P. O. V. Manuela…
Entro no carro e sigo minha rota diária, deixando o Pietro na escola, depois indo para o meu trabalho. Hoje saí depressa e não tomei café, então assim que o elevador parou, entrei deixando minhas coisas na mesa, e fui direto pra sala do café, encontrando as meninas conversando animadamente.
— Bom dia. — digo entrando na sala, sorridente.
— Bom dia. — Camila respondeu.
— Hoje saí tão depressa! — resmunguei mais pra mim do que com elas, pegando uma xícara e servindo um gole de café.
Sentei-me num canto e fiquei um pouco isolada olhando pela janela, o outro lado da cidade e também as montanhas. Quando terminei de beber o meu café, lavei a xícara e voltei para a minha mesa, onde já cheguei ligando meu computador, e trabalhando, mas o que eu não esperava era receber uma mensagem como aquela na minha caixa de e-mail.
“Olá, depois de analisarmos bem, decidimos romper nossas relações com a empresa. Gostaríamos de agradecer toda a ajuda e auxílio prestados até aqui e desejamos sucessos na sua jornada”
Um pouco confusa, encaro a tela e a mensagem pelo menos umas 5 vezes, tentando processar tudo.
— O que aconteceu? — Sabrina pergunta me olhando.
— Cancelaram um contrato. — respondi.
— Quem? — Ela se levanta vindo até a minha mesa e lê a mensagem na minha tela.
— Eu hein, por que será? — Ela me olha.
— Não sei, eu não fiz nada de errado. — digo sentindo a garganta fechar e a voz embargar.
— Fica calma, amiga. Eles devem estar tentando uma nova abordagem. — Ela diz tentando me confortar.
— Pode ser. — respondo. — Obrigada!
— Bola pra frente que logo vai aparecer outros clientes pra você. — Ela disse voltando pra sua mesa.
Concordei com ela e segui trabalhando, então decidi entrar nos sites de jornal que eu acompanho diariamente, pra saber tendências do nicho e também acompanhar o que falam da nossa família, e aquele ditado que procuramos até achar o que não queremos ver, é realmente o que percebo agora, vendo o que não queria ver. Lá estava a notícia de que o meu cliente havia assinado com uma outra empresa. E tá certo que eu não deveria ficar revoltada, mas não tem como, principalmente que eles não me deram nenhuma explicação, mas relevei e continuei trabalhando, não podia deixar aquilo me afetar em meu ambiente de trabalho, deixei pra chorar em casa.
[...]
A hora de buscar o Pietro já se aproximava, então terminei de entregar as prévias e os esboços que eu precisava entregar, e desliguei tudo. Desci de elevador e fui caminhando depressa até o carro, tinha que ficar bem atenta, porque saí bem na hora próxima do pico e minha cabeça não estava legal, não podia desmoronar na frente do Pietro.
Encostei o carro na porta da escola, e logo o sinal tocou e as crianças começaram a sair, então só esperei até ele vir. E assim que o vi, foi inevitável não esboçar um sorriso, às vezes sinto que ele está crescendo muito depressa.
— Oi filho.
— Oi, mamãe. — diz entrando no carro, e sentando na cadeirinha. — O meu amiguinho mandou perguntar de novo quando ele pode ir lá em casa.
— Eu prometo que vou pensar num dia. — digo dando partida no carro.
Chegando em casa, assim que Pietro subiu pro quarto dele, eu fui até a cozinha falar com Suzi.
— Suzi?
— Oi senhora, está tudo bem? — pergunta me olhando.
— Na verdade, não, estou um pouco indisposta, será que você poderia ajudar o Pietro a jantar? Eu preciso me deitar. — digo.
— Sim, senhora. — Ela responde.
— Obrigada! — Agradeço e ela vai pro fogão e eu subo.
Vou até o banheiro e já deixo a banheira enchendo e busco o Pietro no quarto dele. Rapidamente dou banho nele, e aviso pra ele que hoje Suzana vai ajudá-lo com o jantar, vou tomar o meu. Depois disso, coloco meu conjunto de pijama de moletom, vermelho e me deito, deixando as lágrimas tomarem conta, e adormeço.
Logo sinto um peso ao meu lado e depois escuto a voz de Alexandre, me chamando, e então abro os olhos lentamente.
— Oi amor. — Ele diz olhando pra mim.
— Oi, você já chegou. — Bocejo e coço os olhos.
— O que aconteceu? — perguntou.
Sabendo que ele não iria me deixar até saber porque eu estava daquele jeito, me sentei.
— Nada de mais. — digo baixinho.
— Nada de mais? Eu te conheço amor, e sei que você não é assim. Sabe que pode me contar tudo, não sabe? — Ele pergunta e eu concordo com a cabeça.
— É que eu perdi um cliente hoje. — Explico.
— Sério? Que pena, amor. Eu sinto muito.
— É…
— Mas eles pelo menos explicaram o motivo? — perguntou.
— Não disseram, apenas agradeceram por meus serviços.
— Estranho demais isso. — pareceu pensativo.
— Mas o que descobri foi que eles assinaram com uma empresa concorrente, e esse cliente não era tão anônimo e a notícia da parceria apareceu por toda a internet. E sinceramente, eu não consigo pensar em nenhuma coisa que eu fiz de errado, não consigo ver onde falhei. — digo com raiva, escondendo o rosto com as mãos.
— Calma, meu amor. Se você não se lembra de ter feito algo errado, é porque a culpada não é você mesmo. Talvez eles quiseram buscar uma nova abordagem, e é sobre eles e não sobre você. Você é uma ótima designer, então não fica aí se martirizado não. — ele diz, tentando me confortar.
— É, a Sabrina também disse isso. Obrigada amor. — Tomo um pouco de atitude e encosto minha testa na dele, como agradecimento.
— Agora fica tranquila. Eu vou só tomar um banho e aí nós podemos descer pra jantar, você não jantou, né? — perguntou.
— Não.
— Conseguiu pelo menos tomar seu banho? — pareceu preocupado.
— Sim.
— Tá. Depois do jantar nós podemos assistir a um filme juntinhos, sei que hoje você vai demorar a dormir. E eu vou ficar acordado com você. — Beijou minha testa e saiu.
Minutos depois, ele saiu vestido num moletom parecido com o meu, e secava o cabelo, olhei pra ele e só percebi que tinha pensamentos maliciosos quando ele deu uma risadinha e falou:
— Agora nós podemos descer.
Antes de descermos, pedi pra ele pra passar no quarto de Pietro e dar boa noite. Depois nós descemos, jantamos, aproveitando o momento juntinhos e fomos dormir.