P. O. V. Alexandre...
No dia seguinte, acordei cedo e bem-disposto, graças a noite que Manuela e eu tivemos, tomamos café em família sem perder tempo assim que cheguei na empresa, peguei meu telefone e avisei aos engenheiros que quando eles quisessem, estava os esperando. Por volta das 9:00 horas eles chegaram na portaria do prédio, então eu não demorei a descer. Um carro já nos esperava pra nos levar até lá, o caminho até o terreno foi cerca de uns 50 minutos.
Descemos do carro e eu já comecei a andar pelo terreno, tentando ver primeiramente o que encontraram de errado ali, mas sozinho não consegui ver. Eles rapidamente montaram uma barraca, com uma mesa.
— Qual é o problema aqui? — pergunto encarando o engenheiro chefe, com os braços cruzados.
— Senhor, é com a planta do hotel. — ele diz abrindo-a logo em seguida, em cima da mesinha. — Nesse ponto aqui, o cano não vai poder passar, se não pode ter contaminação da praia. — fala apontando pra um lugar na planta.
— Certo. E qual a sua sugestão? — pergunto.
— Temos que refazer essa saída aqui e mudar a rota do cano pra rua. — Explica.
— Tudo bem, pode fazer. Vou começar a encomendar os materiais. — digo. — Vou deixar vocês trabalhar, preciso cuidar de um outro assunto, mas qualquer coisa, podem me ligar.
— Sim, senhor. — ele diz e já sai começando a dar ordem para os pedreiros que já estavam lá.
Eu entro no meu carro e meu motorista deu partida, voltei para a minha empresa porque tinha que supervisionar de perto o movimento da pousada recém-inaugurada, e também já aproveitei e liguei encomendando todos os materiais pra começar a construção do novo hotel. Penso em como Gustavo deve estar se corroendo de raiva de eu ter conseguido bater o valor dele e ficar com esse terreno.
Ligo meu computador e começo a analisar os dados, procuro outros terrenos, acompanho o movimento da minha conta bancária e vou fazendo anotações. De repente, batem na minha porta.
— Entra. — Falo.
— Senhor, eu notei que há uma lista de hotéis que talvez seja necessário um novo projeto de divulgação, uma estratégia de marketing que atraia mais hóspedes. — Era Rubens, meu assistente.
Ele era responsável por detectar onde deveríamos investir e propagar, trabalhava comigo desde o início e sempre se mostrou competente.
— Muito bem, Rubens. — Chamo ele pra dentro da sala. — E o que você sugere então? — pergunto olhando pra ele.
— Seria bom talvez passar um tempo lá, e contratar um buffet, pra atrair clientes. Fazer uma propaganda também junto com a família, pra mostrar que o hotel é um ambiente acolhedor pra famílias.
— É uma boa sugestão, Rubens. Pode me dar aqui os papéis que vou analisar com calma e se pensar em outras estratégias, não hesite em trazer pra mim. — digo e ele concorda, me entrega os papéis e em seguida vai saindo da sala.
Começo a olhar os nomes dos hotéis, em que cidade cada um fica e resolvo fazer uma pesquisa de pontos turísticos que ficam perto. Quem sabe oferecer um tour de mini van com os turistas, que estão hospedados no meu hotel pra ir até tal ponto turístico me ajude? Decidi ligar lá na portaria do hotel e já reservei um quarto pra mim e minha esposa, dessa vez seria uma viagem mais romântica, só nós dois, a melhor parte!
[...]
As horas passaram tão depressa que nem vi, fiquei até tarde no escritório, e só quando saí de lá que vi as muitas ligações de Manuela no celular, fiquei um pouco chateado, por já ser 20:00hrs, a essa hora ela e Pietro provavelmente já jantaram e possivelmente estão dormindo. No decorrer do meu dia, eu fiz tantas ligações, que até perdi a conta, então nesse horário que ela me ligou, eu estava tentando manter uma distância do celular. Eu aderi a todas as sugestões que Rubens me deu, depois de reservar o hotel, e encaminhar o projeto de um mini tour para o pessoal da panfletagem, falei com várias empresas de turismo e só uma me agradou, a do senhor Maurício. Também aproveitei e marquei até com o pessoal da propaganda pra virem nos gravar. Espero que dê tudo certo!
Quando eu finalmente cheguei em casa, já era bem tarde. Suzana já tinha ido embora e eu estava faminto, procurando algo na geladeira, foi quando encontrei, um macarrão com presunto e queijo, e ainda de quebra, uma torta de frutas vermelhas. Já estiquei a mão pegando o macarrão com queijo, e já abro o micro-ondas, colocando o macarrão pra esquentar. Depois já peguei a torta e fui direto partindo um tamanho generoso e colocando no prato, deixei lá em cima da mesa e fui tomar um banho bem rápido. Sentia minhas costas doer, acho que era por ter passado muito tempo sentado naquela cadeira. Quando entrei no quarto, vi uma cena linda, mas, ao mesmo tempo, me chateou, Manuela e Pietro dormiam na nossa cama de casal. Eu não gostava de chegar nesse horário. Cobri os dois, e segui para o banheiro; por sorte nenhum deles acordou com meu barulho. Rapidamente peguei um travesseiro reserva que eu sempre deixava escondido no closet, bem embalado pra não pegar mofo e sujeira, e uma coberta. Não tinha problema nenhum em dormir no quarto de hóspedes! Abri a porta do quarto que parecia ter recebido uma limpeza recentemente, e deixei minhas coisas, voltei de novo para o andar debaixo e já não aguentava mais ouvir o som do meu estômago roncando.
Peguei um prato, colocando uma montanha de macarrão e fui pro sofá assistir um pouco de tv, enquanto comia. Comi dois pratos cheios e por cima, o pedaço de torta que eu já tinha cortado e estava incrível, nossa cozinheira Suzana sabe fazer muitas guloseimas deliciosas, se conheço Pietro, amanhã de manhã, ele vai pedir um pedaço dessa torta no café. Então depois de acabar tudo, peguei os dois pratos e lavei, como era pouca coisa, achei melhor já lavar, guardei o restante do macarrão e a torta, desliguei a tv, e fui pro quarto de hóspedes dormir.