SIENA
— Se eu a conheço bem, está se corroendo por dentro para aceitar o convite do gostosão do MacKenzie — Aria murmura, cutucando-me com um sorriso travesso.
Reviro os olhos para ela e fito o teto. Embora não diga em voz alta, sim, estou travando uma batalha interna, lembrando-me do jeito que ele me olhou enquanto fazia o convite. Ivarsen parecia tão resignado, sedutor. Suas palavras despertaram um sentimento agridoce no meu âmago.
— Não está curiosa? — pergunta cautelosamente — Digo, ele surtou na outra noite, ok! Mas, se ele a convidou para um jantar, isso quer dizer algo, não?
Minhas sobrancelhas sobem com sua pergunta. Ivarsen pareceu seguro de si e confesso que mais ousado até. Isso deve significar algo? Olho para Aria e balanço a cabeça. Não. Pode não ser nada, e ele só está tentando se desculpar como o bom cavalheiro que é.
Exatamente quando Aria abre a boca para falar algo, a campainha toca e ela se levanta para atender. Escuto-a soltar um gritinho agudo, se desculpar com quem quer que seja e, em seguida, agradecer. A porta da sala se fecha com um baque suave e, então, sua longa cabeleira loira surge no meu campo de visão com um notável e deslumbrante buquê de rosas-vermelhas. As mais lindas e perfumadas que os meus olhos já viram.
Ela alcança um pequeno cartão entre os dedos e seus olhos se arregalam em choque. Os cantos dos seus lábios sobem exibindo um sorriso de canto.
— “Para a mulher mais sexy e deslumbrante de toda Nova Iorque”. — Seus olhos estão nos meus e ela continua a sussurrar como se estivesse dublando um filme erótico, entoando seu tom de voz sensual. — “Dona de um olhar intenso, sorriso sedutor e curvas perigosas. Dei-me alguns minutos da sua noite, senhorita Leblanc, e eu farei valer cada segundo. Ps: estarei a sua espera no horário marcado. Ivarsen MacKenzie”. — Quase tropeços nos meus próprios pés quando salto para arrebatar o cartão das mãos da minha amiga, que sorria de orelha a orelha. — Bem, está aqui a sua resposta. Avise-me se mudar de ideia. Estarei no meu quarto e eu posso deixá-la pronta em alguns minutos.
Abro e fecho a boca, correndo os olhos pelo cartão, completamente atordoada. Ele escreveu de próprio punho, divago baixinho. Já conhecia sua caligrafia por vê-las em contratos no escritório da senhora Josephine.
Aria passa por mim e estende o buquê de rosas em minha direção. Pego-o em meus braços, inclinando-me para inalar o cheiro delas.
Minutos se passam e estou confinada em meu quarto olhando fixamente para o cartão quando minha colega de apartamento bate à minha porta e entra.
— Ainda não se decidiu? — n**o com um rápido suspiro. Ela se senta na cama e acaricia meus ombros. — Certo. Tudo bem, só não entre em pânico. — Sua voz soa divertida. — Eu acabei de ver o senhor gostosão lá embaixo e está lindo. Se bem que isso ele já é sem nenhum esforço.
Ofego, levantando-me e começando a surtar, andando de um lado a outro no quarto.
— Droga! Por que ele simplesmente não podia deixar tudo como está? — Mordo o lado interno da bochecha. — Eu estava indo muito bem em ignorá-lo. Obrigada! — Sorrio amargamente.
Cesso os meus passos quando ouço o som de notificação do meu celular. Alcanço-o na mesinha de cabeceira e vejo sua mensagem, avisando que já está esperando por mim lá.
— Si, você tem duas opções: não vá ao encontro e responda logo de uma vez, ou aceite o convite e veja no que vai dar. — Sento-me na cama e levo as mãos para a minha face, esfregando-a impacientemente. — Ouço o seu coração, amiga. No fundo, você sabe a resposta e posso apostar que é terminar a noite com aquele homem maravilhoso.
Começo a me mover, indo ao banheiro, mandando o bom senso ir para o inferno. Posso estar cavando a minha própria cova, mas me arrependeria mais tarde por deixar essa oportunidade passar.
Após um banho rápido, Aria me arrumar em tempo recorde e pronta, ando ao seu encontro, vislumbrando o seu sorriso amplo e olhar luxurioso varrendo cada centímetro do meu corpo.
Saio dos meus devaneios quando sinto a Ferrari desacelerar e seus olhos se voltarem para os meus, assim que ele para o carro em frente a um restaurante francês muito requintado de Nova Iorque. “Oui, Monsieur.”
Ivarsen segura minha mão, acariciando suavemente o lado interno do meu pulso.
— Espero que goste. Alícia falou maravilhas desse restaurante — murmura com um sorriso, inclinando-se para mais perto. Seu perfume delicioso envolvendo-me como uma sedutora neblina em noite de lua cheia. Ele desliza o indicador no meu queixo e o ergue para cima. — Eu não sei onde essa noite irá nos levar, Siena, mas estou disposto a descobrir — sussurra, roçando o polegar contra o meu lábio inferior, esfregando-o levemente.
Meu corpo esquenta com a promessa que seus olhos estão enviando-me e suspiro, decidida a não me agarrar a ela, mas ele não está facilitando. Pelo contrário, está tornando tudo ainda mais intenso.
Ivarsen toca a ponta do meu nariz como sempre faz com Paige. Um gesto de carinho, mas não deixa de ser sexy quando ele me olha tão intensamente. Inspiro forte e audivelmente quando seus lábios esmagam os meus antes mesmo que eu possa falar qualquer coisa.
O beijo é suave, exploratório, mas rapidamente ganha velocidade e profundidade. Sinto suas mãos quentes agarrarem a minha cintura de modo possessivo enquanto levo minhas mãos para as lapelas do seu terno em um reflexo irresistível. Nossas línguas se tocando, saboreando-a, flertando e consumindo-as totalmente famintas. Um gemido baixo escapa do fundo da sua garganta e ele se afasta, respirando com dificuldade, mas mantendo seus lábios nos meus. Suspiro fracamente, sentindo a aspereza da sua barba acariciar a minha pele.
Ivarsen mordisca meu lábio inferior uma e outra vez, me fazendo ofegar com uma mistura de dor e prazer, em seguida, passa a língua em movimentos leves e preguiçosos.
Fecho os olhos, sentindo minhas coxas apertarem uma contra a outra e as lembranças daquela noite viajam em minha mente. Lembro-me bem de todas as suas habilidades e do que essa língua é capaz de fazer. Novamente ele se afasta após deixar-me como uma pilha de nervos, completamente necessitada.
— Devemos ir, então? — solto sem fôlego, tentando preservar o resquício de sanidade que me resta.