SIENA
E repletos de dor. Mas eu não me vejo em seu arranjo. Não posso negar que Ivarsen Mackenzie despertou algo em mim. Mas é o bastante para ser perigoso.
— Você deve ter um sonho, Siena. Será que deseja ser uma acompanhante de luxo para sempre? — persuade. — Você seria uma ótima modelo. Tem beleza, porte. Diria que foi feita para isso. Eu posso ajudar você.
Solto uma respiração rápida. Levanto-me do meu assento, encontrando o seu olhar suplicante. Esfrego as palmas das minhas mãos suadas no meu vestido e, em seguida, alcanço minha bolsa.
— Eu não posso aceitar, senhora — digo minha resposta final.
Ela balança suavemente a cabeça.
— Não se pode julgar uma mãe por tentar. — Encolhe os ombros. — Se mudar de ideia… — ela insiste com um suspiro. — Sabe onde me encontrar.
Aceno com a cabeça vigorosamente. Embora não ache que voltarei atrás.
— Adeus, Josephine — digo, dando o primeiro passo para longe.
— Adeus, Siena. — Sua voz é um mero sussurro.
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CAPÍTULO 6
SIENA
— Siena… Isso é no mínimo bizarro. — Aria arregala os olhos. — Quer dizer, eu meio que entendi todas as razões da senhora Mackenzie, mas Ivarsen é um homem adulto, não acho que você o seduzir iria ajudá-lo em alguma coisa. — Aria sorri de repente. — Se bem que eu, no seu lugar, faria de bom grado, e totalmente de graça, só pelo prazer… entende?
Suspiro, atirando uma almofada em sua direção.
Após a conversa com Josephine, contei tudo para Aria, que, assim como eu, ficou chocada.
Confesso que há um lado meu que quer aceitar a proposta. Ivarsen é um homem bonito, atraente. Não seria sacrifício algum ficar em torno dele.
— Há muitas coisas em jogo, Aria. Eu só não entendo por que ela acha que eu sou a pessoa indicada para isso.
Aria me encara.
— Talvez por ela ter visto ele tão próximo de você no lançamento. Pelo que tenho acompanhado nos sites de fofocas, Ivarsen não costuma ser sociável mais do que o necessário com alguém e muito menos tão atencioso com uma mulher. — Fico em silêncio, assimilando suas palavras. — Tenho certeza de que a mãe dele também percebeu isso.
Franzo a testa sem estar convencida disso.
— Ele tem uma filha.
Suspiro.
— Pobre criança — Aria lamenta.
— Sim — respondo-a —, mas Ivarsen só está machucado e, pelo que Josephine disse, ele ainda não superou totalmente a ausência da esposa e a garota o faz se lembrar dela.
— É um arranjo um tanto doloroso — diz, apoiando a cabeça no meu ombro. — Sete anos se passaram e ele ainda vive o luto. Chega a ser inacreditável um homem como ele, com todas as qualidades que uma mulher sonha, estar sozinho — continua.
Concordo, relembrando do seu rosto perfeito e dos seus olhos incríveis. Agora sei o que eles escondem. Muito dor e tristeza.
— Espera, será que ela sabe que você e o filho caçula dela já tiveram um lance?
Eu olho para o seu rosto.
— Não. Quer dizer, não sei — digo honestamente. — Isso não é uma informação importante. Além disso, não temos nada sério um com o outro. Anton foi apenas algo casual.
Ela acena em concordância.
— Siena, eu sei que parece absurda essa ideia, mas e se você aceitar? — Aria se afasta. — Você mesma disse que a senhora Mackenzie estava disposta a pagar qualquer quantia que você pedisse.
— Absolutamente não — digo a ela com firmeza.
— Só pense a respeito. Eu sei que você está cansada de ser acompanhante de luxo. Não aguenta mais essas festas sociais e ter que sorrir sempre que for solicitada. É uma oportunidade de recomeçar do zero, Si.
Fecho os meus olhos.
— Inacreditável! — Solto uma fraca risada.
— Por que mudou de opinião tão rápido? — questiono.
— Eu só estou vendo a situação por outro ângulo.
Arqueio uma sobrancelha.
— Posso saber qual é esse ângulo?
Aria se levanta em um pulo, seu sorriso de menina travessa adornando seus lábios rosados.
— Isso você terá que descobrir sozinha, mon amour. — Pisca, indo em direção ao seu quarto.
Silenciosamente as palavras de Aria se infiltraram em minha mente. Por outro lado, a irresistível oferta de tê-lo perto, mas logo o peso da realidade me esmaga, provando o seu ponto. É um arranjo perigoso com altas probabilidades de dar errado. E se der certo? Meu inconsciente inquire.
Não. Balanço a cabeça.
Ivarsen é reservado, sagaz, não se deixaria levar tão facilmente ainda mais por ter permanecido por tanto tempo em luto. Josephine está subestimando o seu filho. Se Ivarsen está sozinho, é por sua escolha. Um homem como ele bastaria estalar os dedos e teria qualquer mulher aos seus pés.
Deixo escapar um suspiro lutando contra os meus próprios pensamentos. Por fim, respiro fundo e resolvo tomar um banho e descansar um pouco. As palavras de Josephine martelando em minha mente, não deixando espaço para mais nada.
Para piorar as coisas, não consegui dormir direito e, na manhã seguinte, decidi ligar para Josephine e marcamos de nos encontrar em sua casa. Eu iria aceitar a sua oferta. Não sabia o que responder caso ela perguntasse por que havia mudado de ideia, mas o fato é que Ivarsen mexeu demais comigo e sou uma mulher tendenciosa, mesmo minha mente alertando que é perigoso, meu coração não escuta. Sempre pagará para ver.
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Assim que pus os pés na mansão MacKenzie, fui envolvida pela riqueza e requinte do lugar. Olho maravilhada uma grande fonte clássica à frente da casa. É uma estátua de anjo que expele água pela boca e cai diretamente em uma piscina ornamentada. De canto de olho, percebi que Josephine já me aguardava em seu imenso jardim e m*l disfarçava o sorriso satisfatório que exibia nos lábios pintados de vermelho.
O mordomo de cabelos grisalho e terno preto que me recebeu mais cedo fez um gesto sutil, pedindo-me para segui-lo. Ando em seu encalço, observando cada detalhe à minha volta.
— Siena… — Josephine fala assim que me aproximo dela.
Seus olhos azuis brilham, e não imaginei que a encontraria nesse estado completo de êxtase por ter aceitado sua proposta. Ela me puxa para um abraço e se afasta, depositando um beijo rápido na minha bochecha.
— Eu sei que não deveria perguntar isso, mas você parecia tão segura e irredutível. O que a fez mudar?
Olho para ela refletindo, sua pergunta. Eu poderia dar-lhe qualquer resposta, dinheiro, por exemplo. Mas a verdade é que eu não sei. Eu… só me senti atraída para dentro da sua história, sua dor e principalmente… Ivarsen. Eu quero conhecê-lo melhor. Mas não direi isso a ela. Para Josephine se trata apenas de um negócio e agirei como tal.
— Pensei melhor — minto. — Podemos conversar? — pergunto, e ela assente.
— Sim, siga-me até o meu escritório. É lá que passaremos muito tempo. — Sorri ternamente. — Eu e você.
A sigo, adentrando a mansão. Se achei o jardim perfeito, essa palavra já não se encaixava na descrição. A sala é ampla e luxuosa, com uma decoração digna de um palácio da realeza.
Enquanto divago em cada detalhe da sua sala, uma movimentação vinda do jardim chama a nossa atenção. Um furacão de cabelo loiro e vestido rosa corre em nossa direção. Ofegante, ela para a centímetros da avó e seus olhinhos curiosos estão em mim em uma minuciosa avaliação.
— Diga oi para a Siena, Paige. Ela irá trabalhar com a vovó. Vocês se verão frequentemente — Josephine fala, acariciando suas bochechas rosadas.
Paige dá dois passos tímidos e estende a mão para mim.