Eu já tinha chegado na casa de Tom. Bryan e ele estavam me esperando na portaria.
Eles pegaram minha mala depois de me darem um abraço duplo. Eles eram uns amores, e os amava muito.
Assim que entrei na sala, Magno estava lá em sua cadeira de rodas. Ele sorriu para mim amável.
— Como vai, Sr Magno? Indaguei o abraçando.
— Nada de Sr aqui, pode me chamar de Magno como os meninos. Assinto sorrindo.
— Obrigada! Agradeço me sentando.
— E como você está? Tom me contou que sua vida foi virada de cabeça para baixo. Suspiro.
— E foi mesmo, porém, eu tenho fé que vou conseguir sair de mais essa. Ele pega na minha mão.
— Vamos descobrir onde esse i****a estava se escondendo. Olho para ele assentindo. Já coloquei um amigo meu, que é detetive particular para saber onde Thomas estava. Franzo a testa.
— Sério? Indaguei esperançosa.
— Sim. Não quero você sofrendo e nem Markos, por um ser que não vale a pena. Me sinto feliz por essa ajuda.
— Eu agradeço de coração. O Sr não sabe como isso é importante para mim.
— Não precisa agradecer. Eu farei e faria qualquer coisa para te ver feliz de novo. Seus olhos não apresentam mais o brilho de antes, portanto não quero vê-los assim.
— Vocês estão sendo muito gentis. Eu agradeço de coração o que vocês estão fazendo por mim. Eu nem sei o que faria agora sem ajuda de vocês.
— Fazemos também de coração. Colocamos suas coisas em seu quarto. Se você quiser descansar antes do jantar, fique à vontade.
— Eu preparo o jantar para vocês. Digo querendo pagar um pouco do que eles estão fazendo por e para mim.
— Nada disso. Tenho uma cozinheira ótima. Não precisa se preocupar com nada.
— Assim eu não vou conseguir pagar um pouco o que vocês estão fazendo por mim. Nem mesmo seus honorários, Tom. Ele balança a cabeça em negação.
— Não preciso. Não se preocupe com isso. Agora vá tomar um banho e descansar. Vem vamos te mostrar seu quarto. Tom se levanta do lado de Bryan e me puxa do sofá.
— Tudo bem! Vou com Tom para meu quarto. Quando chegamos no corredor e ele para em uma porta da direita. Ele abre e me dar passagem para entrar.
— Fique à vontade! Tudo que você precisar pode me falar. Suspiro.
— Você tem notícias de Markos?
— Não tive. Ele não me atendeu depois de ontem. Assinto triste. Não fique assim. Ele sabe que estamos aqui por ele, mas ele tem que querer nossa ajuda. Não adianta a gente querer ficar do lado dele, tentar ajudá-lo, se ele não quer. Suspiro.
— Você tem razão. Ele sabe onde nos encontrar.
— Agora descansa. Ele sai e eu vou para o banheiro.
Depois de tomar um banho, eu me deitei e me dignei a não pensar em nada. Só queria dormir um pouco. Espero que minha vida não desmorone mais. Eu não sei se aguentaria outro baque desse, e pior, eu não sei se aguentaria Markos terminando comigo.
Acabei pegando no sono.
Acordei com uma batida na porta. Me levantei e abrir.
— O jantar está pronto. Bryan falou e eu dou um meio sorriso.
— Eu já vou. Obrigada! Ele sai e eu vou no banheiro e lavo meu rosto. Arrumo meus cabelos. Saio do quarto e vou para sala. Eles já estão sentados na sala de jantar. Desculpe fazer vocês esperarem.
— Não precisa pedir desculpa. Não estamos sentados a muito tempo. Assinto.
— Você tem notícias de Markos? Magno indaga olhando para mim. Balanço a cabeça em negação.
— Não. Gostaria que ele me respondesse que pelo menos está bem. Falo olhando para meu prato ainda vazio.
— Ele vai aparecer. Bryan me conforta. E eu não digo nada. Começo a colocar um pouco de salada e carne. E agora que você não tem mais a boate para dançar, o que você pensa em fazer?
— Preciso procurar um emprego. Não dar para continuar assim. Eu tenho a faculdade para pagar. E também quero contribuir com alguma conta aqui.
— Não precisa. Já disse, que aqui, nada vai te faltar e nem vai precisar de você contribuir com nada.
— Eu não acho justo. Digo olhando dele para Bryan.
— Você contribuía com alguma coisa no apto de Markos? Bryan indaga e eu balanço a cabeça em negação. Então, não fará isso aqui também.
— Mas é diferente. Markos e eu temos ou tínhamos um relacionamento.
— Ele é seu namorado e Bryan e eu somos seus cunhados. Quase irmãos. Então não se sinta m*l em ficar aqui por nossa conta.
— Já digo que você não vai conseguir. Esses dois querem que eu morra rico. Eles não me deixam pagar nada.
— Recebemos muito bem, então não se preocupem. Tudo está sob controle.
— Mas eu quero que se vocês acharem demais, a minha estadia aqui, que me fale. Não quero ser um peso para ninguém.
— E não é e nem vai ser. E outra, você pensa em arrumar um trabalho em outra boate? Tom indaga.
— Eu não sei fazer outra coisa. Dou de ombros.
— Eu não tenho nada para você em meu escritório. Mas conheço pessoas que pode está precisando de alguma secretária, assistente, ou algo assim.
— Eu não rejeito nada, Tom. O que for eu estou indo. Preciso mesmo de um novo emprego. Não posso me dar ao luxo de ficar aqui sem fazer nada. As minhas contas daqui a pouco bate na porta e eu não posso deixar de honrar meus compromissos.
— Se precisar de algum dinheiro, eu posso te ajudar, filha. Magno diz e eu sorrio do jeito amável que ele me chama. Esses dois não me deixam gastar mesmo, então que eu possa te ajudar.
— Muito obrigada, Magno! Eu terei isso e mente se eu precisar.
— Estou aqui para vocês quatro. Perdi minha família de sangue, e ganhei quatro filhos que são mais que família para mim. Eu amo todos vocês, e só quero que sejam felizes. Magno está melancólico. Sei que para ele não deve ter sido fácil ser abandonado pela sua família biológica, mas sei também, que ele ganhou filhos incríveis como Tom e Markos. Os dois são apaixonados por ele, e nada mais importa para os três.
— E outra, Dani. Markos não vai querer que você dance em outra boate. Bryan diz e eu dou de ombros.
— Mas ele não pode decidir isso por mim. Seu eu arrumar um emprego de dançarina em outras boates, eu vou. Ele não pode ditar o que eu posso ou não fazer. Claro que pode opinar, porém, dizer que eu não farei. Ele não pode. Os três homens ficam me olhando. Gente, não me entenda m*l, porém, eu entreguei minha vida a dois homens idiotas, que acharam que podiam fazer qualquer coisa comigo, e eu boba me deixei levar. Me deixei ser comandada, e sinceramente, eu não gostei. Eu abrir meus olhos de uma forma, que hoje não me vejo sendo comandada por ninguém, se não for por mim. Como disse, ele pode expressar seu sentimento de desgosto, mas me dizer que eu não vou fazer, isso eu não vou aceitar de ninguém, de homem nenhum.
— Gostei. Magno fala sorrindo. Vejo que você é uma pessoa decidida, uma pessoa que sabe o que quer.
— Como disse. Demorei a acordar, mas agora eu não entrego a minha vida para ninguém. E Markos também tem que entender que eu procuro ter meu estúdio de dança para crianças. Ele precisa entender que assim como ele precisa cuidar dessas meninas, eu preciso cuidar de mim.
— Não estou dizendo que você está errada. Mas pelo que eu saiba o plano de vocês dois era outro. Ele me contou que vocês queriam ir embora daqui. Tom fala.
— Sim. Porém, como vamos com tudo isso acontecendo? E outra, você acha que ele do jeito que está, vai largar tudo e ir embora? Você acha que ele vai dar as costas para as meninas e ir embora comigo? Tom fica me olhando. Não vai, Tom. Markos tem dois dias que não dar as caras. Ele nem ao menos se preocupou em me ligar para dizer que está bem. Portanto, eu repito, ele não vai sair daqui. E me arrisco a dizer que ele vai reconstruir a boate para continuar confortando aquelas meninas. E nem estou dizendo que o trabalho delas seja fácil, mas que cada uma ali tinha e tem condição de procurar fazerem as suas vidas sozinhas. Porém, ele quer ser o super-homem que salva todas. E sabem o que é mais engraçado? Nenhum deles respondem. Que eu nem posso reclamar, porque ele fez o mesmo por mim. Porque ao abrir a porta da boate e me oferecer um cargo que nem tinha naquele lugar, ele me ajudou, assim como está aí fora ajudando a todas.
— Nós sabemos que você está sentida. Está sentindo a falta dele do seu lado, ainda mais nesse momento. Sei que para você está sendo difícil porque ele te afastou dele. Ele não te quis perto.
— E está doendo muito. Ele me pediu para não me meter. Vocês sabem o que é escutar do seu namorado isso? Um lagrima escorre pelo meu rosto. Eu liguei para ele desde ontem e nada. Ele não me atende, e vocês ainda acham que eu tenho que levar em consideração o que ele quer que eu faça ou não? Me desculpe, mas eu não vou fazer isso. Eu vou viver, e se ele quiser falar comigo, ele sabe meu número. E não pensem que eu não o ame, porque o amo muito, mas antes de amá-lo, eu aprendi a me amar e ser eu mesma, sem pisar em ovos. Sem esconder o que eu penso. Hoje eu vejo que estou namorando alguém que não se importa com que eu penso, assim como Thomas. Falo mais para mim do que para eles.
— Eu sinto muito. Sei que Markos sempre foi cabeça dura. Ele deixa de se importar com ele para se importar com os outros. E eu lamento. E quero te dizer que se não dê certo o relacionamento de vocês dois, nós vamos está aqui para você. Eu não sei o que ele está pensando, mas seja o que for, estaremos aqui para ambos. Tom diz pegando na minha mão.
— Obrigada! Eu não sei mesmo, o que será de nós. Eu o amo, amo muito. E espero que ele não pense em mim, mas sim nele. Eu espero que ele veja, que a vida dele, os sentimentos dele são prioridades, e não somente ajudar os outros. Sei que ele pode está pensando em mim, pode querer está comigo, mas ele coloca tudo na frente do que ele quer, e isso é que me doí. Aquelas garotas não são mais crianças. Elas podem andar por si só e ele pode seguir sua vida, seja comigo ou sem mim.
— Não pense nisso. Vai tentar dar crédito a ele. Afinal de contas deixar a vida de lado para ajudar ao próximo é bem louvável da parte dele. Como você disse, ele fez o mesmo por você e só está atordoado pelo que houve. Dê tempo ao tempo. Ele vai acordar e ver que você ainda é prioridade para ele. Magno diz e eu assinto.
— Coma, Dani. Você m*l tocou na comida. Bryan pede e eu balanço a cabeça em negação.
— Não estou com tanta fome. Eu vou para meu quarto. Me desculpem. Me levanto e vou para o quarto.
Eu tento, tento não pensar em Markos, porém está mais forte do que eu. Meus pensamentos estão todos nele. E essa dele não me responder, ainda me deixar mais triste ainda.
Será que eu o perdi?
Suspiro...
Pego um livro para não ficar pensando nele. Seja lá o que ele está fazendo, espero que o mesmo esteja bem. Só desejo isso. Que ele esteja bem e que consiga resolver tudo.
Meu celular toca e eu vejo que é Coby.
Minha cabeça está a mil. Eu ainda não quero falar com ela. Não quero saber de nada. Preciso pensar em arrumar um emprego e deixar as coisas fluírem. Com Markos ou sem ele, a minha vida não pode parar. Como eu disse, ele sabe onde me encontrar. E eu estarei mais que disposta a ter uma conversa com ele. Seja para nosso bem ou m*l.