“Não ache que todas as pessoas engraçadas têm uma vida feliz, uma bela risada pode ser um choro na alma.”
Autor Desconhecido
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Estados Unidos
Massachusetts, Boston
Bunker Hill Community College
Três anos atrás
Catarina tinha acabado de chegar à sua nova escola. Um misto de sentimentos tomava posse de si. Estava temerosa, ansiosa, eufórica, animada e tensa. Suspirou fundo e se despediu de seu motorista, Albert. Apertou o caderno nos braços e entrou. Sabia que tinha que ir até a coordenação, onde pegaria a grade de disciplinas, os quadro dos professores e os números das salas. Estava tão distraída, que quase deixou os livros caírem no chão, quando teve seu ombro esbarrado por uma outra garota.
— Des-desculpe, mas preciso correr…
Disse a morena baixinha que passou por ela como um furacão. Catarina sorriu e pensou: — Que maluca!
Quando chegou na secretaria, sorriu ao ver uma pequena discussão que acontecia no ambiente e envolvia uma baixinha de cabelos negros. A mesma garota que tinha esbarrado no corredor. A menina tentava convencer a professora de que precisava ficar na turma 365, pois tinha uma professora com quem queria muito ter aula, mas a mais velha parecia não gostar da ideia de mexer no itinerário dos estudantes recém matriculados.
— Por favor, senhorita Clarice. Eu preciso ter aula com ela. A professora Manuela é alguém a quem eu admiro muito. Eu tenho todos os seus livros e sou uma grande fã do trabalho dela, assim como sou do trabalho da senhora. Por favor, reconsidere. — dizia a morena encarando a mais velha com o olhar pidão.
A Professora percebeu o quanto a garota estava nervosa e deduziu que isso deveria estar sendo muito difícil e importante para ela. Sorriu e se deu por vencida, acatando seu pedido.
— Tudo bem senhorita, Suzume, espero não me decepcionar com você!
— Obrigada, senhora Clarice! Prometo que serei a melhor aluna da sala e lhe darei muito orgulho. — Ela sorriu gentil e se virou, se deparando com a loira que tinha esbarrado no corredor. Sorriu largo e se aproximou da garota, já dizendo:
— Olá, desculpe por quase te derrubar. Mas quando eu vi que o meu nome não estava na lista da professora Manuela, eu surtei. Se bem que eu surto por qualquer coisa. — disse a morena sorrindo largo. — Catarina sorriu de volta. — Meu nome é Suzume Nishimura, tudo bem? Catarina apertou os livros contra o peito e disse:
— Catarina Fiori. Também sou uma grande fã dos trabalhos da Professora Manuela. Você também veio de outra escola? — perguntou a loira com um sorriso nos lábios.
— Sim, vim do Japão morar com os meus padrinhos, estou determinada a tentar uma bolsa para Harvard, para cursar psicologia.
Catarina sorriu largo e disse:
— Uau , que coincidência, também é o curso que eu desejo! — Suzume sorriu largo. — Conseguiu ficar na turma 365?
— Parece que sim. — disse a morena caminhando ao lado da nova amiga.
—Também sou dessa turma! Vamos ver o quadro de horários? Acho que já tem aula agora, viu? Vamos lá. — disse Catarina empolgada.
Suzume sorriu e as duas foram em direção a sala de aula.
Na sala de aula, depois de todas as apresentações, Suzume era uma garota bem extrovertida e animada, e já tinha chamado a atenção de muitos garotos, assim como a Catarina, que apesar de mais tímida, era doce e gentil, sem contar que as duas eram muito bonitas. Catarina sentiu o coração aquecer e um sentimento gostoso surgir dentro do peito. Era o início de uma linda amizade.
Uma amizade que suportaria tudo.
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Estados Unidos
Boston, North End
Dias atuais
— Nem invente, Catarina, de desistir de ir a formatura com aquele vestido! — disse a morena se sentando na cama da amiga.
— Suzi, ele é um tanto revelador. Não sei se vou ficar à vontade nele… — disse a loira abraçando o urso de pelúcia e se encostando na cabeceira da cama. Suzume se levantou ficando de pé diante da amiga, colocou as mãos na cintura e vociferou:
— Nada disso, mocinha! Você vai com ele sim! Onde já se viu? O vestido está lindo em você! Tenho certeza que o Sam quando te ver usando ele, vai surtar! — disse Suzume mordendo os lábios de maneira insinuante. Catarina corou e encarou a amiga dizendo:
— Céus, Suzi! Onde você tirou isso? Pelo amor de Deus!
Suzume se jogou na cama da amiga, deitando do seu lado e a abraçando e começou a dizer:
— Eu vejo bem a forma que ele olha para você: como um bobo! Ah amiga, ele é fofinho! você devia dar uma chance para ele. — disse Suzume fazendo um biquinho fofo para a amiga.
— Eu gosto do Sam… mas como amigo, apenas como isso! Suzume mordeu os lábios e se sentou na cama da amiga, puxando o urso de seus braços e dizendo:
— Sei… isso tudo por causa de um certo moreno de olhos castanhos…
Catarina corou.
Suzume era a única que sabia do amor platônico da amiga pelo amigo de seu pai. O homem era dez anos mais velho que ela. Catarina sempre foi apaixonada por ele desde moleca.
Christopher Torrence era um homem gentil, carismático e muito bonito, claro. Mas sempre olhou para ela como uma garotinha, filha do seu padrinho. Depois da morte de Noah, ele sempre visitava Catarina e procurava saber se ela estava bem. Segundo Suzume, era nítido que o moreno retribuía os sentimentos da amiga.
— Suzi, sua louca, fala baixo! — disse Catarina atirando o travesseiro na amiga.
— Sei, tenho certeza que se o Christopher te ver usando esse vestido, ele vai perceber o mulherão que é você! — Suzume roubou o ursinho dos braços de Catarina, o abraçou e disse:
— Ah, Christopher! Me beija, por favor… eu sou louca por você e preciso que me beije ardentemente! — Suzume começou a beijar o urso e Catarina começou a gargalhar da amiga.
— Suzi, por Deus! — disse Catarina corando.
— Esse seu bumbum na calça social me deixa louca! — disse revirando os olhos.
— SUZUME, PELO AMOR DE DEUS! — Catarina respondeu levando a mão até a barriga. Sua amiga não tinha um pingo de noção.
— Ah, amiga, vai por mim! Suzume Yukimura tem sempre razão. — Catarina tomou o urso de pelúcia de volta dos braços da amiga e disse:
— Isso é coisa da sua cabeça. O Christopher é gentil, apenas. — disse corando e suspirando fundo. Suzume se aproximou sorrindo da amiga e sussurrou:
— Ele te olha diferente. — Catarina encarou os olhos azuis da amiga. — Não é coisa da minha cabeça, até a Maria já percebeu isso! Catarina corou e arregalou os olhos envergonhada e respondeu:
— Pelo amor de Deus, Suzume, para de falar bobagem!
—Tudo bem, não está mais aqui quem falou. Depois, você vai dizer que eu tenho razão. Agora, vamos indo, temos horário marcado no salão às 15:00 horas e não adianta dizer que não vai comigo! — falou Suzume puxando Catarina pelos braços, que sorriu para a amiga.