O amanhecer tingia o horizonte com tons de cinza e prata, mas nada na paisagem anunciava paz. As montanhas ao norte de Eryndor não eram mais apenas pedras antigas e frias; agora, elas pulsavam com uma energia escura que se infiltrava pelo vento e pelo chão, tocando tudo que ousasse se aproximar.
Lucian estava em pé na muralha norte, os olhos dourados atentos a cada movimento. Soldados corriam de um lado a outro, tentando reforçar as barreiras mágicas que isolavam o castelo. Mas ele sentiu algo mais. Um cheiro metálico, azedo, misturado à poeira da terra — a energia corrompida se aproximava mais rápido do que poderiam conter.
Isla! — chamou, a voz firme, mas carregada de preocupação. Fique atrás das linhas de defesa!
Mas Isla já estava à frente, os cabelos prateados refletindo a luz da lua que ainda brilhava parcialmente no céu. Seus olhos eram duas luas inteiras, brilhando com uma intensidade que até os soldados mais experientes não ousavam encarar.
Eu não posso ficar parada, Lucian — respondeu, a voz calma, mas carregada de determinação. Se essa energia continuar, não haverá defesa que nos salve.
Lucian respirou fundo, seu coração apertando. Ele conhecia o temperamento dela, mas algo naquela aura... era diferente. Mais intensa, mais urgente.
Então vamos juntos. Mas esteja pronta. — Ele estendeu a mão, e ela a segurou firmemente. O contato entre eles fez a energia da marca em seus p****s pulsar, uma centelha prateada e dourada que começou a se espalhar ao redor.
O primeiro ataque veio como uma sombra viva. Lobos da f***a, maiores e mais distorcidos do que qualquer ser natural, emergiram das encostas da montanha. Seus olhos eram esferas prateadas, mas corrompidas, e seus uivos eram um eco distorcido que fazia os guerreiros tremerem.
b Soldados! — gritou Lucian. Formem a linha! Protejam o castelo!
Isla avançou ao lado dele. Sua mão se levantou, e uma onda de luz prateada saiu dela, atingindo o primeiro grupo de lobos corrompidos. O impacto fez a criatura urrar e recuar, mas não desaparecer.
Eles não são simples lobos! — ela gritou. Essa energia os controla!
Lucian brandiu a espada, cortando através da sombra que avançava. Cada golpe era acompanhado por um estrondo de energia, reflexos de prata e dourado que deixavam o campo de batalha quase cegante.
Isla sentiu seu coração bater mais rápido. Havia algo diferente na energia que ela liberava: não era apenas destruição, era também comando e purificação. Mas quanto mais usava, mais difícil era controlá-la. Seu corpo tremia com a força liberada, e seu vínculo com Lucian ardia intensamente, como se a própria vida dele dependesse daquele poder.
Lucian! — ela gritou, sentindo a energia pressionar dentro dela. Não posso conter tudo sozinha!
Ele correu para o lado dela, colocando uma mão sobre a sua, compartilhando a energia do vínculo. Imediatamente, um escudo de luz prateada e dourada se formou ao redor deles, repelindo a massa de lobos corrompidos que avançava.
Confie em mim! — ele gritou, a voz firme. Confie no vínculo!
O impacto foi devastador. A energia liberada por Isla e Lucian juntas fez a f***a tremer, pequenas pedras se soltarem das encostas e os lobos corrompidos cambalearem para trás. Mas eles não foram destruídos. Alguns caíram, outros recuaram e, em seguida, voltaram ainda mais ferozes, como se a corrupção estivesse aprendendo com cada ataque.
Isla respirava com dificuldade. O poder que ela sentia não era apenas dela; era como se a própria Deusa tivesse deixado uma centelha para guiá-la, e aquela centelha estava viva, buscando manifestar-se plenamente.
Lucian… — ela murmurou, a voz entrecortada. Está vindo algo maior… algo que não posso enfrentar apenas com força.
Ele a olhou nos olhos, vendo o medo e a determinação se misturarem.
Então vamos enfrentá-lo juntos. Sempre juntos.
E naquele instante, algo emergiu da f***a. Maior que qualquer lobo, maior que qualquer sombra — uma presença que parecia feita de prata líquida e sombra sólida ao mesmo tempo. Cada passo seu deixava marcas incandescentes na neve e pedra, e cada movimento fazia o chão tremer.
Isla sentiu uma pontada de terror misturada com poder. A Deusa havia falado sobre compreender a sombra, e agora a sombra estava diante dela, viva e consciente.
Lucian avançou, espada em riste.
Fique atrás de mim!
Mas Isla não recuou. Ela sentiu o vínculo pulsar, e algo dentro dela se liberou. Runas antigas apareceram em seus braços e pescoço, luzes que giravam e se entrelaçavam com a energia da Deusa ainda pulsando dentro dela.
Venha! — gritou, e a energia explodiu em um arco devastador, atingindo a criatura.
O monstro cambaleou, rugindo, mas não caiu. Ele ergueu uma garra que parecia feita de sombra líquida, e uma onda de energia n***a disparou em direção ao castelo.
Lucian lançou-se à frente, bloqueando a onda com sua espada. A explosão resultante enviou ambos para trás, mas Isla se levantou rapidamente, a respiração pesada, os olhos brilhando com prata viva.
Lucian! — ela gritou. Precisamos combinar nossos poderes!
Ele assentiu, correndo até ela. Unidos, eles concentraram a força do vínculo, uma explosão de energia pura que se espalhou pelo campo de batalha. Os lobos corrompidos uivaram, cambalearam e começaram a recuar, incapazes de suportar a luz da união deles.
Por um momento, a batalha parecia ganhar vantagem. Mas a sombra maior não recuou. Olhos prateados e escuros os encaravam, como se estudassem cada movimento, cada falha.
Isla respirou fundo. Ela podia sentir algo dentro dela, uma centelha que ainda não havia se manifestado completamente. Ela fechou os olhos, visualizando a luz da Deusa da Lua envolvendo seu corpo, seu coração, seu espírito.
Lucian… confie em mim — ela murmurou.
Sempre! — ele respondeu.
Então, em um instante, a energia dentro dela se tornou líquida, maleável, dançando à sua vontade. Ela liberou uma onda concentrada de luz, pura e poderosa, que atingiu a sombra com força total. A criatura rugiu, cambaleou e finalmente recuou, desaparecendo de volta na f***a, deixando apenas ecos de sombra e um rastro prateado na neve.
O silêncio caiu sobre o campo de batalha. Soldados e lobos feridos, mas vivos, respiravam pesadamente. Lucian e Isla se apoiaram um no outro, exaustos, mas conscientes de que aquela vitória era apenas temporária.
Isso foi… — Lucian começou, olhando para ela com olhos cheios de admiração incrível. Você… você realmente é a filha da Deusa.
Isla sorriu fraca, mas satisfeita.
Não sozinha. Nunca sozinha.
Eles se entreolharam, compartilhando o vínculo que agora queimava mais forte do que qualquer magia. A conexão não era apenas amor — era força, era defesa, era a própria essência de Eryndor pulsando entre eles.
Mas enquanto se recuperavam, Isla sentiu algo novo: um sussurro, não da Deusa, mas algo mais antigo, mais sombrio, ecoando da f***a que ainda respirava.
Lucian… — ela disse, a voz baixa. Isso ainda não acabou.
Ele segurou sua mão, os dedos entrelaçados firmemente.
Então enfrentaremos juntos. Sempre.
E enquanto o sol nascia lentamente sobre as montanhas corrompidas, o reino de Eryndor sabia que o verdadeiro teste de poder, coragem e amor ainda estava por vir.
A sombra ainda existia.
A f***a ainda pulsava.
E o vínculo entre Isla e Lucian acabava de se tornar a única esperança real para proteger o reino.