SIENA
— Sim. — Ele lambe os lábios e resmunga algo enquanto se desfaz do cinto de segurança e abre a porta do carro.
Tento esconder as reações que ele despertou em mim e, principalmente, no meu corpo. Meu sangue trovejando em um ritmo eloquente em minhas veias.
Tomo um segundo para aliviar os meus pensamentos e os flashes de calor que me atravessam nesse momento. Ivarsen paira ao meu lado e uma mão alcança a maçaneta da porta, levando alguns minutos para abri-la.
A expressão que cruza seu rosto não é indiferente à minha e estou no limite, reprimindo a vontade de tocá-lo e pedir que me leve para qualquer outro lugar e termine o que começou na outra noite.
Pego sua mão quando ele a estende para mim, ajudando-me a sair da sua Ferrari. Um valet aparece e Ivarsen lhe entrega a chave e se vira como de costume, espalmando as mãos em minhas costas.
Ele me conduz para dentro do ambiente amplo e luxuoso e, mesmo com todos os olhares cobiçosos em nossa direção, não aplaca a fome desenfreada que está permeando todo o meu corpo a cada toque e palavras sussurradas.
Levanto os olhos para ele, que, alheio, não percebeu que tem toda atenção feminina direcionada só para ele. Também pudera. Ivarsen é uma bela espécime de homem. É cruelmente bonito, tem um olhar intenso, e um sorriso que envolve e cativa na medida certa. Ele é um perfeito cavalheiro, embora, pelas pequenas doses que provei, em quatro paredes, seja um dominador nato.
Salto dos meus pensamentos quando um maître vem em nossa direção. Ivarsen o cumprimenta e, após algumas palavras trocadas, o maître nos leva até uma mesa no piso superior, discreta e com uma vista incrível de grandes arranha-céus de Nova Iorque.
Assim que Ivarsen puxa a cadeira para mim e me acomodo, ele faz o mesmo. De frente um para o outro. Olhares trancados, em silêncio, expressando tudo que as palavras não dizem. Luxúria. Necessidade. Urgência.
Um garçom deixa os cardápios, e não consigo decidir o que pedir. Minha cabeça está uma bagunça e meus nervos estão à flor da pele. Ergo meus olhos e o pego me observando em silêncio.
Coloco o cardápio para baixo e suspiro, decidida a acompanhá-lo em qualquer que seja o seu pedido. Ivarsen não diz nada quando digo que o acompanharei, ele parece atordoado, e isso me deixa em êxtase.
Pedimos nossa comida, Canard à l’orange. Ela chega e, em silêncio, comemos. Estou cada vez mais sensível com tudo à nossa volta. O tilintar das taças, talheres raspando. Vozes sobressaindo aqui e ali. Minha respiração acelerada, resvalando em curtas lufadas de ar, o som erótico de Ivarsen quando leva sua taça aos lábios e beberica grandes goles do vinho. Meus olhos percorrem seus lábios e queixo, deslizando para a sua garganta, trabalhando rápido.
Seus olhos estão nos meus o tempo todo e sei que, pelo seu olhar, minhas bochechas estão vermelhas, superaquecidas com todas as imagens que seus olhos evocam na minha mente. Lençóis emaranhados. Corpos nus, sexo intenso e selvagem. Largo os talheres e alcanço a minha taça de vinho tomando um longo gole.
— Você está bem?
— Sim. Bem — sussurro com um pequeno sorriso.
Ele acena e volta a saborear a sua comida. Em determinados momentos, o sinto tenso, ansioso, seus olhos sempre procurando os meus em busca de algo que não sei decifrar.
— Você está vendo alguém, Siena? — pergunta, deixando-me surpresa. Quando não respondo, ele insiste. — Conhecendo ou namorando, talvez?
Mordo o lado interno da bochecha.
— Não — digo, olhando-o através da borda da minha taça.
— Por que quer saber?
Ivarsen sorri. Seus olhos nunca deixando os meus.
— Acho que você sabe a resposta.
Nego mais uma vez, de repente sentindo o ar faltar nos meus pulmões. Lambo os lábios vagarosamente e esse simples gesto pareceu incomodá-lo. Ainda não estou pronta para o que vem a seguir e resolvo pressioná-lo mais um pouco.
— Eu sei? — Sorrio, piscando docemente.
— Ariela Gardner— solto, observando seus ombros relaxarem e sua expressão inalterável. — Ela parece resignada a conquistá-lo.
— Ariela é uma velha amiga e pertence ao passado. — Levanto o queixo, adorando ouvi-lo falar dessa forma. — Estou tentando viver o futuro, Siena. Um passo de cada vez. — Seu sorriso aumenta, me fazendo perder o fôlego.
— Isso é bom. — Bebo meu vinho, o álcool nublando ainda mais os meus sentidos.
O resto da noite segue em um completo jogo de sedução. Palavras sussurradas, flertes e uma tensão palpável. Ivarsen, de repente, se inclina e chama o garçom. Pede a conta e retorna seus olhos em mim, olhando-me de forma intensa. Pisco, vislumbrando a devassidão preencherem suas íris azuis.
Saímos do restaurante em silêncio e m*l nos tocamos quando ele me ajudou a entrar no carro. Sinto que algo mudou essa noite, mas o seu silêncio está deixando-me confusa.
Percebo que estamos fazendo um caminho diferente e apenas o olho de soslaio. Ele não está me levando para casa e muito menos para a mansão.
Alguns minutos de trajeto, sua Ferrari estaciona em uma garagem subterrânea de um elegante prédio. Mordo o lábio inferior quando a porta do meu lado é aberta por ele. Seu sorriso é intenso, provocando um frenesi em mim. Assisto a seus olhos vidrados de luxúria enquanto me segura em seus braços. Ele agarra a minha mão e praticamente me arrasta atrás dele. Pegamos um elevador e todo o seu silêncio deixa-me enervada.
Antes que eu possa interrogá-lo, as portas se abrem. Saltamos fora, seus dedos entrelaçados nos meus enquanto seguimos um enorme corredor parando em frente a uma porta. Ivarsen alcança um molho de chaves no bolso do seu terno e abre a porta, puxando-me para dentro.
Ofego, entendendo o motivo de estarmos aqui, aparentemente, em um apartamento vazio, exceto por algumas poucas mobílias.
Olho em volta enquanto ele caminha até um minibar no canto da sala e se serve de uma dose generosa de uísque.
— Quer uma bebida? — Lambe o lábio inferior. Malícia brilhando em seus olhos azuis.
Nego.
Não preciso de álcool. Preciso de você dentro de mim. Agora! Minha mente pisca. Assisto a ele entornar sua bebida de uma só vez e caminhar até mim, fechando completamente a nossa distância.
— Você deve estar se perguntando por que eu te trouxe aqui, não é mesmo, querida?
Concordo com um leve aceno. Ele agarra minha nuca e beija o canto da minha boca, em seguida, cola a nossa testa com uma aguda ingestão de ar.
— Eu não sei — confessa com um suspiro. — Mas sinto que, se eu a tiver em meus braços essa noite, acalmarei essa necessidade que me consome. Você está me consumindo, Siena.