SIENA
— Seja bem-vinda, senhorita Siena — cumprimenta com seu tom de voz meigo, me fazendo soltar um largo sorriso. — Eu me chamo Paige. É um prazer conhecê-la.
Pego em sua pequena mão, retribuindo o seu toque.
— Obrigada, Paige. O prazer é todo meu — digo, observando-a sorrir.
Ela tem os olhos do pai e um pouco do sorriso também. Não que eu tenha visto Ivarsen o suficiente para afirmar, mas seu rosto está gravado em minha mente e reconheci de imediato seus traços. A pequena retira sua mão da minha e se afasta não tirando os olhos de mim.
— Onde está Adelaide? — Josephine pergunta para a neta que aponta para o jardim.
— Ela está alimentando os pássaros como pedi — responde sorrindo, exibindo duas covinhas adoráveis.
Josephine assente, batendo levemente o indicador em seu nariz arrebitado.
— Vá ajudá-la, querida. Eu tenho alguns assuntos para tratar com a Siena. Irei vê-las assim que terminar, ok? — Paige assente, recebendo um beijo estalado em sua bochecha da avó. Ela acena para mim e volta correndo para o jardim. — Ela é um doce. Por esse motivo quero que Ivarsen se aproxime mais da filha.
Olhando para mim novamente, acena para continuarmos a caminhar por um extenso corredor. Logo, uma porta dupla de vidros são avistadas e se abrem assim que nos aproximamos. Josephine anda até uma imponente mesa de madeira escura e se acomoda em uma cadeira da mesma cor, com detalhes sutis em dourado atrás dela. Elegantemente, ela cruza as pernas e pede para sentar-me à sua frente. Acomodo-me sobre a cadeira enquanto ela me encara.
— Diga-me, Siena, você está aqui porque aceitou a minha proposta. Agora quero que fale abertamente o que você quer para seguir adiante. — Engulo em seco, sentindo meu coração acelerar no peito. Ela balança a cabeça em expectativa. — Qualquer coisa… diga e eu farei.
— Dinheiro — solto a primeira coisa com coerência que vem à mente.
Sem exibir nenhuma reação, ela abre uma gaveta em sua mesa e recolhe um talão de cheques, rabisca algo em uma folha e o destaca estendendo para mim. Hesito antes de pegá-lo e, quando o faço, me surpreendo por ainda encontrá-lo em branco, exceto pela sua assinatura.
— Preencha com o valor que desejar. Dê o seu preço.
— Certo — digo lentamente, tentando cobrir o meu embaraço.
— Siena… — chama. — Tem mais uma coisa que desejo saber. — Sei que teve algo com o meu filho caçula, Anton. Devo me preocupar com isso?
— Absolutamente não, senhora — respondo cautelosamente.
Ela solta um suspiro suave.
— Ótimo! Então vamos aos últimos acertos. Preste atenção, querida. Ivarsen é um homem esperto que se atém a detalhes. Para todos os efeitos, você trabalhará como minha assistente pessoal. Irá atender chamadas telefônicas, organizar minha agenda, registrar anotações e mensagens recebidas e marcar reuniões quando solicitada. Terá ocasiões que me acompanhará até a empresa, mas, no geral trabalhamos, daqui do meu escritório. — Assinto em concordância. — Paige se sente sozinha, mesmo tendo Adelaide, e eu prefiro estar sempre por perto caso ela precise de mim.
Sorrio para ela. Mas algo me vem à mente. Josephine sabe que me envolvi brevemente com Anton e, se ele me encontrar aqui… poderá colocar tudo a perder.
— Senhora… — chamo sua atenção.
Josephine olha para mim com o cenho franzido, obviamente percebeu a minha inquietação.
— Anton, sabe do nosso arranjo?
Ela n**a e não parece afetada com minha pergunta.
— Não se preocupe com isso. Anton não será um problema, já que não mora conosco. Deixe que, com ele, eu me resolvo. — Concordo. Josephine estende sua mão com um largo sorriso. — Temos um acordo, então? — Pego a sua mãe e aperto-a suavemente.
— Sim, temos — respondo-a, selando o nosso acordo.
Nas próximas horas, Josephine dedicou-se a apresentar-me todos os funcionários da mansão, inclusive fizemos um grande tour pela casa. Paige se juntou a nós e quis que eu conhecesse seu quarto, coparedes rosas com pinturas de princesas por toda parte e uma pequena cama com um dossel no centro. Colchas e lençóis bordados com as iniciais do seu nome em tons claros e um closet. Havia também outra porta que dava acesso a uma espaçosa brinquedoteca.
Paige, animadamente, me mostrou todos os seus brinquedos preferidos e seus livros com historinhas de princesas. Ela é uma criança meiga, não tem como não se encantar por ela.
Quando finalmente chega o momento de me despedir, Josephine me puxa para um abraço, agradecendo-me mais uma vez, lembrando-me de chegar amanhã uma hora mais cedo, antes que Ivarsen vá para a empresa. Ela quer nos apresentar formalmente. Confesso que só de imaginar esse momento um arrepio percorre a minha coluna.
Sou levada de volta para o meu apartamento pelo seu motorista particular. Ao abrir a porta, sou praticamente arrebatada por Aria, que não se aguenta de curiosidade.