Estávamos sentados na sala de espera. Já tinha preenchido a ficha com os dados de Thomas.
Wilson estava com os documentos do filho, então eu tive que ir lá fora até ele para pedir. O mesmo estava ainda ajoelhado se recuperando. Mas enfim, já estávamos os quatro aqui esperando o médico chamar. Meu então sogro, está de cara fechada e meio impaciente. Na hora que fui pegar os documentos de Thomas, ele me ameaçou. Disse que isso não iria ficar assim. Nem me abalei. Ele não tem poder sobre mim. Nunca mais.
— Thomas Clarke! A assistente do médico chama pelo meu querido marido. Me levanto e já vou empurrando a cadeira de rodas dele.
— Vou te esperar aqui. Bryan diz e eu assinto.
— Obrigada! Vejo Wilson vir do meu lado e o paro. Onde você pensa que vai? Indaguei olhando firme para ele.
— Eu quero saber o que o médico vai dizer. Ele fala e eu sorrio.
— Não vai. Você não entra. Eu sou a esposa aqui e somente eu vou entrar.
— Você não pode...
— Qualquer coisa que o médico disser, se eu achar necessário, te falarei. Fora isso, não quero você perto de mim.
— Você está abusando da sorte, Daniela. Eu vou cumprir o que te prometi. Você vai voltar para nossa casa e lá eu vou te dar um corretivo. Não digo nada e vou empurrando a cadeira de Thomas.
A assistente me indica a sala. Ela abre a porta da mesma e Thomas e eu entramos.
— Boa tarde, Sra...
— Sra Clarke. Boa tarde, Dr!
— Sou o Dr Evans. Em que posso ajudar vocês?
— Então, Dr. A história é longa, mas resumindo. Esse é Thomas Clarke, meu marido. Ele havia sido dado como morto, porém, o pai dele trouxe ele de não sei onde, desse jeito. O Dr olha para Thomas e se levanta.
— A Sra não sabe o que houve com ele? O médico indaga olhando Thomas.
— Não. Ele pega um aparelho de pressão, de ouvido e coração, para poder examinar o mesmo. Vejo ele fazer todos os procedimentos básicos. Ele pega na mão de Thomas e solta a mesma. Vai para perna e estica a mesma. Volta e olha o pescoço.
— O que são essas marcas no pescoço dele? O médico indaga olhando parra mim.
— Eu não moro com ele. Como disse, ele foi dado como morto e quando o pai dele o trouxe de volta, eu não voltei a morar com eles, por motivos que nem vale a pensa dizer. Mas respondendo a sua pergunta, o pai dele disse que ele estava agitado quando foi tirar a camisa dele. O médico suspira.
— Eu não posso confirmar, porém, por anos de experiência, essas marcas são maus tratos.
— Eu imaginei. Ele se senta. Ele era saudável?
— Sim. Muito. Andava, falava, corria. Ele fazia tudo que uma pessoa normal faz e por isso que não entendo o motivo dele está assim.
— Você pode fazer exames nele hoje? Eu quero fazer uma bateria de exames para saber o que levou ele a ficar assim. Assinto.
— Claro. Pode pedir que eu vou levar ele aonde for para fazer esses exames.
— Não precisa levar. A nossa clínica é uma das mais equipadas do país, portanto tudo será feito aqui. Vou pedir para fazer exames de sangue, neurológicos, dentre outros que eu julgo necessário. Somente assinto. Não estou preocupada com os custos. Magno foi muito gentil em me dar um bom dinheiro para suprir os gastos de hoje com Thomas.
— Pode começar. Não quero sair daqui sem saber se ele vai voltar ao normal ou não.
— Ok. Ele se levanta e vai para porta. Só tem ele e o pai na casa deles?
— Sim. Por quê?
— Sugiro que você o tire do pai. Ele fala e sai. Eu imaginava isso, porém a certeza é muito dura. Ainda mais sem saber por que Wilson está maltratando o próprio filho, já que ele o amava mais que tudo. Não lembro de uma vez que ambos brigaram ou tiveram desentendimento. Eu preciso falar com Bryan. Terei que arrumar um lugar para ficar e cuidar de Thomas. Contratar uma enfermeira para me auxiliar quando não tiver em casa. Passo as mãos na minha cabeça e suspiro. Olho para Thomas.
— Eu gostaria que você não estivesse assim. Que não estivesse morto, mas não assim. Porque se você estivesse bem, normal, essa hora já teria saído da minha vida. Porém, eu vou te ajudar. Vou esgotar as minhas forças para ver você minimamente bem, porque, eu não quero mais ficar com você.
— Podemos levá-lo? Uma enfermeira aparece.
— Sim. Eu acompanho vocês.
Nas próximas quatro horas eu fiquei para lá e para cá, acompanhando Thomas fazer todos os exames.
Bryan me mandou mensagem, perguntando se estava tudo bem, e eu responde que sim. E que Thomas estava fazendo um monte de exames.
— Sra Clarke? O Dr Evans me chama. Eu estava do lado de fora vendo o Thomas fazer o exame de ressonância. Olho para ele.
— Está tudo bem? Indaguei.
— Sim. Estamos terminando os exames, porém, gostaria que a Sra permitisse fazer uma lavagem estomacal nele. Franzo a testa.
— Lavagem? Por quê? Fiquei confusa.
— Pelos exames, o seu marido não tem nada no estomago que não seja remédios.
— Como assim? O pai dele não faria isso com ele. Ele tem comido não?
— Parece que não. Ele está desidratado, desnutrido, e tem uma insuficiência de proteínas e nutrientes no sangue. Fico em choque. Eu não sei como ele estava vivendo, porém, isso não é de agora. Eles estão alimentando-o somente com medicamentos. Estou chocada, surpresa e com raiva de Wilson. Porque, por mais que eu não queira mais Thomas perto de mim, eu não quero e nunca quis o mau dele.
— O Dr acha que ele pode está assim devido a medicamentos?
— Sim. Mas não quero fazer o diagnóstico sem receber os devidos resultados dos exames. Assinto. E esperança cresce em mim.
— Se for os medicamentos que estão causando isso nele, tirando os remédios, ele poderá voltar ao normal? Pergunto com um misto de esperança e alívio dentro de mim.
— Sim. Mas eu não sei direito quais os remédios que causaram isso nele. Vamos esperar os resultados e assim eu vou te falando. Assinto. Tomara que dê certo. Eu posso mandar fazer a lavagem?
— Claro. Pode sim. Eu só vou avisar meu amigo que está me esperando na sala de espera, que vou demorar mais. Já volto.
— Pode ir. Tome um café, relaxe um pouco. Vai demorar mais. Assinto. Olhei no relógio e era quase sete da noite e eu nem come nada. Estou realmente com fome. Ele ia sando e eu o chamei. Dr? Ele me olha. Não deixe ninguém entrar com ele se não for eu. O pai dele está na sala de espera e pode tentar alguma coisa.
— Pode deixar. Ninguém vai entrar se não for você.
— Obrigada! Sai e fui para sala de espera. Bryan estava lá com Tom. Wilson assim que me ver já vem para cima de mim.
— Onde está meu filho, Daniela?
— Fazendo exames. Digo simplesmente isso e vou até Bryan e Tom.
— Não temos dinheiro para arcar nada aqui. Ele grita atrás de mim, porém, eu nem me abalo.
— Você está com uma cara péssima. Tom diz e me entrega um pacote de algo.
— Eu me sinto cansada. O que é?
— Trouxe algo para vocês dois comerem. Ele diz e eu agradeço.
— Obrigada! Podemos ir lá para fora um pouco. Preciso de ar. Digo e eles assentiram.
— Onde você pensa que vai com esses dois homens? Wilson me agarra pelo braço e Tom vai para cima dele.
— Larga ela agora. Ele fala cara a cara com Wilson. Wilson olha para mim e eu fico esperando ele me soltar. Está esperando o que? Tom fala de novo.
— Você vai me pagar, muito caro. Pode esperar. Wilson fala, e eu não digo nada. Saio sem me abalar.
— Você está bem? Tom indaga do meu lado.
— Sim. Não se preocupe. Wilson não pode me atingir mais. Me sento em um banco na parte de fora da clínica.
— O que você tem? Fora o cansaço? Bryan indaga.
— Eu preciso sair do apto de vocês e arrumar outro lugar.
— Por quê? Dani, não precisa disso. Você pode ficar com a gente o tempo que for. Não...
— Thomas não pode mais ficar com Wilson. Digo olhando para o nada.
— O que está acontecendo? Tom questiona sentando do meu lado.
— Wilson está maltratando Thomas.
— O que? Olho para Tom.
— Eu não sei por que, mas está. E eu sei que ele está sendo maltratado. E você podem está pensando. Que se dane o que Wilson faz com o filho, será um a menos para te atormentar. Porém, não é assim. Wilson não vai matar o filho, pelo menos até eu voltar para casa dele e ele ter o domínio sobre mim. Ele pode fazer o que quer com Thomas, mas vai usá-lo para infernizar minha vida. Portanto, eu prefiro cuidar dele e fazer tudo para ele melhorar e assim eu poder ter a minha vida de novo.
— As marcas no pescoço dele foram feitas por Wilson? Bryan me questiona.
— Ele não me confirmou, mas deu a entender que sim. Eu não quero ficar à mercê dos dois, e também não quero que Thomas fique à mercê do pai sem poder se defender. Dito isso, eu realmente preciso de outro lugar para ficar e cuidar de Thomas. Vou trabalhar e o dinheiro da pensão dele pode ser para pagar uma enfermeira que me ajude enquanto eu estiver fora.
— A sua audiência é terça feira. Vamos te apoiar em tudo que você quiser fazer. Se você precisa de algum lugar, temos esse lugar. Franzo a testa.
— O meu antigo apto. Ele é meu e você não vai precisar pagar aluguel, somente as contas normais. Bryan fala e eu me levanto.
— Não, Bryan. Eu não posso aceitar.
— Pode e vai. Dani, ele está mobiliado. A minha intenção era vender, mas até hoje eu não tomei essa decisão, portanto aceite, pelo menos até você se organizar direito e Thomas está melhor. Olho para Tom e ele assentiu com a cabeça.
— Não vamos deixar você desamparada. Você pode não aceitar, mas vamos continuar procurando algo para você ficar longe e segura de Wilson. Dito isso, aceite o apto do Bryan. Ele está parado e enquanto ele não resolve o que fazer com ele, você pode ficar lá. E outra, é bom um lugar que Wilson desconhece.
— Ele pode entrar na justiça contra mim por impedir ele de ver o filho?
— Pode, mas na audiência podemos determinar dias e horas para ele ver o filho supervisionado. Podemos alegar a medida protetiva que você tem contra ele. Fico pensativa com isso. Não pense muito Dani. Estamos aqui para te ajudar
— Tudo bem! Eu aceito. E obrigada vocês dois novamente. Digo pegando nas mãos de ambos. Vocês são mais que amigos para mim, são a família que eu nunca tive. Eles sorriem.
— Considere da nossa família também. Você não vai fugir de nós. Foi minha vez de sorrir.
— Obrigada por tudo, meninos.
— Agora coma. Você terá que ter força e energia para bater de frente com Wilson e ainda cuidar de Thomas. Bryan fala e eu assinto.
— Verdade. Tiro o sanduiche que Tom trouxe e começo a comer. Thomas pode está sendo topado por remédios. Digo após engolir um pedaço do sanduíche.
— Esse pai dele é um lixo. Tom fala se levantando.
— O fato é que ele não tem alimentado Thomas e somente dando remédios. Eles vão fazer uma lavagem estomacal nele e assim vamos ver como ele se recupera sem remédios.
— Uma luz no fim do túnel. Bryan indaga.
— Sim. Pensei o mesmo. Espero que tudo se confirme e que Thomas volte a vida que ele tinha antes. Sem mim.
— Vamos torcer para tudo dar certo. Voltei a comer em silêncio. Só pensando que Thomas vai sair dessa, e vamos seguir. Cada um para seu lado.
Acabo de comer...
— Gente, eu acho que vai demorar mais. Se vocês quiserem ir...
— Nem precisa terminar. Vamos ficar aqui até acabar. Sorrio e somente assinto. Esperar pelos resultados dos exames e depois comunicar a Wilson que eu cuidarei de Thomas. Ele não queria isso? Então, ele terá.