16

1217 Palavras
IVARSEN Ouço o seu suspiro e o leve tremor em seu corpo. Siena não se afasta do meu toque e, mesmo que minha mente alerte para manter distância, meu corpo não obedece e escolhe ignorar o comando. Desde que a vi saindo do seu prédio, andando em minha direção, meus sentidos se tornaram um caos completo. Arrisco-me a dizer que Siena é a mulher mais bonita que os meus olhos já viram. Grace também era muito bonita, mas uma beleza diferente. Terna, acolhedora como o seu lindo sorriso que permanece vivo em minhas lembranças. Enquanto a beleza da Siena é voraz, sedutora. Ela me faz querer mergulhar no abismo que são os seus olhos e aventurar-me em suas curvas pecaminosas. Minhas mãos parecem conhecer com perícia as suas curvas, pois descem deliberadamente. Lentas, suaves, apreciando a maciez da sua pele. — Eu li em algum lugar que os espelhos nos dão a oportunidade de ver a nós mesmos como os outros nos veem — sussurra com um suspiro trêmulo. — Concordo — digo, segurando o seu olhar através do reflexo da parede de espelhos à nossa frente. — Um espelho sempre contém mais coisas do que os olhos podem ver. — Inclino-me, minha barba roçando um lado do seu pescoço. — E eu gosto do que vejo. — Sorrio, e vejo que suas pupilas se dilatam completamente. E mais uma vez eu gosto do que vejo neles. Apesar de ter passado muito tempo sem flertar com uma mulher, consigo identificar os seus sinais. Vejo a mesma fome e desejo crepitar em seus olhos. Lentamente giro o seu corpo e, com o indicador, contorno os seus lábios, os observando se afastarem com um leve gemido. E é o bastante para ter minha boca sedenta esmagando a sua. Uma forte onda de desejo me invade e agarro sua nuca em busca de aprofundar ainda mais o beijo. Ouço um leve ruído escapar dos seus lábios e aproveito para atacar a sua língua. Lambo, sugo, a fazendo gemer e se contorcer em meus braços. Deus! Fazia tempo que eu não tinha uma mulher em meus braços, e Siena está me deixando completamente louco. O calor brutal da sua boca assomou ainda mais os meus sentidos, a luxúria se tornando dolorosa, assim como minha ereção maciça que luta em busca de alívio. Siena ofega, se afastando brevemente dos meus lábios, suas mãos delicadas desbravando o meu peito através do terno. Com seus olhos focados nos meus, ela desce, acariciando cada pedaço coberto pelo tecido e, mesmo com esse empecilho, posso sentir o calor emanando através delas. Fecho os olhos quando seus lábios encontram o meu queixo em uma trilha de beijos e mordiscadas no lóbulo da minha orelha e, por fim, em meu lábio inferior. Abro os olhos quando sinto falta das suas carícias e a pego observando-me. Seu peito subindo e descendo em respirações rasas, sua garganta engolindo em seco. Estamos uma bagunça, mas eu quero muito mais dela, ainda mais agora que provei o gosto dos seus lábios. — O que está fazendo comigo, Siena? Eu… — silencio-me e colo minha testa na sua, respirando com dificuldade — não me sentia assim há anos — confesso, acariciando sua bochecha. — Assim como? — pergunta em sua voz rouca e ofegante. — Vivo! — Suspiro a centímetros da sua boca. Assisto a um lindo sorriso brotar em seus lábios cheios e minha confissão pareceu agradá-la. De repente vozes vindas lá de fora a fazem se afastar para longe e meu corpo reclama sentindo falta do seu. A vejo fechar os olhos e puxar uma longa respiração. Siena abre os olhos e olha para mim e, no exato momento em que os nossos olhares se cruzam novamente, vejo certa inquietação ondular através deles. — É melhor continuarmos o nosso tour. Você comentou que há mais salas como essa, não é? Assinto e me aproximo dela. Levo o indicador em seu queixo e o ergo, obrigando seus olhos a focarem nos meus. — Eu peço desculpas se eu a desrespeitei. Ela suspira pesadamente. — Não… você foi… perfeito! — Olha-me com cautela. — Só não quero que façam alarde sobre nós. Eu não gosto de ter minha cara estampada em sites de fofocas. Além disso, a sua amiga Ariela... — sinto uma pitada de irritação em seu tom ao pronunciar o nome da Ariela —, ela pareceu decidida em conseguir a sua atenção. Me afasto dela, reprimindo um rosnado. Não quero assustá-la. Se ela soubesse que Ariela nunca significou nada para mim, nem mesmo antes de Grace. Ariela foi um erro. Ficamos em uma festa da faculdade, Grace era sua melhor amiga e colega de quarto, e, na manhã seguinte, quando acordei totalmente nu e atordoado, deparei-me com a loira que mudou a minha vida e deu um novo sentido para ela. Desde então, Grace tinha se tornado tudo para mim. Minha namorada, após três meses de namoro, noiva e, por último, a minha mulher e mãe da minha filha. Até o destino tirá-la de mim. Balanço a cabeça, dissipando esses pensamentos, e me concentro no mar esverdeado à minha frente. — Ariela é só uma velha amiga. Estava apenas sendo gentil. Ela me observa em silêncio e, quando abro a boca para falar, interrompe-me. — Ivarsen, eu sinto muito. Você não me deve explicações. — Eu sei. Mas achei que seria importante você saber disso — digo, olhando-a com cautela. Uma comoção lá fora se torna intensa e chama a nossa atenção. — É melhor irmos — replica gentilmente. Concordo, espalmando minha mão na base da sua coluna, sentindo seu corpo estremecer. Continuamos o nosso tour pela mansão. A tensão s****l é cada vez mais palpável entre nós. Enquanto andamos pela mansão, percebo muitos olhares em cima de nós. De soslaio, percebo Siena tensa, perdida em pensamentos. Talvez não tenha sido uma boa ideia ter vindo juntos. Os salões estão cheios. Pessoas da alta cúpula, socialites, filantropos e celebridades vieram prestigiar os Lancaster, que costumam fazer leilões para angariar fundos para doar a hospitais que cuidam de crianças com câncer. Leonor Lancaster abraçou essa causa após perder a sua filha caçula, vítima de um câncer nos pulmões. Amber tinha apenas nove anos quando faleceu, deixando a família completamente devastada. E falando em Leonor, a vejo caminhar elegantemente em minha direção. Seus olhos castanhos estão focados em Siena e um sorriso condescendente se espalha por seus lábios. — Mas que honra! — exclama, pegando-me em um rápido abraço. Ela se afasta e acaricia minha bochecha. — Você me parece ótimo, Ivar. E vejo que está muito bem acompanhado. — Seus olhos afiados deslocam-se para Siena mais uma vez e seu sorriso se alarga ainda mais. — Certamente já ouviu muito isso, mas você é linda, querida. Que olhos! — murmura, enlaçando Siena em um abraço. Quando se afasta, a vejo corar lindamente. Leonor olha para mim ternamente e, por mais que não fale abertamente, sei o que deve estar pensando. Ela está feliz em me ver com alguém depois de tantos anos. — Leonor, esta é Siena Leblanc. Siena, esta é Leonor Lancaster. A grande filantropa e anfitriã da festa — faço as apresentações. — Siena, é um prazer conhecê-la — Leonor diz com um sorriso encantador, que Siena retribui gentilmente.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR