CAPÍTULO 3

2094 Palavras
Eu ainda estava atordoada com tudo que está acontecendo na minha vida. Eu só queria aquela segurança de antes. Aquela paz de poder chegar no apto de Markos e tomar um banho e cair nos braços dele. E por falar nele, o mesmo não tem respondido as minhas mensagens e nem os meus telefonemas. Sei que ele está ocupado com suas coisas, mas eu queria ouvir sua voz e saber que vamos ficar bem. Que vamos passar por isso juntos, porém, sei que é pedir demais de um cara que não está com a cabeça no Nós, porque ele tem me excluído desde que o bordel pegou fogo. Parece que eu não existo no mundo dele, e isso me deixa triste, mas eu não vou me abalar. Eu tive que encarar muitas coisas sozinha, e isso só vai ser mais uma delas. Meu celular toca de novo e eu vejo que é Coby, de novo. Eu não atendi da primeira vez, e não quero falar com ela agora. Minha cabeça está dando voltas e voltas no assunto Thomas. E falar com ela agora seria mais uma situação para resolver, porque eu sei que nos distanciamos muito depois que ela revelou que ama Markos. Guardo meu telefone dentro da bolsa e apoio minha cabeça no encosto do banco. O que eu vou fazer da minha vida? Como vou conviver agora, que Thomas está vivo? São tantas dúvidas e perguntas, que não sei o que vou fazer, mas de uma coisa eu tenho certeza, eu não vou voltar para Thomas, e para aquela casa. Nunca mais ficarei submetida a homem nenhum e a nenhuma pessoa. Eles não têm esse poder sobre mim mais. Wilson não vai poder ditar o que quer ou não de mim. Eu comando a minha vida e tudo em relação a ela. Isso, nada mais importa, se não for eu. Se não for a minha opinião, Wilson e Thomas não vão poder fazer nada. Com esse pensamento, eu chego à casa de Wilson. Suspiro saindo do táxi assim que pago o motorista. Era hora de colocar os pingos nos Is. Abro o portão de madeira e respiro fundo. Chegou a hora de entender o que houve com Thomas, e acabar com qualquer vestígio de esperança que Wilson tenha sobre eu voltar a ficar nessa casa. Bato campainha e fico aguardando. Não demora muito e Wilson abre a porta com o telefone na orelha. Ele me ver e dar um sorrisinho de vitorioso. Coitado. — Até que enfim, Daniela. Já estava ligando para o Dr Henriques, para o mesmo já entrar com uma liminar contra você. Elevo minhas sobrancelhas. — Posso entrar, Wilson? Peço e ele me dar passagem. Entro e o lugar continua o mesmo, com a diferença da organização, porque está horrível. Chego na sala e Thomas está lá. Do mesmo jeito que eu o vi ontem. Em uma cadeira de rodas, com pescoço tombado para esquerda, uma baba saindo pela boca. Suas pernas parecem atrofiadas, pois estão tortas. Sua boca também está torta. Suas mãos estão viradas. Muito estranho. — Até que enfim você apareceu para cuidar do seu marido. Suas malas estão onde? Wilson me traz de volta e eu olho de Thomas para ele. — O que houve com ele? Indaguei não dando importância a pergunta dele. Onde você o encontrou? Por que ele está desse jeito? Pergunto tudo andando de um lado ao outro. — São muitas perguntas. Eu não tenho como responder. Franzo a testa olhando para ele. — Como? Por que você não tem como responder? Não foi você que o encontrou? Ligaram para você falando dele? Você não tinha reconhecido o corpo dele? Minha mente está fervilhando. — O que isso importa. Importante é ele está aqui. Choramos por ele, achando que o mesmo estava morto, e agora ele está aqui. Ele está vivo precisando de você, de nós. Sorrio de nervoso. — Wilson, eu acho que você não me entendeu, ou entendeu se está fingindo de louco. Porque as minhas perguntas são bem validas e eu mereço e quero respostas. Você não reconheceu o corpo? Quem nós enterramos, se não foi Thomas? — Eu reconheci achando que era Thomas, mas não era. O que isso importa agora? Não tem menor importância. Você deve cuidar dele, já que ele é seu marido. — Eu não farei isso. Sou firme. — Como é que é? Você não vai cuidar dele? Por quê? Dessa casa você não sai mais. Sua obrigação é cuidar do seu marido. Gargalho de raiva e nervoso. Passo as mãos no meu cabelo, que estava em um coque e acabou por soltar todo. — Wilson, nem você e nem Thomas tem mais controle sobre mim e minha vida. Eu não cuidarei dele. Ele deixou de ser meu marido a muito tempo. E outra, eu vou já pedir o divórcio. — Nunca. Ele vem para cima de mim e segura forte meu braço. — Acho melhor você me soltar, porque se eu dê um grito aqui, dois caras armados vão entrar aqui e acabar com você. Blefo e ele me olha com raiva e vai me soltando. Vou andando para trás do sofá sob seus olhos. Como disse, eu não vou cuidar dele. Isso não é obrigação minha mais. Ele ou você, ou até mesmo vocês dois forjaram a morte dele, e agora ele deve ter se dado m*l em algum canto e agora, volta como se nada tivesse acontecido? Não, Wilson. Essa tola aqui, não vai mais se deixar enganar. Nunca mais. — Eu vou entrar com um processo contra você. O juiz vai te obrigar a voltar para casa e cuidar dele. Assinto. — Vamos fazer o seguinte, Wilson. Eu vou cuidar dele. Mas do meu jeito de onde moro, porque nessa casa eu não fico com o Sr. — Nunca. Essa casa é dele, e você não vai me separar dele. Ele é meu único filho. — Que morra você e ele então, porque a minha vida não vai ser entregue novamente nas mãos de vocês. Eu não quero saber o que você vai ou não fazer. Quer ir para justiça, vamos para justiça. Eu estou mais que disposta a isso. Me processe, faça o que você quiser, mas eu não farei sua vontade. Eu não vou mais entregar a minha vida nas suas mãos. Nunca mais vou me submeter ao que você e ele querem. — Você não pode fazer isso. Por lei, você dois ainda são casados. E por ele está assim, você tem obrigação de cuidar dele. — Pela lei eu sou viúva. Tem uma certidão de óbito dele com você, não é mesmo? Ou será que, o que eu penso sobre vocês dois forjarem a morte dele, é verdade? Porque se isso for verdade, vou adorar discutir isso com você nos tribunais. — Não precisamos ir aos tribunais se você se propor a cuidar dele. Sorrio, porque os olhos dele demonstra um medo que nunca vi. — Já disse a condição para eu cuidar dele. Vou cuidar dele na minha casa. — Sua casa? A casa que você mora com outro homem? Que pouca vergonha é essa? Uma mulher casada andando para baixo e para cima com outro homem. Fornicando com outro homem. Começo a gargalhar. Olho para ele e balanço a cabeça em negação; — Wilson, eu não sei se eu sou burra, ou você. Ele fecha mais cara para mim. Até horas atrás, para mim eu estava viúva. E sim, eu estou namorando e muito feliz com esse homem. Coisa que eu nunca fui com seu filho em anos. Portanto, não perca seu tempo tentando me ofender, porque você não vai conseguir. — Pois, eu acho melhor você terminar com ele, porque eu vou aos tribunais. Sorrio. Meu filho pode não está aqui para exigir seus direitos de marido, mas eu farei para ele. Eu vou te trazer de volta para essa casa. — Boa sorte, Wilson. Espero que você tenha em mente também que se a decisão for eu cuidar dele, eu farei, mas na minha casa. Seja onde eu estiver morando, ele ficará comigo, e eu não quero você perto. — Você não vai tirar meu filho de mim. — E nem quero tirar. Mas se você quer que eu cuide dele, não será com você do lado. Há, e lembre-se que você terá que explicar onde ele estava, porque ele está assim. Já que você não quer explicar para mim, que explique para o juiz. Vou saindo. — Você não vai ganhar essa. Você vai voltar para essa casa, ou eu não me chamo Wilson. — Já pode trocar de nome, Wilson. Porque Juiz nenhum vai me fazer voltar para essa casa. Ainda mais me fazer conviver com você. Até nos tribunais. Nos vemos essa semana ainda, já que tem a audiência sobre a pensão. E agora eu entendo o motivo da pensão por doença e não morte. Você terá muito o que explicar. Boa sorte! Digo saindo, não esperando ele dizer nada. Espero que Tom esteja certo quanto eu poder manter Thomas em uma clínica particular para ele ir se curando, porque nem morta eu volto a morar nessa casa e ainda mais com Wilson. Eu já vou olhar algumas clínicas. Eu quero está preparada. Suspiro. Volto para o apto de Markos e tudo está silencioso. Ele não veio aqui, ainda. E eu queria esperá-lo para conversarmos, mas nem sei quanto tempo ele irá demorar. Vou para o closet e pego uma mala dele emprestada. Vou colocando minhas roupas com o coração na mão. Eu não queria isso. Nunca me imaginei passando por isso. E agora nada parece fazer sentido. Minha vida sempre tem que se transformar em um nada. E eu tenho sempre que me reerguer. Começo a chorar de tristeza por dentro. Me sento no chão chorando. Eu nunca me vi tão destruída como estou agora. Sei que pode parecer fraqueza, ou até mesmo bobeira da minha parte, já que Tom me explicou como pode funcionar, mas eu estou muito triste com tudo isso. Meu peito tem um aperto enorme. Não sei como Markos vai reagir a isso. Me acalmo um pouco e continuo fazendo minha mala. Coloco todas as minhas coisas na mala e pego minhas coisas pessoais no banheiro do quarto dele e coloco em outra bolsinha que tenho. Pego os poucos calçados e coloco em um saco de lixo mesmo. Vejo se eu não esqueci nada e suspiro. Esse é o quarto rumo que dou na minha vida, porém, nesse novo rumo, eu queria que Markos fizesse parte. Ele e seus amigos, eu queria do meu lado para o resto da minha vida. Foram as melhores pessoas que entraram na minha vida. Amigos esses que nunca pude ter. Chamo um táxi para ir para casa de Tom. Assim que entro no táxi, mando uma mensagem para Tom, dizendo que estou indo para lá. Ele me responde, que está me aguardando junto com Bryan e Magno. — Levante a cabeça, Daniela. Você podia parecer fraca antes, mas sempre levantou sua cabeça para poder passar por problemas. E agora não será diferente. Digo a mim mesma. — Algo comigo, Srta? O taxista pede me olhando pelo retrovisor. Eu balanço a cabeça em negação. Ele não diz nada e continua sua atenção na direção. Eu queria ligar novamente para Markos, para ver se ele me atende, porém, eu acho melhor deixar ele quieto em seu canto. Resolvendo sua vida com as meninas. Ele tem prioridades e acredito que do jeito que eu estou também, posso acabar tirando o foco dele para o que ele julga importante. Porém, o que mais me chateia é o fato dele não me responder. O fato dele ignorar todas as minhas ligações e mensagens. Ele podia pelo menos dizer que está bem. Bufo. Nem sei mais o que estou pensando. Eu só queria colo neste momento. Só queria me afagar nos braços dele e esquecer de tudo. Esquecer da visão de Thomas e Wilson na minha frente. Porém, eu não posso também ser tola e me deixar fraquejar. Eu vou acabar de vez com a gracinha de Wilson nos tribunais. Ele pode querer o que quiser, mas eu não vou abrir guarda para ele fazer de novo da minha vida o que ele quiser. Tenho certeza de que ele e Thomas está por trás dessa morte fajuta, porém, se Wilson acha que eu vou me calar, não farei mais. Minha vida me deu coragem para lutar por mim e por aquilo que quero.
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