CAPÍTULO 2

2879 Palavras
Cheguei no escritório de Tom. Sair do Táxi e até esqueci de pagar o taxista, tendo ele gritado, para eu fazer o pagamento. Que vergonha! Pedi desculpa ao mesmo, e efetuei o pagamento. O escritório de Tom fica em um prédio bem alto e bonito de New York. Eu entrei e me identifiquei para o recepcionista que ficava na entrada. Depois de ser autorizada pelo recepcionista, eu subir até o vigésimo quarto andar. Meu coração está na mão. Eu quero acreditar que Tom tenha uma solução para todas as minhas dúvidas. Espero que ele me fale de cara que eu possa me divorciar sem problema nenhum, mesmo com Thomas daquele jeito. Minha preocupação está toda em volta dessa situação de Thomas. Ele não é mais o mesmo. Não sei o que ele tem ou teve, mas ele parece realmente um vegetal. Seus olhos estavam sem vida. Parecia que nenhum sangue circulava em seu corpo, porque ele estava mais branco do que já era. Ele parecia uma pessoa fria, e não é fria de personalidade, mas sim fria de morto. Ele parecia que tinha sido tirado do caixão e colocado naquela cadeira de rodas. Bato na porta do escritório de Tom e escuto um entre. Entro e sua secretária me diz que ele está me aguardando, que eu posso entrar. Dou uma batida na porta e já abro a mesma. Tom ver meu rosto e já se levanta preocupado. — Ele fez alguma coisa com você? Tom pergunta me abraçando. — Não. Ele nem pode fazer nada comigo. Tom tira seus braços de mim e me olha. — Venha. Sente-se aqui. Vou pegar uma água para você. Está muito nervosa. — E não é para estar? Eu passei quase um ano vivendo uma vida que não era verdade. Custei a viver da forma que eu estou vivendo agora. Conquistei coisas que acreditava não ser possível, pois tinha essa merda de tutela de Wilson, e agora do nada, o morto ressurge das cinzas. Como pode ser isso? O que será da minha vida agora? — Fique calma! Tom me dar uma garrafinha de água já aberta. Bebo um gole somente. Minhas mãos estão tremendo. Me conte o que houve. — O que eu já te disse. Thomas apareceu na minha vida. Apareceu como se não tivesse acontecido nada. Como se não tivesse visto o caixão dele sendo enterrado. Falo de uma vez. Minhas lagrimas não cessam. — Dani, calma. Isso não é o fim do mundo. Olho para ele limpando as minhas lagrimas. Você pode pedir o divórcio. Me levanto suspirando. — Mesmo ele estando um vegetal? Indago andando de um lado ao outro na enorme sala. — Como assim um vegetal? Olho para Tom e paro de andar. — Thomas apareceu na minha frente com Wilson. Ele está em uma cadeira de rodas. Ele não tem movimento algum. Seus olhos estão sem vidas. Ele está pálido parecendo um papel transparente. Tom franze a testa. — Você está querendo dizer que Thomas está doente? Que ele não tem consciência de nada a sua volta? Assinto. — É o que parece. Agora me diz. Eu vou conseguir pedir o divórcio assim? Posso pedir uma anulação do nosso casamento, já que ele e o pai fingiram a própria morte? Posso sair dessa sem olhar para trás, para nenhum desses dois? Me diz Tom. Me diz que eu vou continuar vivendo tudo que eu estou vivendo. — Vem cá. Ele me puxa para me sentar. Me dar um lenço de papel, para enxugar meu rosto. Enxugo e seguro firme o papel embolado na minha mão. Temos duas questões aqui. A primeira delas que, Wilson terá que comprovar o motivo de Thomas está vivo. Não faz sentido ele ter feito um funeral e o filho está agora aqui. Outra questão. Ele suspira e já sei que virar merda para meu lado. Você pode solicitar o divórcio, mas teremos que provar que torne impossível a continuação da vida em comum, desde que, após uma duração de dois anos, a enfermidade tenha sido reconhecida de cura improvável. Me levanto. — Você está me dizendo que eu tenho, que voltar para Thomas e ficar com ele, por dois anos, para comprovar que a doença dele não tem cura, e só assim eu poderei pedir o divórcio? Indaguei já temendo isso. — Se ele estiver da forma que você está dizendo, sim. Você terá que ficar com ele, para comprovar isso. — Eu não posso simplesmente deixar ele morar com o pai e depois desses dois anos pegar o laudo médico e comprovar que ele não tem capacidade mental para responder por ele mesmo? — Nada te impede de fazer isso. Mas conhecendo as artimanhas de Wilson, ele pode requerer que você fique na casa para cuidar do seu marido. Bufo. — Que merda, Tom! Eu não terei escapatória? Não tem nada que eu possa fazer? — Porque não vamos tentar entender o que houve primeiro com Thomas. Wilson não te disse? — Ele quer que eu volte para casa deles, como se não fosse nada. Ele quer me prender de novo, porém, eu não vou deixar isso acontecer. — Daniela, se o a decisão do juiz for que você fique com Thomas, isso não implica em você morar com ele na casa de Wilson. Você pode morar com Thomas em qualquer lugar. — É mesmo? Onde? Com Markos? Porque hoje eu estou morando com ele. Estamos juntos. Grito com raiva disso tudo. — Calma! Vamos buscar alternativas. Markos mesmo pode te ajudar com isso. Suspiro. — Markos está com os seus próprios problemas para lidar. Falo lembrando que Markos não quer que eu me meta em seus problemas, então não quero que ele se preocupe com os meus. — Eu sei. As coisas não serão fáceis para ele. Apesar de achar que ele já estava com a ideia de largar aquilo mesmo, então ele não deveria se preocupar tanto. Concordo, mas não digo nada. Não cabe a mim falar o que eu penso ou não. Markos deve saber melhor o ele faz. —Te aconselho por enquanto a sair da casa de Markos e voltar para casa de Coby. Wilson pode te processar, por você morar com um homem, ainda casada com o filho dele. Sorrio de nervoso, porque, como eu vou voltar a morar com Coby, sendo que não estamos bem? Não digo nada a Tom. Eu terei que me arranjar em outro lugar. — Não é muito i****a isso? Eu reconstruir a minha vida. Eu tenho um relacionamento, e nem isso eu posso ter mais, porque eu estou casada. Eu sou casada. Droga. Meu nervosismo está a flor da pele. — Você está à beira de um colapso nervoso. Eu acho melhor você ir para casa, e se acalmar. — E depois? Depois eu finjo que nada disso está acontecendo? Indago com ironia. — Vá descobri mais sobre essa volta de Thomas. Wilson não pode fazer mais nada contra você. Ele não pode te prender. Não pode fazer nada com você. Procure ver os relatórios médicos dele. Vejo o que ele tem, e se é reversível. Se for ou não. Você terá que aguardar o que o juiz disser. Passo as mãos no rosto. Eu já estava casada disso tudo. — Eu vou embora. Preciso colocar a minha cabeça no lugar. Suspiro e me levanto. Obrigada, por me ajudar mais nessa situação. Minha vida é uma bagunça total. — Não precisa agradecer. Faço isso de coração. Eu só quero que você tenha em mente, que tudo vai dar certo. Eu vou já entrar com o pedido de divórcio, e vamos ver o que pode ser feito. — Tom? Não tem a audiência de titularidade de pensão? Ela não é essa semana? — Sim. Verdade. Vamos ver o que conseguimos nessa audiência. — Ok. Obrigada! Dou um abraço nele e saio do seu consultório. Eu vou andando para o parque. Como disse a Tom, minha vida é uma bagunça. Como pode ser, de viúva a casada novamente? E ainda com o defunto? Não. Não pode ser. As coisas poderiam continuar do jeito que estava. Eu estava vivendo perfeitamente bem. Feliz. Tinha uma vida, e agora o que eu tenho? O que eu vou ter? Passo as mãos na minha cabeça, nervosa. Fico no parque até tarde. Eu nem tenho lugar para dormir, já que Coby e eu brigamos. Não seria legal eu aparecer lá e dizer que eu estou de volta. Não seria falsa a esse ponto. Vou ficar hoje na casa de Markos e depois eu vejo um lugar para morar. Peguei um táxi e fico pensando em como será meu relacionamento com ele. O que será que ele vai pensar? Precisamos conversar. Só assim vamos poder tomar a melhor decisão para nossas vidas. Chego em seu apto, e ele não está. Pego meu telefone e ligo para ele, uma, duas, três, quatro e cinco vezes. Nada. Ele não atende. Bufo. Ele deve está bastante ocupado. Resolvo tomar banho. Já eram dez horas da noite e nada de Markos. Eu já liguei para ele várias vezes e nada. Não é possível que ele não esteja vendo seu celular tocar. Não é possível que ele não entende que eu estou preocupada. E não é possível, que ele esteja realmente arrumando lugares para todas ali. Suspiro chateada. No outro dia, eu estava m*l. Eu não conseguir dormir. Eu tinha Markos que não deu sinal de vida. Eu tinha Thomas e Wilson que deram sinal de vida. Tudo estava uma bagunça na minha cabeça. Eu não queria pensar muito nisso durante a noite, mas era inevitável. Minha vida virou de cabeça para baixo em menos de vinte quatro horas. Me levanto. Pego meu celular e ligo novamente para Markos. Ele não me atende, de novo. Estou começando a ficar preocupada com ele. Será que ele foi para delegacia? Será que houve algo com ele e as meninas? Droga. Ele podia pelo menos responder para saber se ele está bem. Me arrumei. Eu tinha que ir para a faculdade hoje. Já faltei dois dias, e não poderia faltar mais. Ontem achei que iria lá pegar as matérias que foi dada, porém, os acontecimentos das últimas horas não foram as melhores. Pego minhas coisas e vou de Táxi até o local que era o bordel. Talvez ele esteja lá e eu possa ver se ele está bem e precisa de alguma coisa. Ao chegar no local. Não tem ninguém. O prédio está abaixo. Não tem bombeiros, policiais e nem as pessoas mais que trabalhavam ali. Onde está Markos? Porque ele não me responde. Resolvo ligar para Tom. Talvez ele saiba onde Markos está. — Dani? Aconteceu alguma coisa? Tom atende com voz de sono. — Desculpe te acordar, Tom. Mas é que estou preocupada com Markos. Ele não atende o telefone desde ontem, e também não dormiu em casa. Você teve alguma notícia dele? — Eu falei com ele ontem à noite. Há, Tom ele atende, a mim não. Como se eu tivesse feito algo para ele. Bufo. Ele estava tentando arrumar um lugar para todas as meninas. Como imaginei. — Tudo bem. Eu imaginei isso, mas mesmo assim, eu fiquei preocupada. Digo triste por ele não pensar em mim. Por mais que esteja com problemas, eu estou aqui pensando nele, mas ele me excluiu da sua vida como um nada. — Bryan e eu estávamos conversando ontem sobre você. Sobre seu caso. Por que você não vem morar aqui com a gente? Suspiro forte. — Tom, te agradeço, mas Magno já mora com você. É muito trabalho ter mais uma pessoa morando com vocês. É tirar toda a privacidade suas. — Deixa de ser boba. Bryan e eu já temos privacidade demais em nosso quarto. E aqui ninguém vai poder contestar, pois, somos todos amigos. Wilson não vai poder fazer nada com você morando com a gente. — Verdade. Suspiro mais uma vez. Tom, eu estava pensando. Wilson pode ter tirado Thomas de alguma clínica para vir me chantagear a voltar para casa e também para impedir que a pensão passe para mim. — Pode ser mesmo. — Então, e se eu quiser manter ele nessa clínica ou em outra com o dinheiro que ele recebe dessa pensão. Eu posso? — Sim. Nada te impede. Mesmo porque, você é a esposa e pode tomar qualquer decisão em relação aos cuidados e saúde de Thomas. Uma luz no fim do túnel. — Estou começando a ficar aliviada com isso. Digo menos triste do que ontem. — Vamos resolver isso na audiência de verificação da pensão. Enquanto isso, venha morar comigo e os demais aqui. Não vamos nos importar em ter você na nossa casa. Você terá seu quarto e toda sua privacidade. Fora que Magno vai curtir demais ter você aqui em casa. — Obrigada! Eu já estava pensando em que fazer, já que Coby e eu não estamos bem. — Imaginei pela sua cara, a hora que falei sobre ela ontem. Por isso, cometei com Bryan e ele propôs você vir morar com a gente. — Vocês são uns fofos. Mais uma vez, muito obrigada! — Não precisa agradecer. Precisa de mais alguma coisa? — Não. Quero dizer, só uma pergunta. Você contou para Markos? — Não. Eu acredito que vocês têm que conversar, e outra, ele não está em um humor legal. Achei melhor não mexer com ele nesse momento. — Claro. Vamos deixar ele resolver o que ele tem que resolver. Digo com o coração partido. Porque ele poderia me responder. — Eu não disse isso para você desistir de falar com ele. Eu disse, que eu não iria falar com ele sobre isso, porque é algo de vocês dois. Essa decisão tem que ser tomada por vocês dois. — Deixa ele resolver o que ele tem para resolver, depois conversamos. — Não fique chateada com ele. O mesmo está sofrendo. Ele é um cara que pensa nos outros, antes de pensar em si mesmo. Ele não olha sua vida, enquanto, não arrumar a vida dos outros. E enquanto ele não arrumar um lugar para todas aquelas meninas, ele não vai dar atenção para nada relacionado a ele. Eu estou para escanteio até ele resolver. — Eu entendi, Tom. Não se preocupe. Vou deixá-lo resolver o que ele tem que resolver. Agora eu preciso ir. Estou chegando na faculdade. — Quando você vem para cá? — Depois da faculdade eu vou pegar minhas coisas na casa de Markos elevo na para sua casa. — Ok. Vou deixar Magno de sobreaviso. — Eu quero ir até a casa de Wilson, hoje ainda para tentar entender o que houve com Thomas. Eu preciso entender para gente não sermos pego de surpresa no tribunal. — Tudo bem! Mas tome cuidado. Qualquer coisa me ligue. — Tudo bem! Até mais. Desligo e entro na sala. Na faculdade, não tinha muitas coisas interessante. Como terá prova na semana que vem, o professor estava dando uma revisão da matéria. Se eu soubesse que seria isso, eu não tinha vindo. Eu já teria ido para casa de Wilson para tentar entender o que houve com Thomas. Porém, já que estou aqui, eu ficarei até o fim da aula. Como esperado por todos da sala. Hoje foi o dia da revisão para as provas da semana que vem. Assim que acabou a aula, eu fiquei pensando em ir à casa de Markos e pegar minhas coisas. Mas decidir ir para casa de Wilson e resolver essa bagunça que ele trouxe para minha vida. Wilson pode querer me prender ao lado de Thomas o resto da vida, porém, diferente do que eu era antes, ele não perde por esperar. Nada me fará voltar para Thomas. Nada me fará voltar para aquela casa. Ele pode usar toda força. Comprar a lei, querer usar todos os métodos que ele ache devido, mas, eu não voltarei a morar nem para Thomas. Eu já pensei em como farei com Thomas. Eu não preciso do dinheiro da pensão dele para viver. Eu terei que procurar outro trabalho, porém, nada me fará usar o dinheiro da pensão dele. Esse dinheiro será gasto com o próprio na sua reabilitação em uma clínica. Eu pagarei tudo para saber se ele vai ficar bom ou não. E caso não fique. Pagarei a clínica para ele ficar pelo resto da vida e irei atrás da minha liberdade. Tudo que eu mais quero. Eu pego um táxi para ir para casa de Wilson e fico pensando na minha estratégia para não ficar sobe o domínio dele e nem de Thomas novamente. Por mais que Thomas esteja assim, eu ainda terei que ficar para cuidar dele, se eu não tomar rédeas da minha vida. Meu celular toca e é Coby. Estranho, porque ela não tem falado comigo nesses dias. Na verdade, não nos falamos desde que ela me contou seus sentimentos por Markos. Eu não queria atender, porém, sei que ele deve saber dele. Deve saber o que está acontecendo com ele. Como diz ela. Eles são amigos e ele conta tudo para ela. Suspiro forte. Tudo que eu queria agora era alguém para desabafar. Uma amiga que me apoiasse e me ajudasse a entender melhor sobre meus pensamentos.
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