Luna Narrando A casa onde Dante morava desde que herdou o morro continuava a mesma por fora. Mas por dentro, tudo gritava que alguma coisa tinha mudado. As fotos estavam no lugar. Os troféus de infância dele ainda enfeitavam a estante. Mas o cheiro era outro. O ar era outro. Tava tudo limpo demais. Silencioso demais. Como se ele estivesse tentando esconder o passado com pano úmido e água sanitária. Subi sem bater. Ninguém barrou. Ninguém teve coragem. Ele tava na varanda. Camisa de botão aberta no peito, cigarro entre os dedos, olhar perdido lá longe, como se enxergasse além do morro. Quando me viu, não se mexeu. Só tragou mais fundo. — Já voltou? — ele perguntou. — Já. E voltei com pergunta. — Sabia que você vinha. — Sabia? Então responde. Ele jogou a bituca fora, sem pressa. Encos

