CAPÍTULO 5

2418 Palavras
No outro dia acordei cedo e fui para minha faculdade. Acordei disposta a não ficar remoendo a falta de Markos. Fiquei pensando que se tivesse acontecido algo, a gente já saberia, portanto, não queria saber mais disso. Queria me concentrar em arrumar um emprego e continuar meus estudos. E era isso que iria fazer. Depois que sair da faculdade vou procurar outro emprego e assim me estabilizar de novo. Quem sabe eu possa sair da casa de Tom e alugar um quartinho para mim. Mesmo ele e Bryan dizendo que não tem importância eu ficar lá, eu não quero dar mais trabalho do que acho que estou dando. Na faculdade eu tive um trabalho para desenvolver em dupla. Ficamos a aula toda desenvolvendo para no final apresentar. O resultado só seria dado na próxima semana, e eu e Zaira tínhamos certeza de que o nosso ficou ótimo. Não estávamos preocupadas. No final da aula me despedir dela e de alguns colegas. Iria começar a procurar algum lugar que precisasse de alguém. Assim que sair da faculdade, o meu telefone tocou. Tirei o mesmo dentro da bolsa e vi que era Tom. Atendo. — Oi, Tom! Está tudo bem? Indaguei meio receosa. — Oi, Dani! Eu estou bem e você? Está ainda na faculdade? — Acabei de sair. Mas aconteceu algo? Ainda estou apreensiva. — Não. Não sei ainda notícias de Markos. Suspiro em alívio. Vou te passar endereço para você ir em uma entrevista com um amigo. Sorrio. — Eu não sei nem como te agradecer, Tom. Muito obrigada! Já estava pensando em andar pra baixo e pra cima, a procura de emprego. — Eu disse que te ajudaria. Tom é um verdadeiro amigo. Estou muito feliz. — Eu vou trocar de roupa e já estou indo. Mais uma vez, muito obrigada! — De nada! Vai lá. Tudo vai dar certo. Confiança. Ele diz e eu sorrio animada. — Confiança sempre! Até mais. Desligo e já vou logo para a casa dele. Nem acredito que vou ter um emprego. Vou focar nisso, e quem sabe sair da casa de Tom, para ter meu próprio lar. Não posso ficar morando com eles para sempre. E mesmo porque, eu sempre morei com alguém, acredito que chegou a hora de ter minha independência. Focarei em mim a partir de agora. Chego na casa de Tom, vou direto para meu quarto. Tomo um banho rápido e troco de roupa. Coloco uma roupa mais formal. Uma calça social que foi Coby que me deu, e uma blusa social de manga que peguei de Markos. Sorrio, porque o cheiro do perfume dele ainda está nela. Mesmo depois de lavada. Continuo a arrumação e me vejo pronta no espelho do banheiro. Deixo meus cabelos soltos em cachos, passo um batom da cor da minha boca e estou pronta. Respiro fundo. Essa é a hora. Tudo vai dar certo. Creio nisso. Na empresa que Tom me indicou, cheguei e estava aguardando ser chamada. Era um escritório de advocacia. O lugar é muito bonito. — Andrew, estou te esperando para um drink. Uma mulher bem-vestida sai da sala sorrindo. — Pode marcar. Vou levar Ania comigo. O homem aparece na porta sorrindo também. — Estraga prazer. Ela fala e sai sorrindo. — Você deve ser Daniela Clarke? O homem indaga olhando para mim. Assinto me levantando. — Prazer, Dr. Digo estendendo a mão. — Prazer, Srta Clarke. Sou Andrew Bast. Entre. Vamos conversar. Ele pede e me dar passagem. Entro em seu enorme escritório e fico mais admirada ainda. Tom não me disse que a cunhada dele era tão linda. Olho para ele sem graça pelo comentário. — Obrigada pelo elogio! Agradeço para não parecer rude. — Sente-se. Me fale um pouco de você. Assinto me sentando. — Eu não tenho experiencia na área. Sempre trabalhei como dançarina... Começo, mas ele interrompe. — Você era uma dançarina? Ele indaga se ajeitando na sua cadeira. — Sim. Somente dançarina. — E por que resolveu sair da área? — Não sair. Na verdade, faço curso de dança, e o lugar que eu estava pegou fogo, então tenho que buscar novas oportunidades para continuar o meu caminho. — Entendi. Está disposta a aprender? Não é nada difícil que eu tenho aqui. Você vai cuidar da minha agenda, receber meus clientes, manter a garrafa de café cheia, e garrafas de água na geladeira. — Para mim está tranquilo. Eu aceito. — Ótimo. O salário é três mil dólares, mais almoço. E é de segunda a sexta, de 08 da manhã as 17hs. Balanço a cabeça em negação, porque não vai dar para mim. Espere. Eu sei que você estuda de manhã, portanto eu aceito que te contratar meio período, e no caso será de meio-dia às 19hs. Alívio me consola. — Fico feliz. Te agradeço mesmo por me ajudar. — Não agradeça a mim, mas sim a Tom. Ele me falou muito bem de você. E eu devo essa a ele. Sorrio. — Quando eu começo? — Pode ser amanhã. Eu tenho algumas audiências agora a tarde, então você pode se organizar e está aqui amanhã ao meio-dia. — Tudo bem! Novamente, te agradeço! Ele se levanta e eu me levanto também. — Então, até amanhã. Ele me leva até a porta. — Até amanhã, e mais uma vez obrigada! — De nada! Vou saindo feliz. Eu tenho um emprego, e vou ganhar mais que eu ganhava na boate. Vou poder me organizar e viver a minha vida. Mesmo que Wilson tente me levar de novo para morar com eles, eu não cederei. Eu estou confiante que vou poder viver como eu quero. Na casa de Tom, Bryan e Magno estavam na sala de estar. Os dois estavam vendo jogo. — Boa tarde, meninos! Digo me aproximando deles. Dou um beijo na cabeça de cada um. — Como você está? Magno indaga e eu sorrio me sentando. — Estou ótima. Tom conseguiu um emprego para mim. — Ele nos disse, e ficamos felizes por você. — Eu pretendo assim que firma lá, alugar um lugar para mim. Digo e Bryan, me olha. — Não precisa, Dani. Você pode ficar aqui o tempo que quiser. — Eu sei. E agradeço por isso, mas eu realmente preciso viver a minha vida, com o sem Markos. — Ele ainda não te ligou? — Não. E parei de pensar nele. Como vocês disseram, ele sabe que estamos aqui para ele. Não dar para ajudar alguém que não quer ajuda. Digo me levantando. — Você comeu algo? Bryan indaga e eu balanço a cabeça em negação. Tem comida na geladeira. — Obrigada! Vou até a cozinha e abro a geladeira. Pego carne e salada que estão separadas em vasilhas. Esquento a carne e me sento a mesa para comer. Pego meu celular e tem mensagens de Coby, falando que precisa falar comigo. Suspiro. Eu não posso fugir o tempo todo. Acabo de comer e vou até o meu quarto. Entro no banheiro e escovo os dentes. Resolvo ir até a casa de Coby. Eu ainda tinha que verificar lugares para colocar Thomas. Eu sou a esposa dele, não sou? Eu tomarei as rédeas da vida dele, já que por anos ele tomou da minha. Chego no prédio de Coby. Bato na porta e espero alguns minutos. A mesma abre a porta, e já me abraça forte. — O que aconteceu? Indaguei não retribuindo o abraço. — Que bom que você veio. Ela diz me soltando e olhando para mim. Entre. Entro e tudo está igual. — Cadê April? Pergunto. — Ela está na casa da vizinha, brincando com a netinha dela. Assinto. — O que tanto você gostaria de falar comigo? — Eu sinto sua falta. E depois que a boate pegou fogo, eu me sinto muito triste e sozinha. Você é como uma irmã para mim. — Você tem falado com Markos? Peço olhando pela janela. — Falei com ele somente no dia do incidente no bordel, depois disso não tivemos mais contato. Suspiro aliviada. — E o que tanto que você tem para falar comigo? — Não quero perder a sua amizade. Nunca quiser, Dani. Meus sentimentos por Markos não mudou, e eu respeito o relacionamento de vocês dois, por favor volte a ser minha amiga. Eu nunca quis te magoar. Sei que deveria ter sido honesta com você, mas eu nunca quis te magoar. Suspiro. — Eu não gostei. Você poderia ter sido sincera comigo. E o que mais me doeu é que você estava desejando que meu relacionamento com ele desse errado. — Eu sei que fui c***l. Mas eu não imaginava que ele realmente iria se apaixonar por você. Mas, como disse, eu respeito a relação de vocês dois e nunca me meteria. Nem sei se Markos e eu temos uma relação. Suspiro com meu pensamento. Me perdoa. Por favor, me perdoa. Eu sinto a sua falta. April sente sua falta. Queremos você de novo nas nossas vidas. Eu te amo como uma irmã que não tenho, e April te considera a titia dela, então por favor, me perdoa. Olho para ela e vejo sinceridade em seus olhos. Ela pode não ter feito por m*l, mas eu me sentir traída. Nem sei se eu poderei confiar nela de novo, porém, não dar para continuar assim. Precisamos dar um passo de cada vez, para manter nossa amizade. — Eu não estou cem por cento confiante em você. Ainda estou magoada pelo que você disse, porém, também, não quero continuar assim com você. Eu sinto falta da sua amizade, assim como você sente da minha. Eu sinto falta da minha única sobrinha. Coby sorrir. Vamos dar um passo de cada vez? — Eu aceito o que você quiser. Contando que você esteja de novo na minha vida. Sorrio disso. — Você quer alguma coisa? Quer comer algo? Balanço a cabeça em negação. — Não quero nada. Obrigada! Mas, me diz, como vocês duas estão? — Sente-se. Me sento e ela me acompanha. Estamos bem. Vejo ela suspirar. — O que foi? Você não está convicta desse bem. Você está esperando um sinal de Markos, que o lugar foi arrumado? — Não, Dani. Por mim Markos já deveria ter deixado essas meninas ingratas se virarem. Elas estão pressionando-o demais para arrumar outro lugar e ele continuar cuidado delas. Bufo e me levanto. — Você o viu que dia? Indaguei olhando para fora. Eu tenho certeza de que ele não vai olhar para o Nós enquanto não resolver tudo com as meninas, e me arrisco a dizer que ele vai continuar com o bordel. — Dois dias depois o incidente. Ele me ligou perguntando se eu estava bem, e se eu precisava de alguma coisa. Eu disse que não. Que eu nem sabia se queria mais esse mundo da prostituição para minha vida. Olho para ela. Ela dar um pequeno sorriso. Eu fiz um bom pé de meia, Dani. Talvez seja hora de pensar em algo fora desse mundo para mim. E outra, comecei a pensar em April depois do incidente no bordel. O que aconteceria com ela, se eu tivesse morrido? — Eu ficaria com ela, sem pensar duas vezes. Seu sorriso se amplia. — Obrigada! Mas o fato é que eu quero cuidar dela pelo resto da minha vida. Eu quero continuar sendo o apoio dela para sempre. E trabalhando nesse ramo, eu estou suscetível a tudo. A lugares invadidos por polícia, a lugares pegando fogo, e ainda cara idiotas achando que mandam em nós. Portanto, esses dias sem ir a boate, me fizeram refletir sobre tudo isso. Talvez montar uma loja de roupas, qualquer coisa que vai me garantir um retorno bom e que eu possa cuidar da minha menina. — Fico feliz que você tenha decidido isso. E se precisar de ajuda, eu estarei aqui. — Por que você não vem me ajudar na loja? Podemos montar uma loja juntas. — Eu já arrumei um outro trabalho, Coby. Na verdade, Tom conseguiu que eu fosse secretária de um colega de profissão dele. Eu fiz uma entrevista e começo já amanhã. — Fico muito feliz por você. Espero que tudo dê certo para você. — Eu também espero o mesmo para você. — Você e Markos estão bem? Foi minha vez de suspirar. — Não sei dele desde que houve o incêndio. Ela fica me olhando com uma certa pena. Não precisa me olhar assim. Em um ponto você tinha razão. Ela franze a testa. Não terá mulher que tirará o foco dele do bordel e das meninas. Eu achei que tinha conseguido, pelo menos um pouco, mas vejo que tudo passou de ilusão. Falo chateada por Markos não me considerar na vida e nem nas decisões dele. — Não fica assim, Dani. Eu conversei com ele sobre o mesmo ficar tentando consertar as coisas para as meninas. Ele me disse que era responsabilidade dele deixá-las bem e segura. Sorrio. — Eu não vou ficar remoendo Markos na minha vida. Eu já tenho problemas demais, e diferente dele, eu gostaria que ele estivesse aqui para me consolar, me ajudar na melhor decisão para minha vida, para nossas vidas, mas, enfim, ele sabe o que faz, e eu tenho que seguir em frente. — Wilson de novo? Dou outro longo suspiro. — Wilson, Thomas, e nem sei mais quem pode está atrás de mim. — Do que você está falando, Dani? Thomas está morto. Tem sonhado com ele? — Thomas está mais vivo do que eu e você juntas. Ela se levanta cruzando os braços. — Como é? Thomas está vivo? Como? Onde? Me sento e passo as mãos em meu rosto. — Wilson depois do incêndio foi até a casa de Markos com Thomas. Meu então falecido Marido, está vegetando em uma cadeira de rodas. — Mas, ele não estava morto? — Era o que eu pensei, era o que me fizeram acreditar. Eu não sei o que houve, Coby. Eu só sei que Wilson quer me prender naquela casa de novo, com a desculpa de cuidar do infeliz de Thomas. Eu me sinto perdida, mesmo que eu saiba os passos que tenho que dar, eu me sinto perdida. — Eu sinto muito, Dani. Sei que não será fácil, mas, você vai conseguir sair dessa, assim como conseguiu sair de outra armadilha desse velho i****a. — Tomara, nem que eu mesma tenha que cuidar de Thomas, porém, longe de Wilson. Ele não terá acesso mais a mim e nem a minha vida.
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