Arthur
Wesley parado na minha porta já perguntando pela Priscila. O que ele quer?
-Vamos, Pri? - olho pra trás e a vejo com um sorriso.
-Vamos. Só vou pegar meu celular - ela sai nos deixando a sós.
-Qual é a tua, Wesley?
-Eu não fiz nada.
-Você vai sair com ela?
-Só vamos jantar, Arthurzinho. Fica tranquilo.
-Cuida direito dela.
-Vou cuidar, papai. Esconde melhor essa tua raiva.
Que vontade de socar ele.
-Não tem raiva - bufo.
-Sei... Relaxa. Só vamos jantar - finjo dar de ombros - Vamos, Pri?
Ela aparece se colocando atrás de mim.
-Pri é só para os mais íntimos. Pra você é Priscila - falo entre os dentes.
-Não espanta o menino, Arthur.
-Já conheço a peça. Sem problemas - sorrir debochado.
Um grande filho da p**a esse aí.
-Vamos, Wesley - ela passa por mim e eu fecho a cara - Tchau, bigodinho - me da um beijo na bochecha. Não aguento e abro um grande sorriso pra ela.
-Se cuida, morena - ela só faz um jóia com a mão e eu fecho a porta.
Me jogo no sofá e fico ali esperando a Priscila chegar do seu jantar com aquele babaca.
Priscila
O Wesley é bem legalzinho. Devo dizer que me faz rir bastante. Até parece com o Arthur, só que mais ajeitadinho.
-Aonde vamos? - desligo o rádio.
-Você está muito bonita pro que eu tinha planejado.
-Eu não sabia onde iríamos. Prometo que na próxima eu me produzo menos.
-Vamos ter uma próxima? - ele me olha de canto e sorrir.
-Quem sabe... - desvio nossos olhares.
-Vou ficar muito feliz se quiser sair comigo outra vez - sorrir de canto e olho pra janela.
Assim que chegamos, descemos do carro e subimos um pequeno barranco.
-Eu te ajudo - ele me da a sua mão e me ajuda a subir até a parte em que ele pôs uma toalha xadrez no gramado.
Ele coloca alguns lanches, bebidas e frutas na mesma.
-Desculpa se não é o que você pensou - ele rir nasal.
-Fica tranquilo. Eu gostei - sorrio gentilmente.
-Você e o Arthur? - enfia uma uva na boca.
-O que tem nós dois? - arqueo uma sobrancelha.
-Estão se dando bem?
-Estamos morando juntos não faz nem uma semana.
-Mas já mudou bastante ele - sorrio e concordo ao lembrar da bagunça quando cheguei - Vocês estão ficando?
-Por que todo mundo pergunta isso?
-Porque parecem um casal - ele rir nasal.
-Muito legal você me convidando pra sair com você e dizendo que pareço um casal com outro.
Ele rir - Desculpa. Mas vocês são engraçados juntos.
-Engraçados como?
-Brigam como se fossem um casal. E o mais engraçado é que ele te obedece que nem um cãozinho. E Arthur não obedece a Lia de forma alguma.
-Lia... - tento puxar esse nome - Ah,sim! - me lembro - Lia foi em nosso apê hoje - mastigo um sanduíche - Fez o maior teatro possível.
-Não sei como Arthur e Sara aguentam aquela ali.
-Quem é Sara?
-Mora com a Lia, dividem o apê. Vai gostar da loirinha - sorrir.
-Se ela for igual a Lia, estou fudida. A mina é um porre.
-Você não viu nada.
-O que ela tem com o Arthur?- pergunto curiosa.
-Transa - é direto.
-Só uma transa? - ele assente com a cabeça - Do jeito que ela surtou, não parece que é só isso.
-Surtar por nada faz parte dela. O Arthur carente da p***a, continua rendendo pra ela.
-Entendo.
-Pensei que iriamos conversar mais. Mas só falamos de Arthur até agora - ele me lança um olhar confuso.
-O que quer falar?
-Me diz sobre você.
-Tenho vinte e um anos, estou prestes a começar biomedicina. Me mudei recentemente pro Rio, adoro animais, mas não, não sou vegana. Sua vez - tomo um gole do suco.
- Olá! Meu nome é Wesley Medeiros, tenho vinte e três anos e tenho um milhão de trabalhos acumulados de biomedicina - afina a voz e eu começo a rir junto com ele.
-Tá legal - cesso o riso - Do que mais gosta?
-Dormir conta? - balanço a cabeça em negação - Eu gosto de correr.
-Maratona?
-Mais ou menos. Não posso abusar - suspira e estranho seu olhar baixo.
-O que você tem? - ele me olha - Se eu não estiver me metendo demais. Desculpa.
-Tudo bem - sorrir fraco - Eu tenho câncer no pulmão.
-Sério? - sinto um aperto no coração.
-Não - começa a rir.
-Seu i****a - bato em seu ombro - Se prepara que eu vou te baixar a porrada - o ameaço que levanta do gramado antes de mim.
-Nunca vai me pegar - fala rindo e correndo enquanto vou atrás dele. O viadinho é rápido demais.
O vejo cessar a corrida e se curva apoiando suas mãos nos joelhos e começa a respirar bem ofegante. Ele está tentando puxar o ar e faz um grande esforço enquanto fecha seus olhos devagar .
-Wesley... - me aproximo dele - Está tudo bem?
-Estou sim - sorrir e me olha de lado - Só um pouco cansado. Fica tranquila - Ele se recompõe ainda meio suado e ofegante com certa dificuldade de respirar.
-Você tem alguma coisa ai pra ajudar?
-No carro. A minha bombinha está lá.
-Então vamos - o ajudo a catar as coisas e descer até o carro.