“A depressão é uma prisão em que você é tanto o prisioneiro como o carcereiro cruel.”
Dorothy Rowe
Suzume e Catarina tinham se tornado melhores amigas. Durante esses três anos de amizade, uma foi o alicerce da outra. Enquanto a loira era tímida e retraída, a morena era exatamente o seu oposto.
Catarina precisava da vitalidade e da alegria de Suzume.
Já a morena precisava do bom senso e da calmaria de Catarina.
Existiram momentos difíceis, em que a loira não ficava bem. Mas Suzume sabia exatamente o que fazer para levantar o astral da amiga.
Durante esses três anos, Hannah, vivia viajando e arrumando desculpas para ficar distante da filha. Catarina vivia cercada pelos empregados da casa. Maria, a governanta que mais parecia uma avó, sempre esteve ao lado da garota, desde a morte de Noah, seu pai.
Albert, o motorista, sempre conversava com a garota, e tentava fazê-la sorrir. Trabalhava com o pai de Catarina, desde antes do loiro casar com Hannah. O mais velho, tinha um carinho pela garota, e vê-la sofrer era doloroso demais para ele.
Tinha também James, que era o jardineiro. O jovem era doce e gentil, e todas as manhãs presenteava a loira com um lindo lírio branco. As suas manhãs eram sempre mais coloridas depois desse lindo gesto.
Mas quem foi primordial na vida de Catarina, durante esses três anos, foi Suzume. A morena sempre estava ao lado da amiga nos momentos mais difíceis e isso criou laços ainda mais fortes entre elas.
Laços, que não eram de sangue, mas eram fortes e solidificados.
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Estados Unidos
Massachusetts, Boston
Bunker Hill Community College
Formatura
[ 20:45 p.m]
Catarina acabava de chegar. Estava nervosa e ansiosa. Era um dia importante na sua vida, e mesmo que, dentro de si, algo lhe dizia que a sua mãe não iria comparecer, ela ainda tinha esperanças do contrário. Caminhou devagar e sorriu ao ver a mesa da melhor amiga. Suzume estava deslumbrante. Usava um vestido vermelho que tinha ganho de presente dos padrinhos. Quando Suzume viu a amiga chegar, encarou a loira e saiu correndo ao seu encontro. Catarina gargalhou ao ver a amiga baixinha correndo de saltos.
— Ei, maluca! cuidado para não cair. — disse a loira recebendo um abraço apertado da amiga.
— Está para nascer o dia que Suzume Nishimura vai cair do salto amiga! — Disse se afastando do abraço. — Cata, você está maravilhosa!
A loira sorriu corando em seguida. Os seus tios, Emily e Adam, logo se aproximam com um sorriso estampado no rosto e completam:
— Catarina, minha querida, está linda!
Disse a sua tia, rodopiando a sobrinha. A morena ruborizou para a surpresa de Catarina, que nunca tinha visto a amiga nesse estado.
— Obrigada, tia Emily, você também está maravilhosa!
O moreno de olhos verdes também se aproxima sorrindo e sussurra:
— Vocês são as garotas mais lindas daqui!
Catarina e Suzume retribuíram o sorriso. Suzume se aproximou do padrinho e beijou o seu rosto dizendo:
— E você é o homem mais lindo, tio Adam!
Por uma fração de segundos, Catarina buscou com os olhos as cadeiras que foram destinadas aos seus familiares. Quando percebeu que não tinha ninguém lá, sentiu o coração sangrar. — Eles não vem! — Pensou. Controlou a vontade de chorar e se recompôs. De fato, agora, era adulta e precisava entender de uma vez por todas que estava sozinha no mundo e deveria aprender a andar com suas próprias pernas.
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O auditório estava todo ornamentado. A decoração estava belíssima, tudo tinha sido escolhido pelos alunos com muito carinho. A música escolhida como tema foi “Viva la Vida" de Coldplay, que descreve uma nova jornada de amadurecimento e descobrimentos. Catarina observava tudo vislumbrada. No momento que seu nome foi chamado, hesitou em subir ao palco, mas como sempre, Suzume a incentivou e deu início a uma salva de palmas e comemorações, ao descobrir que a sua amiga tinha sido a aluna laureada da turma. Catarina sorriu e não conseguiu conter as lágrimas. Naquele momento, desejou que a pessoa que mais amava estivesse ali. Mas, no fundo, ela sabia que o seu pai estava feliz e orgulhoso por ela. Ao receber a láurea, Catarina fez um discurso singelo, mas cheio de sentimentos que fez todos se emocionarem com as suas declarações, e claro, Suzume, estava ao seu lado, segurando a sua mão e a incentivando a continuar.
Chegou o momento da sua amiga subir ao palco.
A loira analisava a empolgação da amiga, que tinha sido convidada para ser a oradora da turma por causa do jeito comunicativo e escandaloso que tanto cativou seus colegas e professores ao longo desses anos. Suzume iria fechar a noite com o discurso final. Catarina estava feliz pela amiga. Conhecia toda a sua história e o real motivo de sua vinda para a América há três anos. Estava feliz, por saber que Suzume tinha conseguido, assim como ela, realizar o sonho de concluir o ensino médio e ser aceita na universidade de Harvard. Mesmo com todas as dificuldades, elas chegaram até o fim. Olhou para os padrinhos de Suzume, e por um minuto, se sentiu m*l.
Sentiu inveja… não da felicidade da amiga, mas, naquele instante, trocaria toda a sua fortuna para ter ao lado alguém que se importasse de fato com ela. Pois, naquele momento, naquela noite, ela tivera apenas a comprovação do que já sabia:
Que estava sozinha no mundo.