P. O. V. Manuela...
Acordei com o despertador tocando, me deixando doida logo de manhã, olhei para o lado e só Pietro estava deitado comigo. Rapidamente, minha mente trouxe Alexandre nos pensamentos e confesso que foi estranho acordar sem ele ao meu lado. Não gostei de ele não ter atendido a minha ligação, foi um pouco preocupante, e, ao mesmo tempo, me deixou chateada. Será que ele dormiu em casa pelo menos?
- Filho, vamos levantar? - Chacoalho ele devagar, e ele resmunga abrindo os olhinhos, me deixando apaixonada por ele. Amo tanto esse menininho! - Filho temos que levantar, se não, vamos nos atrasar.
Digo isso e ele se levanta da cama correndo e sai pelo corredor gritando "escola", e eu levanto em seguida, indo atrás dele rindo. Chegamos no quarto dele e enquanto vou até seu closet pegar o uniforme, ele vai ao banheiro, fazer xixi e já escova os dentes. Deixo o uniforme dele em cima da cama e grito pra ele.
- Filho, a mamãe também vai se vestir e já volta, veste a roupinha e vem pro quarto esperar a mamãe, tá bom?
- Tá bom, mamãe.
Depois disso volto pro quarto e não vejo Alexandre ainda. Onde será que esse homem dormiu? O fato era que deve ter acontecido algo grave no trabalho, porque ele sempre deixou muito claro que é apaixonado por mim e me ama, nunca deu motivos pra eu suspeitar de uma traição, mas isso não impede que essa ideia passe pela minha cabeça. Me vesti rapidamente, com um conjunto de blazer e calça social preto, escovei os dentes e Pietro chegou bem na hora que eu estava terminando de prender o cabelo.
- Cheguei mamãe. - diz e eu me inclino pro lado pra vê-lo.
- Que bonito o homenzinho da mamãe. - digo assim que prendo o cabelo.
- O papai já chegou? - ele pergunta.
- Não sei, filho, que tal descermos e ver se ele está tomando café? - digo e ele começa a gritar "sim", sem parar.
Pego na mãozinha dele rindo, e descemos. Quando entrei na cozinha, meu coração até errou as batidas.
- E aí, filhão! - Abriu os braços pra receber Pietro.
- Papai, papai. - Pulou no colo dele. Alexandre abraçou ele e olhou diretamente pra mim, com um olhar penetrante, mas, ao mesmo tempo, cúmplice. E involuntariamente dei um sorrisinho, mas me lembrei dos últimos acontecidos e fechei a cara.
- Bom dia, esposa.
- Por que não atendeu as minhas ligações? Dormiu em casa pelo menos? - perguntei passando direto por ele.
- Amor, desculpa. Sim, eu dormi no quarto de hóspedes. - Ele diz e vem até mim.
- Por acaso você tem outra? - pergunto o encarando de braços cruzados. - Nós não temos o costume de dormir longe um do outro.
- Eu sei. E NÃO... eu não tenho outra. - Ele riu. - Eu só... tive que fazer muitas ligações e depois deixei o celular um pouco de lado. - Ele diz e eu o deixo me tocar.
Ele segura minha cintura, mas fica olhando pra minha boca e eu vou chegando mais perto.
- Posso? - diz e faz uma referência ao Pietro ali com o olhar sobre nós. Dou um selinho bem seco em Alexandre, e saio de perto.
Vou até o armário deixando ele rir sozinho, pego a minha xícara e me sirvo um gole de café.
- Como foi a noite de vocês? - Fala quebrando o silêncio.
- Foi boa até. - digo meio seca. - Tive um dia bem cansativo também.
- Mamãe, quero torta.
- Vou pegar, mas é só um pedacinho agora, mais tarde você come mais, tá bom? - digo e vou até a geladeira e parto um pedaço e dou pra ele.
- Entendi. Espero que seu dia hoje seja melhor, e bem produtivo. - ele diz e eu olho pra ele.
- Obrigada. - Olho pro relógio na parede da cozinha e fico em alerta pelo horário. - Vem filho, faltam poucos minutos pra sairmos. - Falo e vejo Pietro enfiar o último pedacinho da torta na boca, e acabo rindo disso.
Terminando de nos arrumar, eu já vou pegando a chave do sedã e minha bolsa, passando pela sala rapidamente, mas sinto o olhar de Alexandre me queimando e fico nervosa. Até que sinto sua presença ao meu lado, e o encaro, já que ele segurou meu braço, de uma forma carinhosa.
- Você não teria coragem de sair sem despedir de mim. - Ele me puxa pela cintura sem aviso e eu solto um gritinho, antes dele colar seus lábios nos meus.
O beijo começa bem lento, mas segundos depois sua língua pede passagem e eu permito, colocando minhas mãos ao redor do pescoço dele e curtindo o momento cheio de saudades do beijo dele, mesmo que não tenha se passado nem um dia completamente. O relógio dele apita, e essa é a deixa que nos separa.
- Até mais tarde. - digo antes de soltá-lo.
- Até.
Pego na mãozinha do Pietro e seguimos pra fora de casa, onde um segurança já havia trazido pra frente de casa. Entramos e eu liguei o carro, dando início a nossa jornada até a escola dele.
Depois fui direto pro meu serviço e chegando lá, todas as meninas já estavam em suas respectivas mesas trabalhando, olhei no relógio e vi que estava um pouquinho atrasada.
- Bom dia! - digo colocando as coisas na mesa.
- Bom dia. - Todas respondem, ao mesmo tempo.
Ligo o computador e começo minha jornada de trabalho.
[...]
Meu celular vibrou indicando uma mensagem e já estava faltando poucos minutos pra eu sair pro intervalo, pego o celular e vejo ser uma mensagem de Alexandre.
Alexandre: Oi amor, você já está saindo pra almoçar?
Oi.
Alexandre: ?
Faltam alguns minutos.
Alexandre: Desce aí.
Visualizo sua mensagem, e fico um pouco tensa. Não é possível que ele tá aqui! Desço de elevador e na recepção, vejo ele conversando com a Regina, deve ser alguma coisa muito engraçada porque os dois estão rindo, dou um tossindo falso e eles percebem minha presença.
- Oi amor. - Vem até mim e eu espalmo a mão entre nós.
- Tá fazendo o que aqui? - pergunto.
- Vim almoçar com você. - diz sorrindo. Confesso que saber disso me pegou de surpresa. - Podemos ir?
- Tá bom. - Não ia dar bronca nele na frente de ninguém. Esperei chegarmos no estacionamento. - Por que justo hoje você resolveu aparecer aqui?
- Aconteceu alguma coisa?
- Não é só que... - Tento formular alguma coisa e nada sai, então decido ficar quieta.
- É bom saber que você ainda sente ciúmes de mim, depois desse tempo todo de casados. - diz e abre a porta do carro pra mim, e eu entro. - Respondendo sua pergunta, vim fazer uma surpresa. - Liga o carro.
Ele nos levou pra um restaurante no centro da cidade, que era mais caro que os de costume onde jantávamos, e fez o pedido pra nós dois. Meu coração se encheu de alegria porque ele me conhece muito bem. Depois do almoço ele me levou de volta pra empresa e antes de sair do carro, e eu estava um pouco mais calma então eu me despedi dele com carinho.
- Eu amei almoçar com você. - disse sorrindo. - Eu te amo. - Puxei ele pra um beijo carinhoso e ele correspondeu me apertando mais ainda nos seus braços.
Nos separamos e ficamos uns 5 minutos nos encarando e só depois eu desci do carro, dano um tchauzinho pra ele e voltei a trabalhar.