IVARSEN
— O prazer é todo meu, Leonor. E parabéns pela festa, está simplesmente perfeita. — Sorri.
Leonor olha para mim e sorri, mas o seu sorriso não alcança os seus olhos. Compartilhamos uma dor em comum, e só uma alma quebrada sabe reconhecer outra. Ela se vira para Siena e acaricia a sua face.
— Eu tenho um lindo propósito, querida. E é através dele que tenho forças para lutar. Curta a festa. Estou realmente encantada em conhecê-la. — Ela cessa seu toque, seus olhos transbordando de emoção. — Cuide dessa joia, Ivar. Ela é maravilhosa. — sussurra antes de andar para longe.
Siena pisca e franze o cenho em confusão.
— Fiz algo de errado? — pergunta baixinho.
Olho para ela e seguro suas mãos. Um choque percorre meu corpo, mas ignoro. Não quero constrangê-la na frente de todas essas pessoas.
— Todos os anos a família Lancaster promove esse baile de caridade em prol de crianças com câncer. Leonor tem conhecimento de causa, perdeu a filha caçula quando ela tinha apenas nove anos para um câncer. Isso a emociona até hoje, após seis anos. Tem feridas que só o tempo para cicatrizar e, mesmo assim, ainda sentimos. — Balanço a cabeça quando vejo os olhos de Siena focarem nos meus, como se estivesse sentindo a mesma dor que corrói o meu peito todos esses anos.
Um garçom passa por nós e pego uma taça para ela e outra para mim, não faz sentido sobrecarregar a nossa noite com lembranças dolorosas.
— Isso é muito triste. Mas olha tudo isso que ela está fazendo — diz, impressionada. — Quantas vidas ela já deve ter salvado com sua bondade. — Suspira e vejo seus olhos ficarem distantes. — Eu a admiro muito por isso. Leonor parece ser uma mulher extraordinária.
Aceno em concordância.
— Sim, ela é.
Observo Siena levar a taça de champanhe aos lábios e imagens de mais cedo, enquanto estávamos na sala de espelhos, explodem em minha mente. A maciez dos seus lábios contra os meus, o gosto do seu beijo, a química irrevogável que existe entre nós. Eu ainda posso senti-la em meus braços e m*l posso esperar para repetir a dose.
— Ivarsen? — Saio dos meus pensamentos com sua voz suave. — Estou indo ao toalete — avisa.
— Oh, certo. Quer...que eu acompanhe? Quero dizer, ficarei do lado de fora, à sua espera — murmuro, de repente, senti-me envergonhado.
Siena n**a com uma risada baixa e hipnotizante.
Então assisto-a se afastar, obcecado em cada curva do seu corpo. Devo confessar que, após o nosso beijo, não consigo silenciar todos os meus pensamentos. Sinto vergonha de quão sujo eles podem ser.
Alguns minutos se passam e começo a conversar com algumas pessoas uma vez ou outra, olhando na direção que ela saiu. Vejo Alícia em um canto, conversando com uma das socialites, com certeza ela deve estar a elogiando pelo novo lançamento da MacKenzie. Minha prima sorri e concorda, mas, em sua face, percebo que ela m*l pode esperar para se livrar dessa.
Burburinhos começam de uma maneira frenética e, quando sigo em direção ao barulho, vejo Siena com uma expressão estranha. Meus olhos se arrastam lentamente pelo seu corpo e vejo o motivo. Seu vestido estava completamente encharcado, chegando a grudar em algumas partes do corpo. Olho novamente para sua face e a vejo corar em constrangimento.
Alicia também percebe, pois anda em sua direção. Em passos largos, faço o mesmo e chego até ela.
— Que ordinária! — Escuto Alicia rosnar assim que me aproximo.
— O que aconteceu com o seu vestido? — pergunto, segurando seu queixo.
— Aquela …
— Estava saindo para encontrá-lo e alguém acabou esbarrando em mim e aqui está…— interrompe Alicia, que a olha incrédula.
— Siena… — diz por entredentes. Ela olha para a minha prima e toca suas mãos.
— Está tudo bem, Alícia — afirma com a voz firme. — Eu acho que é melhor ir embora. Pegarei um táxi. Você pode ficar, Ivarsen. Não quero estragar sua noite.
Nego com veemência.
— Eu te levo. Alicia, se despeça de Leonor por mim e de Vitório. Ainda não o encontrei. Explique o que aconteceu, por favor.
— Pode deixar — responde. — Siena, eu sinto muito. — Elas se abraçam, e percebo Siena sussurrar algo que Alicia somente escuta, ficando em silêncio. Arqueio uma sobrancelha para ela que apenas acena antes de se afastar. — Nos vemos — diz, olhando para mim, e sinto que há algo que ela queira me contar.
Conduzo Siena por outro corredor que dá acesso ao portão dos fundos da mansão. Pego o meu celular e ligo para um dos seguranças que me acompanharam até a festa e peço para que me encontre.
Desde que saímos da festa, Siena não falou mais nada. Olho para ela, que abraça o próprio corpo e parece sentir frio. Retiro o meu terno e cubro o seu corpo. Ela ergue os olhos e suspira.
— Obrigada.
Sorrio e enlaço sua cintura a puxando para os meus braços. Ela não se afasta, e a sinto se aconchegar no meu peito. Respiro fundo, sentindo o doce aroma dos seus cabelos. Meu corpo relaxa, adorando o calor do seu. Esta é uma sensação que posso muito rapidamente me acostumar.