Cara a cara

1338 Palavras

Luna Narrando O dia tava estranho desde cedo. Eu ainda digeria o almoço silencioso com o Dante e a Samanta, aquela tensão travada que parecia não acabar nunca. Tinha coisa não dita no ar, e eu sentia isso no osso. Tava na varanda, olhando o morro se mexer no ritmo de sempre, quando Dona Zuleide, minha vizinha, língua mais afiada que faca de açougue, passou devagar, com aquele ar de quem carrega bomba. — Ô, Luna… — ela começou, ajeitando a bolsa no ombro. — É verdade que teu pai tá aí no morro? Meu coração travou. — O quê? — perguntei, gelando. — Menina… ouvi lá embaixo na venda que ele subiu hoje cedo, acompanhado dos homens do Dante, direto pra boca. O povo comentou que ele veio pra te ver. Senti o chão sumir debaixo de mim. — Ninguém… ninguém me falou nada. Ela me

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