IVARSEN
A voz de Alicia ressoa no espaço, tentando convencer-me do seu ponto. Ela acha que estou me escondendo, condenando-me antes mesmo de tentar. Concentro-me na visão de inúmeros e gigantescos arranha-céus à minha frente. Dois dias se passaram, e Siena m*l olha em minha direção. Eu deveria me importar? Claro que não. Ao meu lado, Siena não teria uma garantia de felicidade a longo prazo. Não posso oferecer o que não tenho para dar.
Todos os pensamentos deixam a minha cabeça enquanto viro-me para encarar Alícia. Ela está resiliente a encher-me com suas teorias, que só um novo amor é capaz de curar velhas feridas. Alicia se levanta e anda até mim, fechando a nossa distância. Seus olhos castanhos brilhando ternura.
— Se permitir não faz de você um traidor, primo. Há sete anos você cultiva o seu luto, anda pelas sombras e esqueceu que ainda bate um coração aqui dentro — toca suavemente o meu peito —, que há sangue quente correndo nas veias. Você está vivo, Ivar. Tem família, filha e uma vida inteira pela frente. — Cerro os meus punhos, tomado pela dor aguda causada por suas palavras.
Tomo um minuto para respirar profundamente, Alícia permaneceu imóvel, observando e esperando uma reação da minha parte.
— Chame-a para um encontro. — Ergo minha cabeça em choque, recebendo uma risadinha dela. Suas longas unhas pintadas de um vermelho vibrante deslizam sobre o nó da minha gravata preta — Um jantar, talvez? Mas faça alguma coisa. Aquela mulher não ficará te esperando pelo resto da vida.
Ofego me afastando para longe. Imagens de Siena nos braços de outro homem me acerta em cheio.
Um inferno que irá!
Eu ignoro as sobrancelhas levantadas de Alicia enquanto caminho em direção à minha cadeira, sentando-me nela.
— Não acho que ela aceitaria. Siena está resignada em me manter longe e respeito isso.
Alicia bufa com um grunhido.
— Semântica. Basta você se esforçar um pouquinho e sorrir, primo. — Solto um suspiro e fecho os olhos por um instante, tentando limpar a emoção que troveja no meu peito.
— Prometo pensar a respeito. — Abro os olhos e, com estas palavras, eu olho para as minhas mãos, onde instintivamente noto a falta da aliança que não está mais no meu dedo.
O primeiro passo já foi dado.
Ela me olha por um momento, acenando com o polegar, fracassando em esconder um sorriso vitorioso crescente em seus lábios.
— Eu vou te deixar trabalhar, mas não demore muito, primo. Só aja e pense na generosa recompensa linda de olhos verdes.
Jogo a cabeça para trás, sorrindo. Meus ombros relaxando com a ideia. Passar um tempo com Siena pode ser um grande negócio.
O dia se arrasta rapidamente e, enquanto dirijo de volta para casa, as palavras de Alicia se afundam em minha mente.
Estaciono o meu carro na garagem e alcanço a minha pasta no banco de trás, com um pouco de sorte, encontrarei Siena na mansão, posso confirmar minha teoria com a visão de Ulisses ao lado do Bentley.
Aceno para ele, sigo para dentro da mansão e, antes que eu possa abrir a porta, ela é aberta e um conjunto de olhos verdes me atinge em cheio.
Siena solta um suspiro suave, recuando lentamente.
— Oi! — Sorrio, dando um passo à frente.
— Oi! — responde com um tímido sorriso. — Hum… eu já estava de saída — avisa com um fraco murmúrio, aproximo-me dela, segurando seu pulso quando ela tenta passar por mim.
— Eu sei. — Acaricio seu pulso, a observando suspirar. Siena olha para mim através dos seus longos cílios de boneca. — Siena, eu… — hesito antes que as palavras deixem meus lábios — gostaria de levá-la para jantar.
Ela arfa baixinho, se retirando do meu toque.
— Senhor MacKenzie… Eu acho que não é uma boa ideia. Não podemos simplesmente deixar as coisas como estão? — Encaro-a momentaneamente, atordoado por sua brutal sinceridade.
Fico atento quando Siena tenta passar por mim novamente, encarando o meu silêncio como uma resposta. Seguro sua cintura e gentilmente empurro-a contra o limiar da porta. Ela solta um suspiro quando fico a centímetros da sua face. Seus olhos arregalados levemente, começando a crepitar em desejo. Eu apenas olho para ela, tentando não sucumbir à irresistível vontade de beijar seus lábios. Sinto minha pulsação acelerar em resposta e suspiro fundo, enterrando minha face na curva do seu pescoço.
Ah… esse cheiro delicioso que me deixa louco!
Inspiro e me afasto, escutando uma ruidosa ingestão de ar que ela deixa escapar. Sorrio levemente, me alegrando em saber que eu a deixo afetada.
— Por favor, aceite o meu convite… — sussurro roçando meus lábios em sua bochecha, apreciando a maciez da sua pele.
Siena espalma as mãos em meu peito e, quando penso que irá me empurrar para longe, ela agarra as lapelas do meu terno e aperta em punhos.
— Ivar… S-enhor MacKenzie… — gagueja. Meu nome escorregando como uma prece dos seus lábios rosados.
Dou mais um passo em sua direção, colando os nossos corpos, agarrando sua nuca e um punhado do seu cabelo.
— É só dizer sim, Siena. É um começo — sussurro. As palavras parecendo se infiltrarem em sua mente à medida que suas pupilas se dilatam.
Inclino-me e pincelo um beijo suave no contorno dos seus lábios, sentindo sua respiração quente resvalando nos meus.
— T-udo bem — responde em um fôlego só.
Sorrio, admirando um brilho pecaminoso dançar em seus olhos.
Nossos olhos se fixam um no outro enquanto decido o que fazer. Se a tomo em um longo e sedento beijo ou se me afasto e reprimo essa insana vontade.
Siena, então, decidiu por nós, deixando um beijo suave no canto da minha boca, se afastando logo em seguida. Lambo os lábios, cravando os meus dedos em sua cintura, trazendo-a para mais perto. Está nítido que sua proximidade atordoa todos os meus sentidos. ,Beijo a ponta do seu nariz e afasto-me brevemente para encará-la.
— Passo às oito, no seu apartamento.
— Hoje? — Sua voz é um mero sussurro.
Concordo, acariciando um lado do seu pescoço com o polegar.
— Sim. Hoje. — Sorrio e respiro fundo, sentindo a química irresistível e a deliciosa atração causando estragos em mim.