SIENA
— Planejava fazer uma surpresa, Ivar… Milão estava muito chato, e ando buscando algo ou alguém para agitar a minha vida. — Ela encolhe os ombros e, com um indicador, acaricia sua gravata. Um sorriso provocador dançando nos seus lábios vermelhos.
Engulo em seco e peço licença. Obviamente há alguém sobrando, e esse alguém sou eu.
Ando pelo salão de festas à procura de um rosto conhecido, mas infelizmente não há nenhum. Continuo andando e, quando um garçom passa por mim, alcanço uma taça de champanhe.
Observo a monotonia à minha volta, cercada de pessoas vazias e carteiras recheadas. Ternos caríssimos, vestidos de grifes e olhares ambiciosos.
Como gostaria que Aria estivesse aqui. Pelo menos teria alguém que pensa como eu e é verdadeira.
— Não deveria ter se afastado dele. — Assusto-me com uma voz suave ao meu lado. Viro-me para ela e franzo o cenho.
— Desculpe-me, nós nos conhecemos? — Ela sorri e estende a mão para mim.
— Alícia, é um prazer finalmente conhecê-la, Siena. — Seus olhos castanho-escuros brilham diversão.
Seguro sua mão com um leve aceno.
— Prazer, Alícia — digo suavemente.
Seu sorriso confiante se alarga ainda mais. — Sou prima de Ivarsen e a principal designer da MacKenzie Royal.
Arregalo os meus olhos em surpresa.
— Desculpe se pareci rude.
Ela balança a cabeça, negando.
— Tudo bem, Siena. Não se preocupe com isso. Fui ousada ao me apresentar, esperava que o meu primo fizesse isso.
Seu olhar desvia para onde Ivarsen e a loira atirada estão. Alícia revira os olhos com desgosto.
— Ela não desiste. Ivarsen nunca quis nada com ela antes da Grace e não será agora que ele irá querer. — Resmunga com um tom amargo.
Olho para Ivarsen e o vejo sorrir de algo que Ariela sussurrou no seu ouvido.
— Não parece para mim. O que eu vejo é um homem bastante interessado — estalo, e Alícia gira seus olhos rapidamente para mim.
Dou de ombros, e ela segura minha mão.
— Conheço muito bem o meu primo. E acredite, ele é um cavalheiro mesmo que a mulher em questão seja a c****a da Ariela. — E antes que eu tenha tempo de perguntar por que ela a chamou de c****a, Alicia me arrasta de volta para Ivarsen. — Primo, olha quem eu encontrei solitária e doida para explorar a mansão Lancaster — Alicia diz, praticamente jogando-me contra ele, recebendo um olhar mortal da loira. Ela olha para Ariela e pisca com um sorriso de menina travessa. — Comentei com Siena da famosa sala de espelhos da senhora Lancaster, deveria levá-la para um pequeno tour. Tem tantos salões antigos e históricos nessa mansão. Garanto que Ariela não irá se importar, não é mesmo, Ariela? — pergunta com uma sobrancelha erguida em desafio.
— De maneira alguma — responde lentamente, seu olhar focando-se em mim. — Aproveite a festa, Siena. Ivar, qualquer dia desses passo na sua casa para uma visita. Estou morrendo de saudades da Paige.
— Posso imaginar — Alicia resmunga baixinho ao meu lado. Ivarsen concorda, e ela se despede com um beijo ousado no canto da sua boca. Assim que Ariela está fora de vista, Alicia encara o seu primo. — Espero que ela volte logo para Milão e fique por lá — Alicia diz secamente, arrancando uma risada sincera do seu primo.
Ivarsen retorna com o seu toque na base da minha coluna, fazendo-me arrepiar.
— Alicia tem razão quando diz que a mansão Lancaster tem muitos salões antigos e ficaria feliz em mostrar-lhe cada um deles, Siena — murmura com um sorriso de canto. — Você vem, Alicia? — Desvia o olhar para ela.
Alicia n**a e alcança uma taça de champanhe quando um garçom passa por ela.
— Não. Podem ir e se divirtam. — Pisca um olho, divertida, andando para longe de nós.
Ivarsen sorri e me conduz por um longo corredor, despertando olhares de todos em nossa direção.
Seu toque é firme e senti-lo tão próximo está nublando os meus sentidos. Não consigo explicar, mas ele tem um efeito avassalador sobre mim.
Alcançamos uma enorme porta de madeira dourada entalhada com detalhes em arabescos. Ele empurra a porta, que se abre com um barulho suave, revelando uma baixa iluminação. Há espelhos de várias formas e tamanhos por toda parte e um jazz tocando em alguma parte ecoado por todo o salão. Sinto sua presença atrás de mim e sua respiração quente resvalando na minha nuca.
— Essência da alma… — sussurra na minha orelha, me fazendo ofegar. Seus dedos acariciam um lado do meu pescoço e mordo o lábio inferior, impedindo que qualquer som deixe os meus lábios. — É o nome que os Lancaster deram para esse salão — diz finalmente, seus lábios tocando um ponto sensível da minha orelha. — É isso que os espelhos representam… Em cada reflexo, é sua alma sendo revelada.