“Quando as palavras não saem, as lágrimas falam por você.”
Lady Gaga
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Estados Unidos
Massachusetts, Boston
Bunker Hill Community College
Noite de Formatura
[ 23:25 p.m]
— Suzi, minha princesa, você está ainda mais linda!
Dizia o moreno de olhos azuis encarando Suzume que sorria sem graça. Kalebe foi professor de inglês de Suzume por uns meses. Assim que a garota veio do Japão para a América, precisava estudar mais ainda o idioma, e sua madrinha contratou o homem mais velho para lecionar aulas particulares. Porém, eles acabaram vivendo um romance secreto e proibido que, infelizmente, não deu certo. Não por causa do mais velho, mas porque Suzume não estava disposta a abrir o seu coração. Então, de uma hora para outra, ela deu fim a tudo, e quebrou o coração do mais velho.
— Obrigada, Kalebe, você também está muito bonito. — disse sorrindo.
O homem se aproximou levando o braço até a cintura da morena, puxando o corpo pequeno para próximo de si, e sussurrando no seu ouvido, disse:
— O que acha de matarmos um pouco a saudade dos velhos tempos?
Suzume levantou a mão e colocou sobre o peito do mais velho, afastando-o e sussurrou de volta:
— Uma proposta tentadora, devo confessar… — se afastou dando uma piscadela e retirando o braço do homem de sua cintura. — Quem sabe um dia desse? Kalebe suspirou, derrotado, e disse:
— Vou esperar ansioso…
Suzume sorriu e de repente, sentiu falta de Catarina. Desde o fim do seu discurso, estava a sua procura, mas sempre que ia ao seu encontro, alguém esbarrava em si e a atrapalhava. Buscou novamente pela a amiga com os olhos, não a encontrando. Virou para Kalebe e disse:
— Kalebe, foi maravilhoso rever você, mas preciso ir. Nos vemos por aí. — disse saindo do local dando as costas para o mais velho que apenas observou a morena linda ir embora.
Suzume procurou exaustivamente pela amiga. Foi nas mesas dos outros formandos, procurando saber se alguém a tinha visto. Sentiu um frio percorrer a espinha com um pensamento que teve. Correu até a sua mesa, onde seus padrinhos conversavam animados com um casal de amigos.
— Estamos muito orgulhosos da Suzume. Ela, na verdade, é como uma filha para nós dois. Ver que nossa garotinha cresceu e em breve estará andando com suas próprias pernas, é emocionante e gratificante. — dizia Emily enxugando as lágrimas que teimam em cair de seus olhos esverdeados. — Olha ai, nossa futura psicóloga aqui! — diz a tia com um sorriso largo nos lábios.
Suzume sorri envergonhada, cumprimenta a todos na mesa e pergunta a madrinha:
— Madrinha, você viu a Catarina?
Emily percebe o semblante aflito da afilhada, e se preocupa de imediato. Se aproxima devagar e sussurra:
— Aconteceu alguma coisa, meu amor?
Suzume encara as orbes verdes da madrinha preocupada. Ela suspira fundo e com um sorriso nos lábios responde:
— Não, dinda, deve estar tudo bem. Ela deve ter ido para casa, vou até lá. Não retornarei para casa hoje, tudo bem?
— Claro, minha princesa, vai lá e fica ao lado dela!
— Amo você, dinda! — Se aproxima da madrinha lhe beijando o rosto.
— Também amo você, meu amor!
Suzume se despede do padrinho e de todos. Sai correndo até a área externa da faculdade com o telefone nas mãos, já solicitando um uber. Em alguns minutos, o carro chega e ela entra no veículo, indo até a residência da amiga. Suzume pegou o celular e começou a discar o número da amiga, insistentemente, chamava, e caía na caixa postal. Catarina sempre atendia as suas ligações, isso não era nada bom. Dentro de si, ela estava com medo. Quando estava discursando, olhou nos olhos da amiga, e reconheceu aquele olhar opaco e vazio. Sentiu um frio percorrer a espinha, com o rumo que seus pensamentos seguiam. Orava baixinho, pedindo a Deus, que sua amiga não fizesse nenhuma bobagem. Levou a mão até o colar no seu pescoço, e apertou. Fechou os olhos disse a si:
— Mamãe, protege a Catarina, por favor…
— Chegamos, senhorita. — disse o motorista parando em frente da grande mansão.
— Obrigada.
Suzume desceu do carro correndo. Estava aflita, sabia que Maria não estaria em casa, iria dormir com a afilhada que tinha tido um bebê. Correu até o portão principal, e retirou da bolsa, a chave com um chaveiro de ursinho. Colocou na fechadura, e de repente o alarme tocou. Suzume ficou tão nervosa que não conseguia digitar a senha para fazer com que o alarme parasse de soar.
— Deus, me ajuda!
Tears In Heaven
Would you know my name
if I saw you in Heaven?
Would it be the same
if I saw you in Heaven?
Lágrimas no Paraíso
Você saberia meu nome
Se eu o visse no paraíso?
Seria o mesmo
Se eu o visse no paraíso?
Depois de alguns segundos, ela se acalmou e digitou a senha tão familiarizada por ela. Entrou na casa, e percebeu que apesar do barulho, tudo permanecia silencioso. Sentiu ainda mais medo. Saiu correndo até o quarto de Catarina e percebeu que a porta estava trancada. Sem hesitar, começou a esmurrar a porta e a gritar desesperadamente:
I must be strong and carry on,
'Cause I know
I don't belong
Here in Heaven.
Eu devo ser forte e seguir em frente
Porque eu sei
Que não pertenço
Aqui ao paraíso.
Would you hold my hand
if I saw you in Heaven?
Would you help me stand
if I saw you in Heaven?
I'll find my way
through night and day,
'Cause I know
I just can't stay
Here in Heaven.
você seguraria minha mão
Se eu o visse no paraíso?
Você me ajudaria a ficar em pé
Se eu o visse no paraíso?
Encontrarei meu caminho
Pela noite e pelo dia,
Porque eu sei
Que não posso ficar
Aqui no paraíso
— CATARINA, ABRE A PORTA, AMIGA, POR FAVOR! CATARINA, CATARINA, SOU EU, AMIGA, SUZUME!
Silêncio
Quanto mais Suzume esmurrava a porta, menos ela obtinha respostas. As lágrimas já caiam de seu rosto e suas mãos já estavam vermelhas de tanto bater na porta. Quando tudo parecia perdido, James, surge assustado e pergunta:
— Senhorita Suzume, aconteceu alguma co….
— James, pelo amor de deus, arrombe essa porta agora mesmo!
Time can bring you down;
Time can bend your knees.
Time can break your heart,
have you begging please,
Begging please.
O tempo pode te derrubar,
O tempo pode te fazer ajoelhar.
O tempo pode quebrar seu coração,
Você implora por favor
Implora por favor.
Beyond the door
there's peace I'm sure,
And I know
there'll be no more
tears in Heaven
Além da porta
Existe paz, tenho certeza,
E eu sei
Que não haverá mais
Lágrimas no paraíso.
O jardineiro encara a garota e percebe o medo nos seus olhos. Se aproxima e dá um chute na porta, a derrubando no mesmo momento. Suzume entra no quarto, e busca por Catarina com os olhos, e a cena que vê, a leva ao passado… um passado que ela por muito tempo desejou esquecer.