Kael Narrando O sol nem tinha se espreguiçado direito e eu já tava de pé, com a mente no corre. A noite anterior foi pesada, mas o jogo virou, e hoje era dia de fazer a contagem. No morro, depois de recebimento, vem o ritual: conferir tudo, separar os malotes, e garantir que ninguém meteu a mão onde não devia. Vesti a camisa preta, calça jeans firme, tênis no pé e pistola na cintura. Dei um beijo rápido na Luna, que ainda dormia com aquele jeitinho de anjo. Saí sem fazer barulho, mas com o coração blindado. Hoje era dia de foco. Cheguei na boca e Dante já tava lá, encostado na parede, cigarro na mão, olhar afiado. Ele é desses que não precisa falar muito pra impor respeito. Só o jeito que ele segura o cigarro já diz que o morro é dele. — Bora pra contagem, irmão — ele falou, jogando a

