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1230 Palavras
IVARSEN Quando minha mãe anunciou que havia contratado uma assistente, jamais passou pela minha cabeça que seria a mesma mulher do lançamento. Siena é ainda mais linda sob a luz do dia e seus impressionantes olhos verdes são como ímãs e é difícil não ser atraído por eles. Percebi que, no café da manhã, ela não pareceu confortável com a minha presença. Respondia a algumas perguntas minhas e da minha mãe sempre em modo profissional, mas, com a chegada de Paige a mesa, aos poucos, a vi relaxar. Paige, pelo visto, gostou dela, pois parecia muito à vontade com a senhorita Leblanc. Assisto à interação das duas fascinado como ela, que chegou há pouco tempo e fez minha filha sorrir com tamanha facilidade. Sentindo o meu olhar sobre ela, Siena ergueu os olhos e engoli em seco, sentindo algo apertar aqui dentro do peito. Não sei o que está acontecendo e me sinto atordoado, mas essa mulher consegue despertar sentimentos estranhos dentro de mim. — Siena, quando eu chegar da escola, quero te mostrar algo — Paige diz, e vejo como seus olhos estão brilhando de felicidade. Será que o motivo da sua felicidade é a chegada da senhorita Leblanc? — Você quer ver? — insiste. Siena abre um sorriso tímido e concorda. Paige comemora, se inclina e abraça apertado, em seguida, corre em minha direção. — Até mais tarde, papai — murmura timidamente. Sorrio, tocando a ponta do seu nariz e beijando sua testa. — Até, querida. Ela se afasta e praticamente pula nos braços da avó. — Até mais tarde, vovó! Minha mãe coloca uma mecha do seu cabelo loiro atrás da orelha e a beija na bochecha. — Até, meu raio de sol. A vovó te ama. Paige sopra um beijo para ela e corre com Adele em seu encalço em direção de Ulisses, que já aguarda por elas com a porta traseira do Bentley aberta. Olho para Siena, que ainda está sorrindo com os olhos presos em Paige. Franzo o cenho, de repente tendo a estranha sensação de que ela sempre esteve ali conosco. Desvio o meu olhar e tomo um rápido gole do suco de laranja, levanto-me e despeço-me de mamãe e Siena. Hoje terei uma reunião com alguns fornecedores e Alícia, que já deve estar à minha espera. Dirijo rumo à empresa e, no caminho, meus pensamentos foram tomados por um par de olhos verdes hipnotizantes. Chego a pensar que ter ela tão próxima poderá ser um problema. Está claro que Siena mexeu comigo e o quanto sinto-me atordoado ao lado dela me assusta. Desde Grace, não sinto algo assim, e é ainda mais intenso, e chega a ser inquietante. Solto um longo suspiro. Não posso ir por esse caminho. Tenho que pensar na minha filha. Paige é minha prioridade no momento, não tenho tempo para correr atrás de assistentes, mesmo que ela seja irresistível. Estaciono o meu carro na garagem do subsolo e pego o elevador privativo. — Bom dia, senhor Mackenzie — minha assistente Violet cumprimenta com um sorriso gentil assim que eu saio do elevador, alcançando a recepção principal. Ando até a sua mesa, parando a poucos centímetros dela. Seus olhos castanhos brilhando de entusiasmo. — Bom dia, senhorita Rossi — respondo suavemente — Alícia já chegou? — pergunto animadamente. Violet franze o cenho e olha-me fixamente. Arqueio uma sobrancelha para ela. O que há de errado com a minha assistente hoje? Violet balança a cabeça como se estivesse saindo de um transe. — Sim — responde timidamente, levando uma mecha do seu cabelo castanho atrás da orelha — Inclusive, a senhorita Alicia já o aguarda em sua sala. — Certo. — Olho para o relógio em meu pulso. — Prepare a sala de reuniões. Só vou falar com Alícia e já nos encontramos lá. Ela concorda e sigo para a minha sala. Abro a porta e encontro Alicia relaxada na cadeira da presidência. Sorrio, observando seu longo salto agulha vermelho descansando sobre minha mesa. Limpo a garganta. Alicia pisca lentamente. — Atrasado? Que feio, primo — brinca, levantando-se e caminhando em minha direção. Ela cessa seus passos a centímetros de mim e semicerra o olhar. — Olhos brilhantes, sorrindo feito bobo… — Toca o meu queixo, analisando-me como se eu fosse um experimento. — Ivarsen, se eu não te conhecesse bem, diria que tem uma mulher na jogada. — Morde o lábio inferior, reprimindo uma risada. — Não fale besteira — desconverso. Alicia não desiste e continua pressionando-me. — Não tem ninguém, já disse. — Ela cruza os braços e se senta na beirada da minha mesa. — Temos uma reunião — lembro. Ela faz um gesto com as mãos. — Estou ciente — retruca. — Então, e a nova assistente da tia Josephine? — Sonda-me e engulo em seco desviando o meu olhar para a tela do meu laptop. — O que tem ela? — Finjo desinteresse. Alicia se curva e fecha o meu laptop. Respiro fundo e olho feio para ela. — É a Siena, a morena do lançamento — solto, e ela franze o cenho. — A mulher que usou o colar de esmeralda? — Assinto. — Uau! — Ela salta da mesa e anda de um lado para o outro. — Isso explica o seu bom humor. Cruzo os braços, escutando os seus delírios. — Alícia, não está dizendo coisa com coisa. Ela levanta uma sobrancelha, um sorriso travesso dançando em seus lábios. Aperto meus olhos. — O que é esse sorriso? — Nada. — Dá de ombros casualmente. Quando vou criticá-la, o interfone da mesa toca. Aperto o botão e Violet anuncia que os senhores da reunião já estão aguardando por nós. — Vamos, quero acabar logo com essa reunião para depois você me contar tudo — murmura, enlaçando o meu braço. — Não há nada para contar— resmungo. — Está sendo ridícula. Andamos lado a lado para a sala de reuniões quando uma risada sarcástica ecoa entre nós. — Alícia apenas sendo Alícia — Anton diz, fazendo com que nos viremos para olhá-lo. Sinto minha prima enrijecer ao meu lado. — Ótimo! Poderia ter nos poupado de olhar para essa sua cara de p*u logo cedo — ela rosna, tentando prosseguir. — Sempre tão amável, priminha… — Anton debocha, irritando-a ainda mais. Não entendo por que esses dois se odeiam tanto. Está certo que o meu irmão é um grande i****a, mas, mesmo com sua personalidade difícil, isso não seria o suficiente para trazê-la tão a borda. — Só com quem merece — rebate. E sua resposta pareceu incomodar o meu irmão caçula, pois vejo uma veia saltar do seu pescoço. — Imagino — retruca — A propósito, como está o i****a do seu vizinho? — pergunta, sorrindo largamente. — Hum… da última vez que eu o chequei, nos lençóis de seda da minha cama — brada um pouco mais alto —, estava perfeitamente bem. Os olhos do Anton brilharam de maneira quase doentia. — Sua… — Já chega! — interrompo-os. — Parem já com isso! — Encaro Anton. — Vá tomar um café amargo, agora. Está cheirando a bebida — repreendo, e ele sorri, como sempre. Anton não é capaz de levar a sério nada em sua vida. — Balanço a cabeça. — Aton… — o alerto. Ele passa por mim e para, observando Alícia, a raiva é latente, olhando-a furiosamente.
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