SIENA
— Obrigada por me trazer até aqui, Ivarsen — agradeço enquanto abro a porta do meu apartamento.
Ele insistiu em me acompanhar para ter certeza de que estou mesmo bem. Por certo, deve ter se sentido m*l pelo meu silêncio durante o trajeto.
Estava com o pensamento a mil, as palavras de Ariela girando em minha mente. Aquela biscate me encurralou quando eu saía do banheiro e deixou sua máscara de boa moça finalmente cair, como eu suspeitava. Ela não passa de uma serpente disfarçada.
— Espero que não esteja confortável — rosna, segurando o meu cotovelo com força.
Franzo o cenho, olhando para suas unhas afundando em minha pele.
— Desculpa?
Seus olhos ondulam com um brilho sombrio e seus lábios se repuxam em um sorriso de escárnio.
— Oh, vamos! Não banque a desentendida comigo, garota. — Ela me olha de cima a baixo, deixando explícito o seu desgosto.
— Ivarsen! Você acha mesmo que um homem poderoso e culto como ele ficaria com uma mulherzinha tão vulgar como você?
Respiro fundo e arranco meu braço para longe dela. Meu sangue ferve com seu insulto. Quem essa v***a pensa que é para falar assim comigo?
Levanto meu queixo e sorrio, não me deixando levar pela sua alma envenenada. E minha atitude pareceu irritá-la profundamente.
— É isso que você pensa? — murmuro, entrando no seu jogo e vendo o seu sorriso vacilar.
— Oh, vamos! Não banque a desentendida comigo. — Sorrio, usando suas próprias palavras.
Ariela balança a cabeça com um olhar afiado.
— Ele pode querer usá-la algumas vezes e descartá-la logo em seguida, meu bem — debocha. — Não se sinta m*l, afinal, é para isso que os homens querem mulheres como você — cospe, saboreando cada palavra. — Para usar e jogar fora.
Fecho minhas mãos em punho e ando em sua direção, parando a centímetros da sua face. Minha respiração acelerada com adrenalina correndo por todo o meu corpo, adoraria arrancar o sorriso dessa v***a a base de tapas.
— E você m*l pode esperar por isso, não é? — rosno entredentes.
— Ansiosamente… — rebate com um sorriso cínico. — Fique no meu caminho, e eu passo por cima de você, Siena. Dessa vez, não vou deixar Ivarsen escapar — alerta.
Me afasto dela, não deixando que seu aviso me afete.
— Faça bom proveito! Ele é todo seu — respondo com ironia.
Tento avançar, mas cesso meus passos, sentindo algo frio escorrer pelo meu corpo. Olho para baixo, vendo a frente do meu vestido completamente encharcada e, pelo cheiro que começa a impregnar na minha pele, é champanhe.
— Ops! — Ariela murmura com um falso sorriso.
Vadia!
Respiro fundo para não avançar em cima dela.
— Não foi nada, Siena. E eu …sinto muito pelo vestido.
Balanço a cabeça, saindo dos meus devaneios, escutando a voz grave de Ivarsen atrás de mim. Viro-me para ele e o encaro.
Minha pele se arrepia com o seu olhar intenso sobre mim e aquela tensão palpável retorna com força. Lambo os lábios e vejo seus olhos acompanharem o movimento sedento, completamente hipnotizado. Ivarsen balança a cabeça e recua, para o meu desespero. E, antes que ele pudesse se despedir, convido-o para entrar.
— Quer entrar um pouco… podemos conversar enquanto faço café para nós, o que acha? — Xingo-me mentalmente ao perceber a insinuação por trás das minhas palavras.
Ivarsen fica em silêncio por breves segundos e, quando penso que ele recusará o convite, me surpreende.
— Eu adoraria… — responde lentamente com sorriso profundo brincando em seus lábios.
Abro a porta e entro com Ivarsen em meu encalço. Giro em meus calcanhares e sorrio para ele, observando seu olhar atento em cada detalhe do meu apartamento.
— É um belo apartamento. Alegre e, ao mesmo tempo, acolhedor — divaga, parecendo encantado com a enorme parede branca com a coleção de miniaturas de carros de Aria. Minha amiga é obcecada por elas e, a cada semana, aumenta. Seu pai lhe deu o seu primeiro quando ela tinha dezesseis anos, um modelo raríssimo, Rolls Royce Camargue 1979 e, desde então, ela não parou mais. São milhares delas organizadas em prateleiras de vidros. É a maneira que ela encontrou para manter seu pai, já falecido, vivo em suas lembranças.
— Obrigada — sussurro em agradecimento.
Vejo seus olhos se arrastarem lentamente em meu corpo enquanto o silêncio preenche o espaço. Meu corpo reage a ele e está cada vez mais insuportável fingir. Limpo a garganta e encaro seus olhos azuis luxuriosos.
— Se importa em esperar eu tomar um banho e trocar o vestido? Prometo que será rápido — murmuro, engolindo o meu nervosismo.
Vislumbro os músculos do seu maxilar pulsar quando ele balança a cabeça, concordando suavemente.
Saio praticamente correndo da sala andando em passos largos até o meu quarto. Minha pele formigando, pulsando e juro que posso sentir seu olhar em cada centímetro do meu corpo. Alcanço a porta do meu quarto e lanço-me para ela, entrando, já me despindo e indo em direção ao banheiro. Só de lembrar dos seus lábios em mim, fico fora do ar. Deslizo a porta do box, abro o registro e deixo que a água fria escorra deliberadamente pelo meu corpo. Dez minutos depois, estou seca e vestindo o meu roupão branco. Estou terminando de fechá-lo quando uma sombra no limiar da porta me chama atenção. Leva um segundo para a minha mente registar Ivarsen, parado, com os olhos vidrados em mim.
Arfo baixinho quando o vejo caminhar em minha direção. Passos firmes, maxilar apertado e uma necessidade crua escurecendo seus olhos, deixando-me zonza.
Abro a boca para falar, mas suas mãos em minha cintura, puxando-me para ele brutalmente, silenciam-me. Nossos olhares se encontram em um fugaz e breve segundo antes da sua boca tomar a minha com voracidade. Gemo, aturdida com sua pressão implacável nos meus lábios.
Um baixo ruído escapa da sua garganta quando minha língua se encontra com a sua. Um choque delicioso percorre meu corpo e pulsa no meu ventre. O calor da sua boca assomando os meus sentidos me deixando completamente molhada.
Jesus! Se com um beijo Ivarsen me leva ao limite, imagina o que pode fazer quando estiver se enterrando em mim. O simples pensamento me faz contorcer em seus braços, minhas mãos, desajeitadamente, começam a despi-lo sem quebrar o nosso beijo.
Puxo sua camisa para cima, desabotoando os botões com impaciência, escutando sua respiração pesada quente contra meus lábios.
Ivarsen se afasta e desliza seus braços fora da peça, dessa forma, posso admirar seu peito nu com músculos firmes assim como o seu abdômen trabalhando.