar nós podemos assistir a um filme juntinhos, sei que hoje você vai demorar a dormir. E eu vou ficar acordado com você. — Beijou minha testa e saiu. Minutos depois, ele saiu vestido num moletom parecido com o meu, e secava o cabelo, olhei pra ele e só percebi que tinha pensamentos maliciosos quando ele deu uma risadinha e falou: — Agora nós podemos descer. Antes de descermos, pedi pra ele pra passar no quarto de Pietro e dar boa noite. Depois nós descemos, jantamos, aproveitando o momento juntinhos e fomos dormir.
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