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1273 Palavras
SIENA — É impressão minha ou estão todos olhando para mim? — sussurro para Aria, que balança a cabeça confirmando. — Estão e algo me diz que é devido ao fato de o próprio Ivarsen Mackenzie ter colocado essa beleza em seu pescoço. Nada de mais — desdenha com uma mão no ar. Tento ignorar os olhares cobiçosos, desdenhosos e até mesmo curiosos em minha direção. Confesso que estou em choque. Conhecer Ivarsen Mackenzie pessoalmente não estava nos meus planos. Anton nunca falou nada a respeito do seu irmão e o pouco que eu pude ouvir sobre ele é que o primogênito da família é reservado e não costuma ser sociável. Algo diferente da versão que eu conheci essa noite. Claro, ele o tempo todo foi educado e atencioso algumas vezes. O que, de certa forma, faz aguçar a minha curiosidade. Ivarsen é um homem bonito, atraente, tem uma presença esmagadora e aquele par de olhos azuis parece ser um caminho sem volta. Mordo o lábio inferior, me lembrando do exato momento em que senti o leve raspar dos seus longos dedos em minha pele ao colocar a joia no meu pescoço. Uma sensação estranhamente boa percorreu o meu corpo, foi como se uma chuva de seda morna deslizasse sobre minha pele. Até mesmo o seu perfume encorpado e envolvente nublou os meus sentidos, deixando-me atordoada e sem reação. Ainda estou sob o efeito do seu magnetismo, não sei bem como explicar. Aria continua divagar quando, de repente, alguém anuncia em um palco a presença do herdeiro Ivarsen Mackenzie. O vejo subir ao palco totalmente sóbrio e alheio a todos à sua volta. Ele pega o microfone e começa a falar. Sua voz é puro veludo e aprazível de se ouvir. É impressionante o poder que esse homem emana sem ao menos perceber, em um determinado momento, nossos olhos se encontram e é como se eu estivesse sendo tocada, acariciada por ele. — Está linda. Devo confessar que esse colar foi feito para você, Leblanc. — A voz suave de Anton invade os meus pensamentos. Desvio o meu olhar do palco, alcançando um par de olhos negros como a noite, brilhando malícia. — Obrigada, senhor Mackenzie. — Forço um sorriso, e Anton se inclina para mim, seu hálito quente de uísque soprando a centímetros da minha face. — Sabe, te ver assim, tão sexy, me deu muitas ideias. Acho que esse colar realçou o seu s*x appeal. Reprimo-me mentalmente de revirar os olhos, até a voz grave de Ivarsen invadir os meus pensamentos novamente. Dessa vez, seus olhos perseguem os meus e os mantêm cativos. Prestando atenção nos seus lábios opulentos, me perco ainda mais em suas palavras. — De saltos, usando somente o colar com as mãos espalmadas à frente de um espelho. — A voz de Anton ecoa atrás de mim como se narrasse uma cena erótica. Mas não é sua face que vejo através do reflexo do espelho. São olhos azuis acinzentados que me olham expectante, assistindo aos nossos corpos se fundirem em um só. — Siena, o que me diz? Balanço a cabeça com Anton estalando os dedos no meu campo de visão, como se rompesse o transe em que me encontrava. Droga! Acho que todo o champanhe está subindo para a minha mente, me fazendo delirar. Viro-me para ele com uma sobrancelha erguida. — Então, foi por isso que me mandou os convites? — Anton não confirma, apenas sorri com um sutil encolher de ombros. — Para realizar alguma fantasia? — sussurro, andando lentamente em sua direção. De canto de olho, percebo uma morena olhando para nós com uma carranca no rosto. Aponto discretamente com o queixo para Anton, que acompanha o movimento. Seus lábios se esticam em um sorriso malicioso e o bastardo levanta a taça de champanhe em sinal de brinde com uma piscadela, que não é bem recebida por ela. — Isso é novidade — zombo. — Uma mulher que é imune ao seu charme de Don Juan? —Ele morde o lábio, olhando-me com adoração. — Besteira, ela é a pirralha da minha prima, um verdadeiro pé no saco. Não vamos falar dela, meu anjo. Diga sim para a minha oferta. Eu, você, saltos, espelho e esse lindo colar no seu pescoço. O que me diz? — Sorrio, acariciando as lapelas do seu terno, limpando poeiras imaginárias dele. — Não perca seu tempo comigo, querido — digo, vendo seu sorriso brilhante desaparecer lentamente. Foi bom enquanto durou — sussurro só para que ele ouça e saio sem esperar por mais. Vou em busca de Aria, que conversava animadamente com um homem de terno cinza e gravata azul-bebê. Observo como ele olha para ela tão interessadamente, não escondendo o fascínio que sente por ela. Cesso os meus passos, dando tempo para ela aproveitar a companhia. Além de muito bonito, o homem parece ser muito atencioso. — Espero que esteja gostando da festa, Siena. — A voz suave de Josephine Mackenzie ressoa atrás de mim. Congelo com uma certa inquietação martelando o meu peito. Seus olhos azuis como o céu escaneiam o meu rosto e seu sorriso confiante é associado com algo ainda mais profundo. — Sim, estou realmente adorando. Os rumores que os Mackenzie sabem dar uma festa, pelo que observei, são verídicos. — Seu sorriso se alarga ainda mais, revelando uma perfeita fileira de dentes brancos. Josephine Mackenzie é uma mulher elegante, refinada, de gestos discretos e delicados. Apesar de vê-la em algumas festas beneficentes, a conheci pessoalmente essa noite. Confesso que gostei dela, mesmo sendo uma mulher da alta sociedade, é doce, gentil. Não é esnobe como algumas mulheres do seu nível. — Ficou muito bem em você. — Aponta para o colar no meu pescoço. — Obrigada — agradeço-lhe, com um meio-sorriso. — Vi que foi o meu filho Ivarsen que o colocou em você. — Concordo. Josephine se aproxima, seus olhos brilhando como um céu estrelado. Ela leva o seu dedo indicador para a esmeralda no centro do colar e o contorna suavemente sem tirar os olhos dos meus. — Isso é um ótimo sinal — divaga, parecendo pensar em algo. Então se afasta, como se não tivesse acabado de invadir o meu espaço pessoal. Uma salva de palmas explode enquanto Ivarsen deixa o palco. Estava tão envolvida com a presença da sua mãe que não percebi que ele tinha acabado o seu discurso. Josephine olha para o filho e acena, então olha para mim. — Eu tenho que falar com o meu filho. Espero que tenha se divertindo essa noite, querida — fala com um sorriso suave. — Algo me diz que nos veremos em breve — diz, saindo logo em seguida. Franzo o cenho com suas palavras, Josephine parecia confiante que isso aconteceria. Ou estou mesmo imaginando coisas? De longe, assisto à mãe e ao filho conversarem. Ivarsen sempre discreto com suas palavras, gestos e sorrisos. Seus olhos, embora sejam lindos de se ver, escondem certa tristeza. Eu a vejo, sinto dentro de mim. Talvez possuamos muito em comum. Dizem por aí que uma alma quebrada sabe reconhecer outra. Nesse exato momento, Ivarsen inclina a cabeça em minha direção. Luto com a névoa que se instalou em minha mente, meus olhos atraídos pela perfeição que é seu rosto bem desenhado, traços aristocráticos, uma boca pecaminosa. Ele exala sensualidade, mesmo não fazendo nada. — Siena, se quiser, podemos ir — Aria fala, parando ao meu lado com um sorriso malicioso. Ela olha para Ivarsen e depois para mim. — Ou, se quiser, podemos ficar um pouco mais. —n**o, desviando o meu olhar para ela. — Você não estava acompanhada?
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