Eu já estava aqui na porta da faculdade para começar o meu dia.
Markos como sempre estava dentro do carro. Assim que me viu abriu um enorme sorriso, e eu sem poder disfarçar, também sorrir largamente para ele. Ele fez um coração com as mãos para mim e eu olhei para todos os lados e mandei um beijo para ele. O mesmo fingiu pegar e colocou em seu coração. Sorriu mais com isso. Dou tchau para ele e entro na faculdade.
Eu estava nas nuvens. Estava feliz pelo final de semana maravilhoso.
Entrei na sala e me sentei em meu lugar. Tirei meu caderno da bolsa e fiquei esperando o professor chegar. Suspiro, porque eu quero está do lado dele. Quero poder fazer esse final de semana se tornar mais. Ser mais para ele e para mim. Vejo e professor falar algo e volto a realidade, pois não posso perder nada, já que estou final de semestre. Enfim estou vencendo mais um semestre e logo, logo serei uma dançarina formada.
A aula acabou e eu fui para o escritório de Andrew. Ele tinha muitas reuniões com cliente hoje, então queria já começar a preparar tudo para quando eles começarem chegar.
Assim que cheguei à avó de Andrew estava sentada na recepção. Achei que ela ainda estava de repouso.
— Boa tarde, Sra! Como a Sra está? Indaguei colocando minha bolsa na minha mesa.
— Boa tarde, Daniela! Eu estou ótima! Quero te agradecer por ter ajudado meu neto. Ela se levanta e fica me olhando.
— Não foi nada. Espero de coração que a senhora esteja bem mesmo.
— Estou pronta para outra.
— Nada disse, Sra Lana. Eu quero ter minha avó por muitos anos, portanto pode ficar quieta. Andrew aparece. Abraçando sua avó. E o que Sra está fazendo aqui? Não deveria está em casa se cuidando, descansando? Ele indaga olhando firme para ela.
— Eu estou bem, meu menino. Não precisa se preocupar. Eu vim agradecer essa moça linda e também fazer um convite para ela almoçar comigo. Franzo a testa. E Andrew também parece estranhar.
— Almoçar? Ele indagou.
— Sim. Não precisa sentir ciúmes. Você continua sendo meu neto preferido. Ela fala piscando para ele. Então, Daniela, aceita meu convite?
— Eu sou seu único neto vovó. Mas enfim, Daniela, se quiser ir, pode ir.
— Desculpe, mas eu não posso aceitar. Respondo sem jeito.
— Por quê? Já tem compromisso para o almoço? Ela pede meio decepcionada.
— Não, não é isso. Eu tenho algumas coisas para arrumar antes das reuniões do Sr.
— A primeira reunião já é para agora, meu querido? Andrew olha da avó e para mim.
— Não que eu saiba. Temos tempo ainda. Daniela, pode ir. Aproveita.
— Não acho certo. Sei que a Sra está fazendo isso para agradecer pelo que eu fiz pela sra, e já digo que não é necessário. Eu fiz e faria de novo. Espero que ela desista desse convite.
— Te agradeço pelas palavras, mas eu quero ainda sua companhia para o almoço. Vamos? Fico olhando para Andrew me tirar dessa, mas ele está olhando uns papéis em suas mãos.
— Ele não vai te salvar. Sra Lana diz e eu suspiro.
— E ela não vai desistir, Daniela. Bom almoço para vocês. Andrew vai para sua sala e eu fico olhando para sua avó.
— Vamos? Ela indaga sorrindo e eu não tenho para onde correr. Pego minha bolsa e vou com ela. Tem um restaurante maravilhoso aqui perto. Ela diz andando do meu lado e eu assinto. Fomos em silêncio até chegar ao restaurante.
Nos sentamos e um garçom trouxe o cardápio para gente.
Ela escolhe um pene ao molho branco e eu escolho uma salada verde com uma carne.
O garçom leve os cardápios.
— Então, Daniela, me fale um pouco de você. Ela pede me olhando firme.
— O que a Sra gostaria de saber? Indaguei sem saber o que ela quer saber de mim.
— Primeiro pare de me chamar de Sra. Eu me sinto uma velha, mais do que já sou. Sorrio. E quanto ao que quero saber de você, sobre sua vida. Seus pais, tem irmãos? Namorado? Mora com seus pais? Sorrio sem graça.
— Eu não tenho pais. Ela fica me olhando, esperando continuar. Eu cresci em um orfanato. Não sei quem são meus pais. Não sei se tenho irmãos também.
— Eu sinto muito. Ela está estranha.
— Não precisa. Eu cresci triste com isso, mas hoje não me importa mais.
— Você saiu do orfanato aos 18 anos? Mexo meus dedos meio nervosa com essas perguntas. Eu não gosto de falar dessa parte da minha vida.
— Não. Eu fugir antes de completar 18 anos. Ela franze a testa.
— Você fugiu e foi viver onde?
— Sra Lana, minha vida nunca foi fácil. E eu posso dizer que tenho uma vida hoje, porque antes disso, minha vida não existia.
— O que você quer dizer com isso? Alguém te fez m*l? Ela já pergunta com a voz estranha.
— Muito m*l por sinal. Eu conheci uma pessoa aos dezessete anos e acabei me casando com ela, e essa pessoa e o pai dela me fizeram m*l, e hoje, eu estou tendo o resquício disso.
— Como assim? Suspiro.
— Minha vida é tão chata para ficarmos falando, e fora que a Sra não precisa ouvir as coisas que passei.
— Mas eu quero. Quero te conhecer.
— Por quê?
— Porque você me parece uma menina boa. De um coração enorme. Sorrio.
— Obrigada!
— Continue me contando. Ela fala e nossas comidas chegam. Assim que o garçom sai, ela me olha e eu já vi que não terei escapatória.
— Eu me casei com um homem que me tratava m*l e junto com ele tinha o pai que também nunca me tratou bem. Eu passei anos casada até que ele foi declarado como morto e o pai dele tinha minha tutela e queria me prender junto a ele. O velho não me considerava e nem me queria como nora e sim como mulher.
— Que nojento. Ela fala com raiva.
— Nem fale. Mas eu consegui a minha liberdade e recomecei a minha vida, mas parece que o universo sempre age contra mim, porque Wilson apareceu com o filho doente para minha vida depois de meses dado como morto. Ele destruiu meus planos de uma vida longe dele e de tudo aqui.
— Você voltou morar com eles?
— Não. Eu ganhei o direito na justiça de cuidar dele, sem Wilson está junto. Ele tentou que eu voltasse para casa, porém, não conseguiu. Thomas hoje está na cadeira de rodas, não fala e nem nada. Está reagindo aos poucos, posso dizer a passos de tartaruga, mas eu estou esperançosa que ele possa melhorar e sair da minha vida de vez, para eu poder voltar aos meus planos.
— Que planos são esses?
— Eu amo uma pessoa. E não posso ficar com ela, porque ainda estou casada com Thomas. Antes de Thomas reaparecer éramos tão felizes, tínhamos planos de mudar daqui, de casar e temos nossa vida juntos.
— Eu sinto muito tudo que você passou.
— Eu também sinto, porém como disse, já passou e eu não fico remoendo isso. A única coisa que fico remoendo é Thomas. Fora isso, eu já deixei no passado.
— Então você não sabe quem são seus pais?
— Não. Às vezes eu fantasiava no orfanato que eles viriam me pegar para levar para casa, porém, a cada menina que ia embora, e eu ficando, eu percebia que eles nunca iriam aparecer e que ninguém me queria. Digo com um aperto no peito. Coloco um pedaço de carne na boca.
— Não é verdade. Sra Lana fala e eu olho para ela que está limpando uma lagrima. Franzo a testa. Por que ela está chorando?
— A Sra está bem? Indaguei e ela assentiu me dando um meio sorriso.
— Sim. Estou. É porque sua história me comoveu. Você é uma garota forte. Passou por tantas coisas e ainda está aqui, lutando por você e por aquilo que você quer.
— Às vezes a gente tem que ser forte para buscar o que quer, e é isso. Eu não me importo mais se alguém não me quis na época do orfanato, não me importo se meus pais não me quiseram, só importa minha vida de agora. Sou sincera.
— Talvez pode ter acontecido alguma coisa que impediu você de conhecer seus pais.
— Pode ser. Mas, como disse, não importa mais. Tudo que me importa é me livrar de Thomas e do pai dele. O resto não importa.
— Gostaria de te conhecer mais. Olho para ela sem entender.
— Por que isso? Já disse que não precisa dessa gratidão toda. Falo sorrindo.
— Eu sei, mas eu quero fazer parte da sua vida e quero que você faça parte da minha.
— Como assim? Não estou entendo o que ela quer de mim.
— Quero te conhecer mais. Você faz o que, além de trabalhar?
— Estudo dança. Digo sorrindo. E ela fica me olhando estranho. Eu não sei decifrar suas expressões.
— Você gosta de dançar?
— Amo. Eu não sei por que, mas o pouco que podia ver de televisão no orfanato e quando me casei com Thomas, eu amava ver programas de danças, amava ver as bailarinas, amava tudo referente a dança e seus movimentos. Eu sabia que queria fazer desde que me entendo por gente, então, quando conseguir minha liberdade de Wilson, eu procurei um trabalho e comecei a estudar. Falo com orgulho de mim mesma.
— Fico encantada de como você buscou seus objetivos. Você é uma fortaleza.
— Só queria e quero fazer o que eu gosto.
— E o que você pretende fazer quando se formar?
— Montar meu estúdio de dança. Meu maior sonho.
— E você vai realizar mais esse sonho. Tenho certeza disso.
— Obrigada pelo apoio.
— De nada! Mas me diz, o que Thomas, seu marido tem que impossibilitou ele viver normal?
— Parece que foi uma quantidade enorme de drogas, e remédios. Já foi feito lavagem, e agora é esperar ele voltar ao normal. Ela fica me olhando estranho. O que foi?
— Nada. Você acha que foi o pai dele que fez isso?
— Não sei. Desconfiança eu tenho, mas não posso provar nada.
— Entendi. Ela não diz mais nada e fica me olhando. Eu fico sem jeito.
— E a Sra? Só teve um filho? E aí tem um neto somente? Peço tentando tirar os olhos dela de mim.
— Não. Eu tive dois filhos homens. E os dois se casaram e tiveram filhos. Elevo minhas sobrancelhas.
— Então a Sra tem outros netos? Ela tem um certo tipo de emoção no olhar.
— O pai de Andrew só teve ele e o meu filho mais novo teve uma menina. Ela suspira triste.
— Que legal, mas você não parece feliz.
— Não é isso. Eu fiquei muito feliz por ter dois netos, porém a menina foi nos tirado.
— Como assim? Perguntei sem entender.
— A mãe dela a levou embora. Ela fugiu com outro homem e não soubemos mais nada dela. Ela deixa uma lagrima escorrer em seu rosto.
— Que triste! Eu sinto muito. Ela limpa sutilmente as lagrimas que banham seu rosto.
— Eu também sinto. Essa menina era para ter sido criada com a gente. Porém, a mãe dela achou melhor a levar embora e querer dinheiro por ela. Que podre.
— Que mãe horrorosa! Digo e ela balança a cabeça em negação.
— Não podemos julgar o outro. Não podemos julgar uma mãe, porém, ela queria dinheiro para viver com seu amante, e para te dizer a verdade, meu filho estava disposto a dar tudo que ele tinha, que nós tínhamos para ela. Ela suspira e mais lagrimas banham seu rosto. Mas infelizmente ela não cumpriu o combinado. Ele deu uma quantia exorbitante para ela, e ela simplesmente sumiu no mundo. Nós contratamos vários detetives, e foi em vão. Nenhum deles descobriram os paradeiros deles e da minha neta.
— Que história! E eu achando que meus problemas eram maiores, porém, vejo que sua dor é maior do que a minha. Falo solidaria a ela.
— Não é, filha. Sua dor é maior do que a minha. Seu sofrimento vem de anos. Seu sofrimento é desde bebê e eu lamento. Lamento tudo que você passou e está passando. Ela chora mais e eu não entendo o porquê.
— Não fique assim. Como disse, eu já estou conformada. Hoje, eu ainda não tenho tudo que quero, mas tenho fé e esperança de que eu vou conseguir tudo que quero.
— Vai sim. Mas me diz, me fale se não sabe nada dos seus pais. Fico em surpresa com a pergunta. Mesmo porque já falamos sobre mim demais.
— Não. E como disse, nem penso neles. Se eles tivessem que me buscar, ou me encontrar, já teriam feito. Portanto, não penso neles. Ela deixa mais lágrimas caírem. A Sra está bem?
— Eu vou ficar. Assinto e a suas lágrimas não param de sair. Ela está abalada e parece que falar do passado trouxe vários sentimentos à tona. Se eu soubesse não teria começado a perguntar da vida dela.