CAPÍTULO 19

2236 Palavras
Eu já estava aqui na porta da faculdade para começar o meu dia. Markos como sempre estava dentro do carro. Assim que me viu abriu um enorme sorriso, e eu sem poder disfarçar, também sorrir largamente para ele. Ele fez um coração com as mãos para mim e eu olhei para todos os lados e mandei um beijo para ele. O mesmo fingiu pegar e colocou em seu coração. Sorriu mais com isso. Dou tchau para ele e entro na faculdade. Eu estava nas nuvens. Estava feliz pelo final de semana maravilhoso. Entrei na sala e me sentei em meu lugar. Tirei meu caderno da bolsa e fiquei esperando o professor chegar. Suspiro, porque eu quero está do lado dele. Quero poder fazer esse final de semana se tornar mais. Ser mais para ele e para mim. Vejo e professor falar algo e volto a realidade, pois não posso perder nada, já que estou final de semestre. Enfim estou vencendo mais um semestre e logo, logo serei uma dançarina formada. A aula acabou e eu fui para o escritório de Andrew. Ele tinha muitas reuniões com cliente hoje, então queria já começar a preparar tudo para quando eles começarem chegar. Assim que cheguei à avó de Andrew estava sentada na recepção. Achei que ela ainda estava de repouso. — Boa tarde, Sra! Como a Sra está? Indaguei colocando minha bolsa na minha mesa. — Boa tarde, Daniela! Eu estou ótima! Quero te agradecer por ter ajudado meu neto. Ela se levanta e fica me olhando. — Não foi nada. Espero de coração que a senhora esteja bem mesmo. — Estou pronta para outra. — Nada disse, Sra Lana. Eu quero ter minha avó por muitos anos, portanto pode ficar quieta. Andrew aparece. Abraçando sua avó. E o que Sra está fazendo aqui? Não deveria está em casa se cuidando, descansando? Ele indaga olhando firme para ela. — Eu estou bem, meu menino. Não precisa se preocupar. Eu vim agradecer essa moça linda e também fazer um convite para ela almoçar comigo. Franzo a testa. E Andrew também parece estranhar. — Almoçar? Ele indagou. — Sim. Não precisa sentir ciúmes. Você continua sendo meu neto preferido. Ela fala piscando para ele. Então, Daniela, aceita meu convite? — Eu sou seu único neto vovó. Mas enfim, Daniela, se quiser ir, pode ir. — Desculpe, mas eu não posso aceitar. Respondo sem jeito. — Por quê? Já tem compromisso para o almoço? Ela pede meio decepcionada. — Não, não é isso. Eu tenho algumas coisas para arrumar antes das reuniões do Sr. — A primeira reunião já é para agora, meu querido? Andrew olha da avó e para mim. — Não que eu saiba. Temos tempo ainda. Daniela, pode ir. Aproveita. — Não acho certo. Sei que a Sra está fazendo isso para agradecer pelo que eu fiz pela sra, e já digo que não é necessário. Eu fiz e faria de novo. Espero que ela desista desse convite. — Te agradeço pelas palavras, mas eu quero ainda sua companhia para o almoço. Vamos? Fico olhando para Andrew me tirar dessa, mas ele está olhando uns papéis em suas mãos. — Ele não vai te salvar. Sra Lana diz e eu suspiro. — E ela não vai desistir, Daniela. Bom almoço para vocês. Andrew vai para sua sala e eu fico olhando para sua avó. — Vamos? Ela indaga sorrindo e eu não tenho para onde correr. Pego minha bolsa e vou com ela. Tem um restaurante maravilhoso aqui perto. Ela diz andando do meu lado e eu assinto. Fomos em silêncio até chegar ao restaurante. Nos sentamos e um garçom trouxe o cardápio para gente. Ela escolhe um pene ao molho branco e eu escolho uma salada verde com uma carne. O garçom leve os cardápios. — Então, Daniela, me fale um pouco de você. Ela pede me olhando firme. — O que a Sra gostaria de saber? Indaguei sem saber o que ela quer saber de mim. — Primeiro pare de me chamar de Sra. Eu me sinto uma velha, mais do que já sou. Sorrio. E quanto ao que quero saber de você, sobre sua vida. Seus pais, tem irmãos? Namorado? Mora com seus pais? Sorrio sem graça. — Eu não tenho pais. Ela fica me olhando, esperando continuar. Eu cresci em um orfanato. Não sei quem são meus pais. Não sei se tenho irmãos também. — Eu sinto muito. Ela está estranha. — Não precisa. Eu cresci triste com isso, mas hoje não me importa mais. — Você saiu do orfanato aos 18 anos? Mexo meus dedos meio nervosa com essas perguntas. Eu não gosto de falar dessa parte da minha vida. — Não. Eu fugir antes de completar 18 anos. Ela franze a testa. — Você fugiu e foi viver onde? — Sra Lana, minha vida nunca foi fácil. E eu posso dizer que tenho uma vida hoje, porque antes disso, minha vida não existia. — O que você quer dizer com isso? Alguém te fez m*l? Ela já pergunta com a voz estranha. — Muito m*l por sinal. Eu conheci uma pessoa aos dezessete anos e acabei me casando com ela, e essa pessoa e o pai dela me fizeram m*l, e hoje, eu estou tendo o resquício disso. — Como assim? Suspiro. — Minha vida é tão chata para ficarmos falando, e fora que a Sra não precisa ouvir as coisas que passei. — Mas eu quero. Quero te conhecer. — Por quê? — Porque você me parece uma menina boa. De um coração enorme. Sorrio. — Obrigada! — Continue me contando. Ela fala e nossas comidas chegam. Assim que o garçom sai, ela me olha e eu já vi que não terei escapatória. — Eu me casei com um homem que me tratava m*l e junto com ele tinha o pai que também nunca me tratou bem. Eu passei anos casada até que ele foi declarado como morto e o pai dele tinha minha tutela e queria me prender junto a ele. O velho não me considerava e nem me queria como nora e sim como mulher. — Que nojento. Ela fala com raiva. — Nem fale. Mas eu consegui a minha liberdade e recomecei a minha vida, mas parece que o universo sempre age contra mim, porque Wilson apareceu com o filho doente para minha vida depois de meses dado como morto. Ele destruiu meus planos de uma vida longe dele e de tudo aqui. — Você voltou morar com eles? — Não. Eu ganhei o direito na justiça de cuidar dele, sem Wilson está junto. Ele tentou que eu voltasse para casa, porém, não conseguiu. Thomas hoje está na cadeira de rodas, não fala e nem nada. Está reagindo aos poucos, posso dizer a passos de tartaruga, mas eu estou esperançosa que ele possa melhorar e sair da minha vida de vez, para eu poder voltar aos meus planos. — Que planos são esses? — Eu amo uma pessoa. E não posso ficar com ela, porque ainda estou casada com Thomas. Antes de Thomas reaparecer éramos tão felizes, tínhamos planos de mudar daqui, de casar e temos nossa vida juntos. — Eu sinto muito tudo que você passou. — Eu também sinto, porém como disse, já passou e eu não fico remoendo isso. A única coisa que fico remoendo é Thomas. Fora isso, eu já deixei no passado. — Então você não sabe quem são seus pais? — Não. Às vezes eu fantasiava no orfanato que eles viriam me pegar para levar para casa, porém, a cada menina que ia embora, e eu ficando, eu percebia que eles nunca iriam aparecer e que ninguém me queria. Digo com um aperto no peito. Coloco um pedaço de carne na boca. — Não é verdade. Sra Lana fala e eu olho para ela que está limpando uma lagrima. Franzo a testa. Por que ela está chorando? — A Sra está bem? Indaguei e ela assentiu me dando um meio sorriso. — Sim. Estou. É porque sua história me comoveu. Você é uma garota forte. Passou por tantas coisas e ainda está aqui, lutando por você e por aquilo que você quer. — Às vezes a gente tem que ser forte para buscar o que quer, e é isso. Eu não me importo mais se alguém não me quis na época do orfanato, não me importo se meus pais não me quiseram, só importa minha vida de agora. Sou sincera. — Talvez pode ter acontecido alguma coisa que impediu você de conhecer seus pais. — Pode ser. Mas, como disse, não importa mais. Tudo que me importa é me livrar de Thomas e do pai dele. O resto não importa. — Gostaria de te conhecer mais. Olho para ela sem entender. — Por que isso? Já disse que não precisa dessa gratidão toda. Falo sorrindo. — Eu sei, mas eu quero fazer parte da sua vida e quero que você faça parte da minha. — Como assim? Não estou entendo o que ela quer de mim. — Quero te conhecer mais. Você faz o que, além de trabalhar? — Estudo dança. Digo sorrindo. E ela fica me olhando estranho. Eu não sei decifrar suas expressões. — Você gosta de dançar? — Amo. Eu não sei por que, mas o pouco que podia ver de televisão no orfanato e quando me casei com Thomas, eu amava ver programas de danças, amava ver as bailarinas, amava tudo referente a dança e seus movimentos. Eu sabia que queria fazer desde que me entendo por gente, então, quando conseguir minha liberdade de Wilson, eu procurei um trabalho e comecei a estudar. Falo com orgulho de mim mesma. — Fico encantada de como você buscou seus objetivos. Você é uma fortaleza. — Só queria e quero fazer o que eu gosto. — E o que você pretende fazer quando se formar? — Montar meu estúdio de dança. Meu maior sonho. — E você vai realizar mais esse sonho. Tenho certeza disso. — Obrigada pelo apoio. — De nada! Mas me diz, o que Thomas, seu marido tem que impossibilitou ele viver normal? — Parece que foi uma quantidade enorme de drogas, e remédios. Já foi feito lavagem, e agora é esperar ele voltar ao normal. Ela fica me olhando estranho. O que foi? — Nada. Você acha que foi o pai dele que fez isso? — Não sei. Desconfiança eu tenho, mas não posso provar nada. — Entendi. Ela não diz mais nada e fica me olhando. Eu fico sem jeito. — E a Sra? Só teve um filho? E aí tem um neto somente? Peço tentando tirar os olhos dela de mim. — Não. Eu tive dois filhos homens. E os dois se casaram e tiveram filhos. Elevo minhas sobrancelhas. — Então a Sra tem outros netos? Ela tem um certo tipo de emoção no olhar. — O pai de Andrew só teve ele e o meu filho mais novo teve uma menina. Ela suspira triste. — Que legal, mas você não parece feliz. — Não é isso. Eu fiquei muito feliz por ter dois netos, porém a menina foi nos tirado. — Como assim? Perguntei sem entender. — A mãe dela a levou embora. Ela fugiu com outro homem e não soubemos mais nada dela. Ela deixa uma lagrima escorrer em seu rosto. — Que triste! Eu sinto muito. Ela limpa sutilmente as lagrimas que banham seu rosto. — Eu também sinto. Essa menina era para ter sido criada com a gente. Porém, a mãe dela achou melhor a levar embora e querer dinheiro por ela. Que podre. — Que mãe horrorosa! Digo e ela balança a cabeça em negação. — Não podemos julgar o outro. Não podemos julgar uma mãe, porém, ela queria dinheiro para viver com seu amante, e para te dizer a verdade, meu filho estava disposto a dar tudo que ele tinha, que nós tínhamos para ela. Ela suspira e mais lagrimas banham seu rosto. Mas infelizmente ela não cumpriu o combinado. Ele deu uma quantia exorbitante para ela, e ela simplesmente sumiu no mundo. Nós contratamos vários detetives, e foi em vão. Nenhum deles descobriram os paradeiros deles e da minha neta. — Que história! E eu achando que meus problemas eram maiores, porém, vejo que sua dor é maior do que a minha. Falo solidaria a ela. — Não é, filha. Sua dor é maior do que a minha. Seu sofrimento vem de anos. Seu sofrimento é desde bebê e eu lamento. Lamento tudo que você passou e está passando. Ela chora mais e eu não entendo o porquê. — Não fique assim. Como disse, eu já estou conformada. Hoje, eu ainda não tenho tudo que quero, mas tenho fé e esperança de que eu vou conseguir tudo que quero. — Vai sim. Mas me diz, me fale se não sabe nada dos seus pais. Fico em surpresa com a pergunta. Mesmo porque já falamos sobre mim demais. — Não. E como disse, nem penso neles. Se eles tivessem que me buscar, ou me encontrar, já teriam feito. Portanto, não penso neles. Ela deixa mais lágrimas caírem. A Sra está bem? — Eu vou ficar. Assinto e a suas lágrimas não param de sair. Ela está abalada e parece que falar do passado trouxe vários sentimentos à tona. Se eu soubesse não teria começado a perguntar da vida dela.
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