P. O. V. Alexandre…
No dia seguinte, tomei meu café sem acordar Manuela e Pietro, e antes de sair deixei um bilhete carinhoso pra ela avisando que já havia saído.
“Bom dia, meus amores, tive que ir mais cedo pra empresa porque hoje chegam os materiais para começar a construção do novo hotel. Peço desculpas por não estar com vocês, esse projeto novo está tomando muito do meu tempo. Espero que não fique chateada, meu amor. Eu te amo mais que tudo nessa vida, você é a mulher dos meus sonhos e nunca pense que outra pessoa vai ocupar seu lugar, porque você é única. Um beijo, e um abraço pro Pietro. Qualquer atualização, ligo pra você!
Com amor, Alexandre.”
Decidi ir mais cedo pro escritório porque realmente hoje era a data prevista da entrega dos materiais e também do início da obra, foi confirmada a entrega dos materiais e o engenheiro também me notificou que a obra iria começar, fizemos todas as alterações necessárias que ele sugeriu e nada mais me impedia a obra de seguir em diante, e ser concluída com sucesso. Logo de manhã entrei no jornal online e já tinha fotos da obra por todos os lados, e especulações de quem seria essa construção. Acho que precisarei ir até lá num dia apropriado para que eles me vejam e deixem de curiosidade e especulações, sabendo que o dono da obra sou eu.
Depois do almoço, veio uma notícia que eu não gostei nada quando soube, iria passar mais uma noite trabalhando até tarde ao invés de ir embora pra casa e ficar com a minha esposa, que já estava se sentindo meio insegura e com ciúmes, isso era engraçado até certo ponto, mas odiava que ela pensasse na ideia de eu a substituindo. Fiquei a parte da manhã toda resolvendo coisas com o pessoal do marketing, que me ligou e fez um monte de perguntas, me passou orçamento pra analisar, e um monte de coisa que eu nunca tinha feito antes, como marketing com influenciadores.
Sabendo que vou ficar até tarde hoje, resolvi já ligar pra Manuela antes dela mesma ligar e eu por acaso não atender. Ainda eram 17h00 e ela provavelmente está saindo pra buscar o Pietro.
— Alô?
— Oi, amor. — digo animado.
— Oi.
— Tudo bem?
— Sim e com você?
— Estou bem. Então eu tô te ligando pra avisar que hoje vou trabalhar até mais tarde na empresa e não sei se consigo chegar antes de vocês irem dormir…
— Sério isso? De novo? — Ela pergunta.
— Sim, infelizmente. — digo.
— Ah, que pena. — Ouço sua voz tomando um tom de tristeza.
— Eu resolvi te ligar, porque não queria te deixar me esperando.
— Tá bom, então. — Ela responde chateada.
— Tá bom. Beijo, te amo. — digo.
— Eu também te amo. — Só depois que ela diz de volta que eu encerro a ligação.
Peguei a pasta de documentos e retornei ao meu trabalho. Ainda por cima tive que assistir vários vídeos de influenciadores e tentar encontrar alguém pra fazer meu marketing, não seria um trabalho fácil.
[...]
Hoje foi o dia em que eu cheguei mais tarde, às 22h00 e isso não me deixou nada contente, era outra noite em que eu iria jantar sem minha família, e também dormiria sem eles. Subi para o quarto e me deparei novamente com os dois dormindo profundamente na nossa cama de casal. Um sentimento de culpa me invadiu, por não estar com eles. Passei por eles em silêncio, pegando o travesseiro reserva, e a coberta pra dormir no quarto de hóspedes outra vez. Deve ser por esse motivo que Manuela está se sentindo desse jeito, não estamos tendo nosso tempo juntos e só a ideia de estar nos distanciando me deixa muito chateado.
Depois de chegar do quarto de hóspedes, eu fui direto pro closet, pegar um moletom pra dormir, e fui direto pro banho. A água quente me deixava bem relaxado e revirado, eu só queria comer e deitar. Então não perdi meu tempo e desci pra cozinha, chegando lá, já fui abrindo a geladeira e hoje Suzana havia feito macarrão com almôndegas. Peguei o macarrão, me servi num prato de vidro e coloquei no micro-ondas para esquenta. Olhei na parte debaixo da geladeira, e percebi que havia um pudim de leite condensado, e também uma garrafa de Coca-Cola, peguei a coca e enquanto o prato terminava aquecer e servi um gole bem grande.
Depois de satisfeito, fui direto me deitar no quarto de hóspedes, mas eu revirava de um lado para o outro, e não conseguia pegar no sono, eu precisava pensar em uma forma de me redimir com Manuela porque agora certamente a desconfiança dela vai aumentar. Peguei o celular, que eu já tinha desligado e guardado em cima da cômoda, e abri no aplicativo de viagens. Comecei a analisar vários lugares em que poderíamos ficar hospedados para passar as férias escolares do Pietro em família, precisava programar essa viagem o mais rápido possível. Quando dei por mim, já era 01hr00 da manhã, e eu ainda não tinha nem sequer cochilado, guardei o celular, e por fim, dormi.
No dia seguinte, acordei de barriga pra baixo, com o alarme do celular tocando praticamente na minha cara, pensei ter o colocado na mesinha, mas, na verdade, coloquei do outro lado da cama. Levantei, escovei os dentes, me vesti e só depois desci, mas no meio da escada, recebi uma ligação.
— Alô? — Eu disse. E logo vi a sombra da Manuela parada no batente da porta me encarando enquanto eu esperava o homem responder.
— Alô! Senhor Alexandre, aqui é o Túlio, gostaríamos de informar que ouve um assalto no seu hotel aqui perto do shopping. — disse o homem.
— Assalto? Como assim? O que levaram? Qual a gravidade?
— Senhor, levaram muitos pertences dos hóspedes, até saquearam a área mais pobre, precisamos que o senhor venha até aqui, se for possível. — O homem fala.
— Tudo bem, eu e minha esposa estaremos aí muito em breve. Até podermos ir aí, ninguém deve ir trabalhar, e podem ficar tranquilos que vão receber o salário do mês do mesmo jeito.
— Obrigado senhor. — diz e eu encerro a ligação. Manuela me olha preocupada.
— Que hotel que foi assaltado?
— Aquele perto do shopping. Eu estava me planejando e programando nossa viagem de férias. — digo.
— Sinto muito. Mas nós vamos lá e tudo vai se resolver. — Ela me dá um abraço.
Então seguimos juntos pra cozinha e tomarmos nosso café em família.