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1327 Palavras
SIENA Anton respira fundo e caminha até a mãe em passos largos, beija o topo da sua cabeça, puxando-a e envolvendo-a em seus braços. Embora seja um momento tão íntimo entre mãe e filho, sinto orgulho dele. No final das contas, ele não é insensível como sempre aparentou ser. — Não condene uma mãe por amar demais, filho. Ele suspira, compreensão brilhando em seus olhos. Anton se afasta, como se estivesse saindo de um transe, e novamente coloca a máscara do incurável cafajeste, seus olhos se arrastando em uma viagem lenta e minuciosa no meu corpo. Balanço a cabeça, reprimindo uma risada quando o vejo lamber o lábio inferior. Os cantos dos seus lábios arqueando-se levemente em um sorriso sugestivo. Josephine limpa a garganta e toca sua face. — Vá trabalhar, filho. Você é o vice-presidente da MacKenzie, não pode chegar no horário que der na telha. Anton solta uma maldição. — Certo — estala com irritação. — Estou indo, então. A MacKenzie Royal precisa de mim — zomba quando alcança a porta, mas antes de ir, ele pisca para mim. Josephine solta um suspiro suave antes de me ter olhando para ela. — Anton é minha constante preocupação. Sempre impulsivo, indiferente. Eu não sei em qual parte do caminho eu perdi aquele garoto travesso, mas leal e atencioso — divaga, parecendo melancólica. — Ele está lá em alguma parte profunda, eu só não consigo acessá-lo. Talvez alguém o faça. — Sua voz diminui enquanto sorri fracamente. Desviando o olhar, Josephine começa a perguntar sobre detalhes da festa. Conto como Leonor Lancaster, a anfitriã da festa, foi gentil e tão agradável, deixo escapar também o encontro de Ivarsen e Ariela, e não passa despercebido o olhar de desgosto de Josephine quando mencionei o seu nome. As horas passam rapidamente e m*l percebo que já estava na hora do almoço até Finn avisar-nos no escritório. Como sempre recebo convite para almoçar com os MacKenzie, mas gentilmente rejeito. Não posso evitar o desconforto que me invade só de pensar em me sentar do lado de Ivarsen, e preciso de mais tempo. Cruzamos algumas linhas e preciso defini-las novamente antes que seja tarde demais. Digo até breve a Josephine e pego um táxi até o meu apartamento, rezando para Aria estar lá e que me faça companhia. Solto um suspiro quando abro a porta do apartamento e o cheiro de comida caseira assalta os meus sentidos, fazendo o meu estômago roncar. Aria desliza seus olhos da frigideira e encontra o meu olhar, um sorriso acolhedor brincando em seus lábios. — Olha só! — exclama, desligando o fogão e lavando as mãos em seguida. — Parece que alguém finalmente enjoou da culinária MacKenzie. Reviro os olhos, tirando meus saltos e empurrando-os para longe. Coloco minha bolsa e chave de casa no aparador da sala, marchando em direção ao grande banquete. Aria levanta uma sobrancelha e empurra-me com um ombro. — O que foi? Ainda frustrada com o gostosão do senhor MacKenzie? Amaldiçoo-me mentalmente por ter desabafado com ela assim que Ivarsen abandonou-me na minha cama. Espalhada, ofegante e completamente frustrada. — Não — grunho, recebendo uma risadinha irritante dela. — Sei… Eu aperto meu queixo, me xingando por entrar na sua provocação. Tinha me esquecido como Aria pode ser uma c****a quando quer. E, nesse momento, ela quer me ver confessar que sim. Estou horrivelmente frustrada e quero muito Ivarsen desbravando minhas curvas debaixo dos meus lençóis. Merda! O olhar em sua face quer dizer que ela sabe exatamente o que eu estou pensando. Eu sou uma batalha perdida. Me concentro no cheiro delicioso da sua comida e não nos seus olhos espertos me julgando. Que bela amiga Aria está me saindo! — Eu sei que está chateada com ele, mas, no fundo, você sabe o que aconteceu. Ele se sentiu atraído e, ao mesmo tempo, isso o assustou. — Finjo desinteresse enquanto Aria prova seu ponto, mesmo sabendo que ela tem razão. — Ele está em sua própria batalha interna, você só terá que ter paciência. — Respiro fundo, soltando uma risada nervosa. — Ele não é mais o meu negócio. — Ela para de falar e me encara, confusão reluzindo na sua face. — Não estou mais nisso. Acordo, seduzi-lo… tudo isso ficou para trás. — Mas… — Acabou, Aria. Não quero machucar Ivarsen. A vida já fez isso para ele. Quando for a hora do seu coração se abrir para alguém, ele saberá. Ouço seus passos vindos em minha direção e, em silêncio, ela me puxa para os seus braços com um suspiro profundo. — Bem, então, o que fará agora? Voltará à velha rotina? Nego, mordendo o lábio inferior. Aria se afasta, mas suas mãos continuam descansando sobre os meus ombros. — Josephine quer que eu continue trabalhando para ela como sua assistente — explico, e Aria pisca, um sorriso lento desenrolando-se em seus lábios. — Você aceitou? — Concordo com um aceno de cabeça. — Mmm… — murmura, se afastando e começando a arrumar metodicamente os talheres e pratos sobre a mesa. Ajudo-a com uma sobrancelha levantada. — Quê? — Indago, e Aria apenas solta uma risadinha, dando de ombros. — Nada. Eu só acho que sua frustração s****l não durará muito tempo. Abro e fecho a boca, as palavras na ponta da língua pronta para serem ditas. — Siena, vai por mim. Ivarsen ficou assustado com a química explosiva de vocês. Ele certamente se sentiu traindo a memória da sua falecida esposa, mas, p***a! O cara está vivo e tem sangue quente correndo em suas veias, não vai demorar muito para ele perceber isso, afinal, você deu-lhe um bom gosto, não? — Eu inclino minha cabeça, tentando descobrir exatamente onde ela quer chegar. — Não precisa responder. No fundo, você sabe que eu estou certa e é por isso que decidiu recuar e aceitar a segunda oferta de Josephine. Mentir para mim está tudo bem, amiga, mas mentir para si mesma quando sabe que há algo fervendo aí dentro? — Ela estende a mão e segura as minhas por cima da mesa, apertando-as suavemente. — Permita-se um pouco. Sei que há cicatrizes aí dentro, mas a vida é tão curta, certo? — Desde quando ficou tão sábia? Ela levanta as sobrancelhas, com um sorriso convencido nos lábios. — É para isso que servem as boas amigas, afinal. Eu suspiro alto. O papo com Aria se estende enquanto comemos e, após uma hora, estou de volta na mansão dos MacKenzie. Encontro Paige e Adelaide na piscina, e a pequena pestinha consegue me envolver em sua teia. — Siena, papai prometeu me levar para a casa de praia no verão. Você quer ir? — Arregalo os olhos, pega de surpresa por seu convite, enquanto Adelaide tenta segurar o riso, falhando miseravelmente. — Paige, eu… não posso — respondo, tomando um fôlego. Paige inclina a cabeça, olhando-me com um olhar suplicante, tornando difícil manter a minha resposta. — Por favor, Siena! Adelaide também irá, a vovó. Será legal. — choraminga. Seus olhinhos azuis brilhando em expectativa. Olho para Adelaide em busca de ajuda, e ela apenas dá de ombros. — Princesa… — Toco sua bochecha gentilmente, brincando com uma mecha solta do seu cabelo loiro. — Eu sinto muito. Mas não dá, tenho alguns compromissos em Nova Iorque. — Ela suspira alto, decepção inundando seus olhos enquanto os leva para baixo. — Por favor, não fique chateada comigo… — peço, tocando sua mão. Meu coração afunda no peito por trazer sombras de tristeza para seu rostinho bonito. Adelaide balança a cabeça e sussurra: — Não se preocupe, ela não consegue ficar brava com alguém por muito tempo. Sorrio tristemente. Levanto-me da beirada da piscina, observando Paige se afastar na sua pequena boia de flamingo rosa. Desculpe, pequena. Sussurro internamente. Ficar em uma praia com seu pai não é um bom negócio. Mesmo com plateia. É deliberadamente arriscado. Continuo divagar, andando para dentro da mansão, à procura de Josephine.
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