IVARSEN
— Não pense você que terá Ivarsen ao seu lado para sempre — sussurra rente ao seu ouvido. — Aí seremos só eu e você, como nos velhos tempos. — Anton sai praticamente cantarolando em direção à copa, deixando uma Alicia paralisada e aturdida com suas palavras pelo caminho.
— Quer me contar o que acabou de acontecer aqui? — exijo.
Alícia baixa o olhar brevemente.
— Ah... Hum… nada. — Balança a cabeça, andando apressadamente para longe, seus saltos estalando sobre o piso.
— Não acho que seja nada. Vocês dois estavam prestes a pular na jugular do outro — murmuro em seu encalço.
Ela suspira.
— Anton é um i****a e consegue extrair o que há de pior em mim. Mas eu não quero falar dele. Podemos apenas nos concentrar na reunião?
Concordo, vendo alívio inundar os seus olhos. Seguimos para a sala de reuniões, mas tanto eu, como Alicia parecíamos perdidos em nossos próprios pensamentos que m*l prestamos atenção nos pontos que tínhamos para solucionar. A reunião passa como um borrão, assim como o meu dia.
De volta para a mansão, sinto um frenesi consumindo-me lentamente, apesar de saber que a senhorita Leblanc já deve ter ido embora, ao julgar pelo horário.
— Senhor… — Finn, o nosso mordomo, fala assim que cruzo as portas da mansão.
— Onde está a minha mãe e Paige, Finn? — pergunto enquanto ando até o bar e me sirvo com uma pequena dose de uísque.
Finn me encara com sua expressão estoica e profissional.
— Madame Josephine já se recolheu para os seus aposentos, e a menina Paige está com a senhorita Leblanc, no balanço do jardim. — Assinto, sentindo meu corpo reagir imediatamente com a menção do seu nome. Agradeço Finn e, em passos hesitantes, me vejo andando para o jardim.
De longe, avisto Siena sentada ao lado de Paige no enorme balanço. As duas conversam animadamente e, em um determinado momento, minha filha vira-se para Siena e diz algo que a faz corar e sorrir lindamente. Perco-me deliberadamente em seu sorriso. Há tanto significado por trás dele, eu sinto isso. Siena parece ser tão verdadeira, e isso me choca.
— Paige realmente gostou da Siena. — A voz suave da minha mãe irrompe atrás de mim, arrancando-me do meu transe. Viro-me lentamente para ela. Estava tão imerso em Siena, em observá-la que não me dei conta da sua aproximação. — Estou satisfeita em vê-la tão feliz em torno de outra pessoa — murmura com um sorriso doce.
Concordo, sentindo um nó se formar em minha garganta. Eu entendo as palavras não ditas da minha mãe, o seu apelo por trás delas. É assim que Paige deveria ser em torno do seu pai, independentemente de qualquer outra pessoa. Eu deveria entendê-la melhor, abraçá-la sempre que ela precisasse e fazê-la sorrir, porque o seu sorriso aquece e ilumina qualquer escuridão.
— Vamos, Ulisses já aguarda por Siena. Ele a levará para casa — comunica, andando em direção ao balanço. Sigo os seus passos, observando o exato momento em que Siena se vira e seus olhos verdes se encontram com os meus, reavivando uma gama de emoções dentro de mim. A conexão é breve, e ela é a primeira a desviar o olhar. — Paige, se despeça da Siena. Já estouramos o seu horário — minha mãe fala arrancando um suspiro profundo dela.
Siena sorri suavemente e acaricia sua bochecha.
— Não se preocupe, amanhã nos vemos e você pode me mostrar alguns passos de balé, que tal? — Siena sugere, elevando uma sobrancelha.
Paige concorda freneticamente e enrola seus delicados bracinhos em torno do seu pescoço.
— Sim!! Eu m*l posso esperar — Paige cantarola, sorrindo. Ela se afasta, um sorriso doce permeando em seus lábios. — Boa noite, Siena — sussurra.
— Boa noite, Paige — responde, tocando a ponta do seu nariz.
— Entre, querida, Adele já deve estar esperando para o jantar. — Paige assente e passa por nós correndo alegremente em direção a mansão. — Reitero o meu convite, Siena, se junte a nós para o jantar. — Siena se levanta e olha-nos timidamente.
— Eu realmente agradeço, senhora MacKenzie, mas já havia combinado algo com minha amiga.
Eu solto o ar que nem sabia que estava preso. A simples ideia de tê-la ainda mais perto me deixa atordoado. Novamente os nossos olhares se cruzam e vejo algo brilhar em torno deles. Resiliência, voraz… Então a voz da minha mãe me faz desviar o olhar e encará-la.
— Filho, se lembra do baile de caridade da família Lancaster?
— Sim, claro — respondo com o cenho franzido.
— Eu estivesse pensando, estou me sentindo cansada ultimamente. — Minha cabeça gira para ela instantaneamente com um estalo de preocupação. — Não se preocupe — ela tranquiliza, acariciando meus ombros. — Como estava dizendo, deveria ter uma companhia agradável para acompanhá-lo. O que acha da senhorita Leblanc? — Sua pergunta me pega completamente desprevenido e, ao julgar pelos olhos esmeraldas assustados e arregalados de Siena, ela foi pega também.