“Nunca despreze as pessoas deprimidas.
A depressão é o último estágio da dor humana.”
Augusto Cury
Suzume entrou no quarto de Catarina e se deparou com a amiga desmaiada na cama, seminua.
— Cata, por favor, Cata, fala comigo! — a morena gritava e sacudia o corpo da amiga desacordada. James estava com os olhos arregalados, observando a cena estático. Ele olhou para a mão da garota e percebeu que ela segurava um frasco de comprimidos vazios.
— James, pelo amor de deus! Chame uma ambulância, urgente! — gritou Suzume retirando o frasco das mãos da amiga.
James saiu correndo para pegar o telefone e cruzou com Christopher, que encarava tudo assustado. Ele correu até o quarto da garota e viu Suzume tentando carregar a amiga nos braços. O mais velho se aproximou de imediato, segurando o corpo de Catarina. Suzume se assustou, mas suspirou aliviada ao ver o homem.
— Suzume, ligue o chuveiro, precisamos induzir o vômito. — diz o homem pálido seriamente.
A morena correu até o box, fazendo o que ele havia pedido. Christopher carregou o corpo de Catarina nos braços e colocou embaixo do chuveiro. Suzume levou o dedo até a garganta da amiga, estimulando-a ao vômito e sussurrou no ouvido da amiga:
— Você não vai morrer, amiga, eu prometo!
James retornou ao quarto e disse, ainda em choque pela situação:
— Eles… estão a caminho.
Catarina começou a vomitar para o alívio de todos. A loira permanecia meio-sonolenta, mas estava consciente. Abriu os olhos azuis e pode ver a sua amiga ao lado. Suzume parecia aflita. Sorriu fraco, mas nada falou. A morena encarou as orbes azuladas da amiga e disse:
— A sua boba, por que fez isso? — falou chorando. — Vai ficar tudo bem, eu prometo! — dizia a morena abraçando ainda mais o corpo da amiga, que sorriu. O serviço de emergência acabava de entrar no quarto. Os paramédicos se aproximaram de Catarina para examiná-la, enquanto ela observava tudo, ainda tentando processar o que acontecia. Antes de desmaiar novamente, a loira reparou a presença de mais alguém dentro do quarto. O homem pálido de olhos azuis conversava com o médico. Seu semblante, que sempre fora gentil, estava tenso. Catarina os via conversando de longe, e mesmo que não conseguisse entender o que estava sendo dito, a expressão de Christopher lhe dizia mais do que o necessário. Só podia estar morrendo, ele nunca estaria ali. — pensou, e sem mais demora, se entregou novamente à escuridão. Suzume olhou para a amiga assustada e vociferou: — Cata, Cata… pelo amor de deus, alguém faça alguma coisa!
O médico se aproximou e os paramédicos já tinham a posicionado sobre a maca. Depois de uma rápida avaliação, o socorrista se dirige a Suzume e a Christopher, dizendo:
— Não se preocupem. Vocês fizeram certo em induzir o vômito. Mas precisamos levá-la ao hospital, onde será feita uma lavagem estomacal com carvão ativado para remover qualquer resquício da medicação que tenha sido absorvida.
Suzume chorava copiosamente. Ela estava preocupada com a amiga. Christopher desviou o olhar para onde estava Catarina. A loira já estava sendo assistida e se encontrava dentro da ambulância. O mais velho passou a mão nos cabelos e suspirou fundo. Por fim, se dirigiu ao médico, perguntando:
— Existe algum risco, doutor?
Suzume arregalou os olhos e encarou o homem de jaleco branco, aflita.
— O pior já passou.
Os dois suspiraram aliviados.
— Vamos dar continuidade aos procedimentos no hospital e ela deverá permanecer na unidade de terapia intensiva, pelo menos por 24 horas.
— El-ela vai ficar bem, doutor? — perguntou Suzume, chorando.
— Sim. Ela vai. Quem são os responsáveis por ela? Precisamos de alguém para assinar os documentos e explicar os procedimentos que serão feitos.
— Ela tem um tio que está na Rússia, posso entrar em contato com ele e…
— NÃO! — gritou Suzune irritada. — Eu vou ligar para a minha madrinha, doutor, ela vai assinar. Somos como irmãs. — disse a morena com os olhos vermelhos. Christopher ficou surpreso com a reação de Suzume, mas achou melhor não dizer nada, pelo menos por enquanto.
— Vamos levá-la ao Massachusetts General Hospital. Nos encontramos por lá. — disse o médico encarando os dois já se dirigindo à ambulância.
— Suzume, vamos no meu carro. — falou Christopher para a morena que respondeu de imediato:
— Não. — Correu para próximo do médico e perguntou aflita: — Doutor, por favor, deixe eu ir com ela na ambulância. Se ela acordar e me ver ao seu lado, vai ficar mais tranquila.
O homem mais velho encarou as orbes azuis da garota e sorriu. Fazia tempo que não via uma amizade assim, tão forte. Sorriu para a menina e disse:
— Tudo bem, pode vir conosco.
— Obrigada. — virou para Christopher e disse: — Nos encontramos no hospital.
Christopher meneou a cabeça em concordância e saiu de casa, a caminho do hospital.