SIENA
Pego o elevador com minhas mãos suando frio.
É só uma festa, Siena. — resmungo mentalmente. — Não é como se você não tivesse feito isso antes.
Chupo uma longa respiração assim que as portas do elevador se abrem. Ergo o queixo e ando em direção a saída, encontrando o olhar apreciando de Seb.
— Tenha uma linda noite, menina Siena. — Sorrio.
— Obrigada, Seb. Desejo o mesmo para você.
E, assim que eu cruzo a saída, meu coração erra uma batida. É difícil respirar quando lhe falta o ar. Ivarsen está encostado em um Ferrari vermelho com as mãos no bolso, em uma atitude bem casual.
Meus olhos o analisam com perícia, desde o cabelo escuro bem penteado e alinhado para trás e o terno preto agarrado a cada músculo do seu corpo. Melhor visão de todos os tempos. Ivarsen MacKenzie, em um belo terno e sua barba por fazer, sexy como o inferno. Minha mente gira com todas as possibilidades mais sórdidas possíveis, uma delas seria sentir a sensação áspera dela roçando minha pele e aqueles olhos azuis de um tom profundo se deleitando no meio das minhas pernas.
— Boa noite, Siena. — Sua voz rouca e aquecida arranca-me do meu devaneio febril.
Olho para cima, meu olhar encontrando o seu. Um choque de eletricidade quase palpável de energia crepita entre nós.
Tomo um minuto antes de respondê-lo e denunciar o meu estado caótico.
— Boa noite, senhor MacKenzie — sussurro suavemente.
Seus lábios exuberantes se esticam lentamente.
— Ivarsen, por favor, Siena. Lembre-se, você não trabalha para mim, mesmo que assim fosse, não estamos trabalhando neste exato momento. — Concordo com um ligeiro sorriso.
Noto que Ivarsen se afasta do carro e me observa intensamente, meu corpo registrando o rastro de faíscas brilhando através do seu olhar. Ele balança a cabeça como se quisesse limpar os seus pensamentos e me estende a sua mão.
— Vamos? — Aceno com uma curta respiração e cubro sua mão com a minha. Seus dedos tocando-me suavemente. Suspiro, tomando em nota que essa será uma noite longa demais.
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De soslaio, observo Ivarsen concentrado enquanto dirige. Suas mãos apertam firme o volante, uma vez ou outra dando-me indícios que minha presença o deixa perturbado. O cheiro da sua colônia envolve os meus sentidos, despertando cada célula do meu corpo. Embora soubesse que nenhuma mulher poderia ser imune a um homem como ele, não estava preparada para o turbilhão de sensações que Ivarsen me faz sentir.
Olho o seu perfil completamente hipnotizada. Maxilar firme, lábios volumosos e sua barba por fazer, que praticamente grita sexo quente e enlouquecedor.
Em todo trajeto, mantenho-me em silêncio, mas muito consciente da sua presença.
Desvio o olhar quando cruzamos um enorme portão de ferro, exibindo uma luxuosa mansão. Há fotógrafos e flashes por toda parte, o que me causa certo nervosismo. Ser o centro das atenções não está nos meus planos, e muito menos ter fotos minhas espalhadas por aí ao lado do solteirão e tão cobiçado Ivarsen MacKenzie.
Ivarsen percebe minha hesitação e acaricia timidamente minhas mãos.
— Não se preocupe, é só uma festa como outra qualquer. — Suspira. — Vamos?
Olha-me com um sorriso de canto, seus olhos perfurando os meus.
— Vamos! — assinto, observando a ondulação encantadora e inebriante dos seus olhos.
Ivarsen tira seu cinto e abre a porta do carro, desce e o contorna, indo ao meu lado, abrindo a porta e estendendo a mão para ajudar-me a descer. Sinto sua mão espalmada na base da minha coluna e estremeço, sentindo uma onda de calor percorrer todo o meu corpo. Ergo o meu olhar e encontro sua face muito perto da minha.
— Se em algum momento quiser ir, não hesite em me falar. — Sinto sua respiração quente resvalando a curva do meu pescoço. Suspiro internamente. — Só quero que tenhamos uma noite agradável, Siena. — Nossos olhares se cruzam e nenhum de nós é capaz de desviar. Vejo lascas de desejo e luxúria crepitando através deles, mas há algo ali além desses sentimentos carnais… Vulnerabilidade. Uma fugaz e quase imperceptível. Ele não é imune a mim, mas parece resistir.
Nossa entrada na mansão é cercada por alguns repórteres e câmeras que disparam milhares de flashes por minuto. Ivarsen me conduz para dentro, evitando a todo custo responder aos repórteres, que parecem ensandecidos com a possibilidade do solteiro mais cobiçado de Nova Iorque ter finalmente acabado com o seu luto de sete anos.
— Eles não poderão nos incomodar aqui dentro. Os Lancaster costumam barrar a entrada da imprensa, somente alguns jornalistas selecionados podem cobrir o evento.
Ele para, colocando uma mecha solta do meu cabelo atrás da orelha. Seus lábios se separam enquanto ele me olha, e tenho que silenciar os meus pensamentos que, a essa altura, estão em êxtase com a sua proximidade.
— Ivarsen? — Uma voz feminina nos tira da nossa bolha momentânea.
Nós viramos ao mesmo tempo para a pessoa que chamou o seu nome. Longas pernas bronzeadas se aproximam sensualmente em sua direção. Vestido vermelho com um decote profundo, longos cabelos loiros, olhos azuis e um sorriso irritante nos lábios.
Percebo como Ivarsen ficou tenso, mas se recompôs rapidamente. Sua mão desaparece das minhas costas assim que a supermodelo vence a distância, o pegando em um longo e caloroso abraço.
Eles se afastam, mas a loira mantém suas mãos nervosas sobre ele, o tocando como se fosse um instrumento. O que me irrita, mesmo Ivarsen não sendo meu. Me incomoda ver outra mulher o tocando dessa maneira.
— Nossa, faz tanto tempo que não nos vemos — lamenta. Desvio o olhar das suas mãos correndo pela lapela do seu terno, demonstrando que, em algum momento, eles foram muito íntimos. Não costumo me enganar. — Você não mudou nada, Ivar. É como se voltássemos no tempo. O mesmo sorriso, o mesmo olhar, o mesmo corpo. — Solta uma risadinha. De soslaio, vejo-a se aproximar um pouco mais do seu rosto e sussurrar para ele. — Parece que anda treinando. Está fazendo um ótimo trabalho.
Pisca para ele.
Ivarsen sorri e sinto sua mão novamente na base da minha coluna.
Olho para ele.
— Ariela, esta é a senhorita Siena Leblanc — Ivarsen nos apresenta. — Siena, essa é Ariela Gardner. — Forço um sorriso e a vejo fazer o mesmo.
Seu olhar é de puro escárnio que eu devolvo na mesma proporção.
— É um prazer conhecê-la, Siena — murmura com um falso sorriso, estendendo-me sua mão.
— O prazer é todo meu, Ariela — gracejo, retribuindo seu toque, imitando o seu sorriso de víbora prestes a dar o bote.
Deslizo minha mão fora da sua, acabando com o contato, e a vejo retomar seu joguinho de sedução com Ivarsen.
— Não sabia que tinha retornado para Nova Iorque, Ariela — ele diz para ela, que morde o lábio inferior, e tenho que me esforçar para não rolar os olhos.
Sonsa!