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1160 Palavras
SIENA Não posso controlar o rubor que toma conta do meu rosto. Josephine não poderia ter sido mais sutil em sua sugestão. Ivarsen se mantém calado e o seu silêncio me deixa ainda mais apreensiva. Seus olhos azuis parecem aturdidos quando encontra os meus. — Parece-me uma ótima ideia — responde brevemente com os olhos presos aos meus. — Claro, se aceitar o convite — diz cautelosamente, dando uma passo em minha direção — Ficaria feliz com a sua companhia, Siena. Seu tom é baixo, mas seu olhar é de pura intensidade, e há algo escondido ali que me atrai, impedindo-me de ir para longe dele. Olho para Josephine, que exibe um esboço de um sorriso satisfeito e balança a cabeça discretamente. Retomo o meu olhar para Ivarsen e concordo com um leve aceno de cabeça. Meus lábios me traem, curvando-se em um maldito sorriso. — Seria um prazer acompanhá-lo, senhor Mackenzie — digo suavemente, tentando aplacar o caos que se instaurou em minha mente. — Ótimo, a festa será daqui a dois dias, teremos tempo para acertar tudo — Josephine fala, arrancando-nos da nossa pequena troca significativa de olhares. — O vestido será por minha conta — ela assegura e, quando tento recusar, Josephine se torna irredutível. — Não perca seu tempo, Siena. — Ivarsen avisa com um sorriso casual. — Essa batalha já está perdida. Mamãe não costuma aceitar não como resposta. — Nesse caso, não tenho alternativa senão aceitar, não é? Josephine sorri, provando o meu ponto. — Não se preocupe, querida, você definitivamente será a mulher mais linda do baile. Suas palavras confiantes provocam uma pequena faísca nos olhos do seu filho e sorrio internamente, adorando saber que ele se afeta assim como eu. Não querendo mais prolongar a conversa, despeço-me deles e ando em direção do Ulisses, que já me aguarda ao lado do Bentley. O percurso até o meu apartamento foi permeado de pensamentos, e todos girando em torno de certo moreno perigoso de olhos azuis. Ulisses olha para mim através do retrovisor e sorrio assim que ele avisa que já chegamos ao nosso destino. Ele estaciona o carro e desce, contornando-o e abrindo a porta, ajudando-me a descer em seguida. — Até amanhã, senhorita Leblanc. — Acena com um leve menear de cabeça. — Até, Ulisses. Tenha uma boa noite! — respondo gentilmente. Observo o Bentley se afastar e giro em meus calcanhares em direção ao meu apartamento. Passo pelo Seb, nosso porteiro, e sorrio. Pego o elevador e, assim que as portas se fecham, o ar parece deixar os meus pulmões lentamente. — Uau! — sussurro mentalmente. O dia foi intenso e desafiador. Como imaginei que ficar ao seu lado seria fácil? Droga! Agora não posso voltar atrás. Aceitei o seu convite, embora sua mãe tenha feito o intermédio, ele poderia ter recusado, não precisava fazer isso. No entanto, Ivarsen pareceu gostar da ideia. Só de pensar em ter seus olhos presos aos meus novamente, meu corpo entra em chamas. Novamente, quando cruzo o limiar da porta, sou atropelada por uma maluca e sua cacofonia. Aria envolve-me pelos ombros, puxando-me para baixo, para nos deitar no confortável tapete branco da sala. — Quero saber de tudo. Até os mais sórdidos detalhes — cantarola, piscando para mim através dos seus longos cílios negros. Reviro os olhos. — Odeio desapontá-la, mas não tem nada para contar. — Ela balança a cabeça com um grunhido de decepção. — Não mesmo? — insiste com os lábios esticados em um sorriso travesso. — Não. — Ela continua me olhando e encolho os ombros. — Na verdade… — Olho para ela, prendendo o lábio inferior entre os dentes. — Ivarsen me convidou para acompanhá-lo em um baile, quer dizer… Josephine sugeriu para que ele me convidasse. Aria pisca lentamente e pende a cabeça para o lado, seus lábios se tornam uma linha fina e sei que está prestes a gritar alguma coisa. — E você aceitou, não é? — pergunta, expectante. — Sim, eu aceitei. Afinal, fui contratada para um único propósito: seduzi-lo. — Um suspiro involuntário escapa dos meus lábios, e Aria me encara. — E veja só, você está conseguindo. Já até conseguiu um encontro. — Deixa escapar uma risadinha. — Não é bem um encontro, mas posso trabalhar muito bem com isso. — Ela me dá um sorriso malicioso quando digo isso. — Sei que sim, Si. Você pode. Reviro os olhos e levanto-me, disposta a tomar um banho para aplacar o calor que começa a irradiar pelo meu corpo só de pensar em Ivarsen e naquele belo par de olhos azuis. ******** Os dois dias seguintes passaram como um borrão e agora estou diante do espelho visualizando minha imagem refletida nele. Puxo uma longa respiração. — Você está linda, Siena. Ivarsen não irá tirar os olhos de você — Aria graceja ao meu lado. Ela desempenhou o papel importante de cabeleireira e maquiadora, tornando-me, segundo ela, irresistível. — A senhora MacKenzie tem bom gosto, esse vestido é simplesmente divino — ela comenta, espalmando suas mãos sobre meus ombros nus. Sorrio, concordando com suas palavras. Olho-me novamente através do espelho, admirada com a minha imagem. O vestido é tomara que caia, de um tom verde semelhante à cor dos meus olhos. Justo e acentuado em cada curva, exalando sensualidade sem ser vulgar. É longo e possui uma discreta e profunda f***a na coxa esquerda. Meus fios castanhos estão presos no topo da cabeça em um coque elegante com somente alguns fios soltos adornando cada lado da minha face. Observo meus olhos marcados com uma maquiagem fatal e os lábios pintados de um vermelho-bordô intenso. Solto uma risada quando percebo Aria deslizar sua mão ligeiramente por entre a f***a do meu vestido. — Não serão apenas os olhos que o poderoso Ivarsen MacKenzie manterá em você, Siena. — Exalo em voz alta, sentindo não só o meu rosto esquentar, como todo o corpo. Ouvimos o meu celular tocar, alertando alguma notificação. Alcanço minha pequena clutch e pego o meu celular, visualizando a chegada de uma mensagem de número desconhecido. Abro-a e surpreendo-me que Ivarsen tenha me mandando uma mensagem. — É ele. — Viro-me para Aria, que está olhando atentamente algo através da janela. — É, eu sei — cantarola, apontando com o queixo. — Posso apostar que aquele cavalheiro delicioso de smoking lá embaixo é o senhor MacKenzie. — Ela suspira dramaticamente, e meu coração começa a acelerar no peito. Aria tem razão, estou parecendo uma maldita colegial. Desde quando ajo dessa forma por um homem? Ando até a janela e meus olhos se arregalam. Ivarsen está de tirar o fôlego, literalmente. — É melhor você ir, ele parece ansioso lá embaixo. — Franzo o cenho, olhando para ele. — Não pense. — Empurra-me novamente. — Se ele está ansioso, é uma coisa boa. — Eu rio em voz alta. Aria segura meu queixo. — Divirta-se, amiga. — Beijo sua bochecha e me despeço dela.
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