Dante Narrando O dia já tava virando noite, céu meio alaranjado, morro começando a acender luzinha nos barracos. E eu ali, parado na frente do portão da Luna, com o coração batendo mais alto que o som da boca. Já tinha trocado ideia com os caras, ajeitado o corre, mas não adiantava. A cabeça só voltava pra ela. Pra minha irmã. Ou melhor… pra minha irmã de alma, porque o sangue, agora eu sei. Bati na porta com calma, sem pressa. Ela abriu, me olhou com aquele olhar que atravessa. Não era raiva pura… era mistura. Mágoa, dúvida, cansaço. — Fala, Dante — ela soltou, seca. Entrei devagar, sentei no sofá, ela ficou de pé. Parecia que o chão entre nós era feito de vidro. Um passo errado e tudo quebrava. — Luna… eu vim trocar ideia contigo. Mas não é pra justificar nada. É pra abrir o

