Já estávamos na audiência. Eu sair mais cedo da faculdade e pedir a Tom para me ajudar a levar Thomas.
Ele passou em casa mais cedo e pegou Thomas e eu vir direto da faculdade.
Thomas, Tom e eu estávamos na sala de espera, somente aguardando sermos chamados.
Wilson e seu cão de guarda ainda não chegaram, e eu estava preocupada com isso, pois, ele pode não vir e querer ganhar tempo. Se isso acontecer, eu não sei o que farei.
— Dani, eu já quero te preparar... Tom fala chegando perto de mim.
— Ele pode não vir, né? Indaguei suspirando. Ele apenas assentiu. Wilson é um filho da p**a. Ele só que me fazer m*l. Mas, se ele acha que vai conseguir, ele não vai.
— Fique calma. Caso isso aconteça, nós vamos entrar com o pedido novamente e ter a certeza de que ele não vai fugir.
— Cadê meu filho, Daniela? Wilson aparece gritando. Pela primeira vez eu me sinto aliviada por ele está aqui. Ele vai adentrando a sala de espera e olho para um canto que Thomas está em sua cadeira de rodas.
— Achei que você fugiria dessa audiência. Digo me sentando mais calma.
— E eu só lá homem de fugir de alguém ou de algo? Você vai perder e ainda vai voltar para nossa casa e cuidar de tudo e todos lá. Ele fala olhando bem firme para mim. Sorrio.
— Sonho, Wilson. Somente um sonho seu e um pesadelo meu.
— Vamos ver. Ele afirma.
— Senhores e senhora, a audiência vai começar. Uma pessoa aparece na sala de espera falando. Vamos todos. Wilson quis dar um de bom pai e foi empurrando a cadeira de rodas de Thomas.
Entramos na sala onde seria a audiência e nos sentamos. Wilson colocou Thomas do seu lado. Ele realmente acha que vai sair daqui com ele, e comigo. Sorrio por dentro.
Não demora muito, uma juíza chega. Nos levantamos e ela se apresenta como a Juíza Danna. Ela vai presidir a audiência.
— Podem se sentar. Vamos começar. A palavra ao advogado de acusação. Dr Carter. Tom se levanta.
— Excelência, estamos aqui hoje, porque a Sra Clarke, minha cliente, descobriu que o Sr Wilson Clarke, recebia e está recebendo uma pensão em nome do filho que foi dado como morto a meses atrás. No primeiro momento, achamos que era uma pensão por morte, e que deveria está beneficiada para minha cliente, porém, fizemos uma investigação, e constatamos que se tratava de uma pensão por doença. Ficamos mais confuso, já que Thomas Clarke estava morto. Porém, para nossa surpresa, o Sr Thomas Clarke está vivo.
— Onde ele estava? A Juíza indaga.
— Não sabemos. O Sr Wilson Clarke apareceu com o filho em uma cadeira de rodas na porta do prédio onde minha cliente morava. Pegando a mesma de surpresa.
— Sr Clarke, pode responder onde seu filho estava? Onde o Sr o achou? Olho para Wilson esperando sua resposta.
— Excelência, eu recebi uma ligação falando que meu filho estava em uma clínica, porém, eu não acreditei, já que ele tinha sido dado como morto. Mas as ligações não cessaram, então resolvi checar e aí eu o reconheci e trouxe ele de volta para a casa dele. Pura mentira dele. Ele está mentindo. Homem nojento.
— E como o Sr Clarke explica a pensão por doença e também o reconhecimento do corpo. Tom argumenta.
— Responda, Sr Clarke. A juíza pede.
— Eu não sei o motivo de receber uma pensão por doença e não por morte, e que bom que foi assim. Esse erro virou o certo, já que meu filho está bem aqui. Ele fala pegando na mão de Thomas. Muito cínico. E quanto ao reconhecimento do corpo, eu achei ser mesmo o do meu filho.
— O Sr pediu DNA, para confirmar que era ele? A Juíza indaga.
— Não. Eu estava tão abalado quando recebi a notícia da morte dele, que não pensei em nada que não fosse enterrar ele, e acabar com minha dor e da minha nora. Reviro meus olhos.
— Pode continuar, Dr Carter.
— Como a Juíza pode ver, o Sr Thomas Clarke está aqui, com uma saúde debilitada, precisando de cuidados.
— Quem está cuidando dele?
— Minha cliente. Assim que o Sr Clarke trouxe o filho, ela foi até a casa dele e o levou para uma consulta e está cuidado dele.
— E o que ele tem é irreversível?
— De acordo com os laudos médicos... Tom pega a pasta que contém os laudos e passa para a Juíza. Ele teve uma dosagem muito alta de remédios e drogas no organismo, por isso está assim. Mas à medida que essas substâncias forem saindo do seu organismo, ele vai responder ao tratamento. Wilson fica inquieto. Eu tenho certeza de que ele fez algo para o filho. Porém, para que e por quê? E por isso que minha cliente está pedindo acesso a pensão. Para poder dar continuidade ao tratamento do marido.
— Meu cliente tem uma objeção, Meritíssima. Dr Henriques diz se levantando.
— Qual objeção? A Juíza indaga.
— Meu cliente quer a nora volte para casa com o filho. Pois ele não quer ficar longe deles, já que é a única família que ele tem. Meu cliente está desde sexta- feira sem ver o filho, porque a Sra Clarke o tirou do pai para o hospital e de lá foi levado para morar com outro homem.
— Uma pouco vergonha. Wilson fala me olhando. E o sorriso que eu estava no rosto na hora que eu ouvir o Dr Henriques falar sobre morar com outro homem, continuar maior. Ele é um louco, retardado mental.
— Isso é verdade, Sra Clarke?
— Não, Excelência. Posso dizer que sim, que estava em um relacionamento, e até morava com esse homem, já que estava viúva. Estava reconstruindo minha vida. Mas acabou. Infelizmente, a volta de Thomas e outros acontecimentos me fizeram terminar.
— Você não tinha e nem tem esse direito. Wilson grita e eu sorrio para ele.
— E porque, Sr Clarke? Como vi aqui, o seu filho foi dado como morto, então, ela tinha o direito de refazer sua vida.
— Ela deveria se manter para memória do meu filho. Gargalho. Tom olha para mim e eu paro de rir.
— Excelência, esse Sr acha que tem domínio sobre minha vida. Porém, ele não tem, e nem terá mais. Eu não volto a morar com ele. E se a decisão da Vossa excelência for que o filho volte a morar com o pa. Eu não vou me opor, porém, eu não estarei nesse barco. Sou sincera.
— E pretende abandonar seu marido doente?
— Quem me abandonou primeiro foi ele, portanto, fique à vontade.
— Excelência, quero uma ordem judicial para obrigar ela a voltar para casa comigo e o marido. A Juíza fica olhando para ele e para mim.
— Meritíssima, tem um adendo nessa solicitação do Sr Clarke. Ele não pode chegar a 100 metros da Sra Clarke. Pois, ele a agrediu várias vezes. Entrava no quarto dela a noite, com o intuito de cuidado. Ele tem burlado todas as tentativas de afastamento que a Sra Clarke pediu para ele. Portanto, esse pedido dele é infundado.
— Infundado por querer minha única família perto? Eu não aceito viver longe deles.
— Sr Clarke, o Sr terá que aprender a viver longe deles. A Juíza diz e eu sorrio
— O que? Wilson grita se levantando.
— Se acalme...
— Ele é meu único filho. A Sra não pode fazer isso comigo.
— Eu não posso obrigar a Sra Clarke a conviver com o Sr. Pelo que vi aqui, vocês dois não tem nenhuma estima um com outro. E o seu filho, é casado, então os cuidados dele e qualquer decisão que tenha sobre ele, é responsabilidade dela. Sendo assim a pensão por doença passa a ser para os cuidados dele e ela será a responsável.
— Não. Eu não aceito. Ela tem que voltar para casa com meu filho. Ele grita.
— A decisão já está tomada.
— Meritíssima, pedimos que ele possa ver o filho. Dr Henriques indaga.
— Excelência, gostaríamos que essa visita seja supervisionada por um oficial. Não sabemos o porquê o Sr Thomas Clarke está assim, e porque ele sumiu. Só sabemos o que o Sr Clarke conta, portanto até ele melhorar, poder falar o que realmente aconteceu com ele, pedimos que essa visita seja supervisionada e também aqui no fórum.
— Por que isso? Por acaso estão achando que eu que fiz isso com meu filho. Wilson dar um de ofendido. Coitado.
— Minha cliente não quer ter contato nenhum com o Sr. E como disse, foi o senhor que enterrou o corpo e reapareceu com ele.
— Eu vou te processar por difamação. Wilson grita.
— Eu vou permitir que o Sr veja o seu filho. E como solicitado pelo advogado da Sra Clarke, essa visita será aqui no fórum, supervisionada.
— Eu não aceito isso. Eu nunca faria m*l ao meu filho.
— Audiência encerrada.
— Eu vou recorrer. Wilson grita com mais raiva.
— O Sr está no seu direito. Me levanto sorrindo.
— Isso não vai ficar assim. Você vai voltar para mim e não vai sair. Só essa menção, já me dar nojo.
— Boa sorte! Pego na cadeira de rodas e saio andando. Espero nunca mais ver esse ser. Ele pode fazer o que quiser.
— Dani, eu tenho que dar entrada na papelada para mudança do responsável da pensão. Você pode deixar Thomas aqui, que eu o levo para casa.
— Não. Eu vou me atrasar, mas não quero te dar mais trabalho.
— Deixa de ser boba. Vai trabalhar, eu cuido dele.
— Tem certeza?
— Sim. Sorrio e o abraço.
— Obrigada! Deixa eu correr então. Dei um beijo em seu rosto e sair correndo para mais um dia de trabalho. Andrew havia me dado algumas horas devido a audiência. Mas eu não queria abusar, e também não queria abusar de Tom.
Eu passei o dia todo trabalhando. Como ontem, Markos mandou meu almoço. E como ele havia afirmado, ele estaria na porta da faculdade todos os dias para me ver, e hoje ele estava. Não saiu do carro e nem fez sinal de nada ao me ver. Mas, eu o vi e nossos olhos se conectaram automaticamente.
Se eu sinto falta dele? Todos os dias. Porém, eu não quero ficar pensando nisso. Minha vida amorosa vai ficar em algum canto, para que eu possa focar em Thomas e sua recuperação.
Grande tola que eu sou...
Sorrio de mim mesma, porque esse pensamento de me focar em outra coisa que não seja Markos, não vai muito para frente. Não dura nem dois segundo. Eu o amo muito. E lamento tudo que aconteceu para nos afastar. E todas as vezes que eu o vejo, me dar uma vontade de esquecer tudo que aconteceu e pular em seu colo e me sentir amada, como todas as vezes que fui amada por ele. Saio dos meus pensamentos com o barulho do meu celular tocando. Vejo e é Coby. Atendo
— Oi, Coby! Está tudo bem? Indago assim que atendo.
— Sim, está sim. E você? Como foi a audiência?
— Foi excelente. Conseguir tirar Wilson do meu pé. Pelo menos por enquanto, porque sei que ele não vai ficar quieto.
— Thomas então ficará com você?
— Sim. Até ele melhorar, sim.
— Que bom, amiga! Fico feliz por você. Ela fica em silêncio.
— Coby? Está tudo bem mesmo? Indaguei preocupada com o silencio dela.
— Markos esteve aqui. Ele está arrasado por você ter terminado com ele. Foi minha vez de ficar em silencio. Dani, não pense besteira. Eu já disse que sou incapaz de fazer qualquer coisa para acabar com nossa amizade, e até mesmo te magoar. Ele só veio conversar mesmo. Estava muito triste. E pela primeira vez, eu o vi frágil. Ele está se sentindo sozinho.
— Eu sinto muito, mas ele teve as prioridades dele e me deixou fora da sua vida, agora eu tenho minhas prioridades. Não posso lidar com meus sentimentos agora. Digo mentindo para mim mesma.
— Ele me disse que não vai desistir de você.
— Ele disse o mesmo para mim, mas quero deixar o tempo falar por nós dois. Minha vida é outra, Coby. Eu sou casada com um cara que está vegetando, e nem sei por quanto tempo.
— E se Thomas não melhorar, você vai continuar casada com ele?
— Não. Se eu não ver que está tendo resultado o tratamento dele, eu vou deixá-lo em uma clínica especializada e cuidar de mim e da minha vida. Não posso e nem conseguiria viver assim por muito tempo. Já não basta os anos que perdi com ele.
— Entendo. Só estou com dó de Markos. Ele está muito triste.
— Como disse, deixe o tempo falar por nós. Se for para voltarmos, voltaremos.
— Foi o que eu disse para ele.
— Ele conseguiu um lugar para as meninas? Perguntei por que estou curiosa.
— Sim. Ele alocou todas elas em um lugar que será controlado por Thales. Mas isso eu não fiquei sabendo da boca dele, mas sim da Anjela, que me ligou e perguntou se eu não iria continuar com elas. Ela me contou que Markos arrumou o lugar para todas e entregou tudo nas mãos de Thales. Ela me contou também que Tara e Brida ficaram possessa por Markos ter passado tudo para Thales e não continuar.
— Elas acharam que ele continuaria?
— Sim. Ninguém sabia do plano dele de sair fora de dessa vida. Tara foi a primeira a dizer que ele não estava cumprindo a promessa de ficar com elas, de cuidar delas. E ele foi bem taxativo dizendo que nunca havia prometido nada disso a elas. Que só garantiu que enquanto ele estivesse ali, elas seriam cuidadas e não permitiria que nada acontecesse com elas. Anjela me disse que ela e Brida, ficaram estericas. Não aceitaram de jeito nenhum, as Markos saiu sem olhar para trás.
— Espero que ele se convença que não precisa cuidar de ninguém, somente dele.
— Verdade. Espero que ele fique bem e vocês dois se resolvam.
— O tempo vai cuidar e curar nós dois. Digo sendo sincera. Como está April? Mudo de assunto.
— Está bem. Com saudades da titia dela. Sorrio.
— No final de semana traz ela aqui em casa. Não falo que vou ai buscá-la, porque fico com Thomas no final de semana.
— Combinado, amiga. Até bom que tenho algumas coisas da loja para resolver.
— Está mesmo firme nisso?
— Sim. Quero que April tenha orgulho de mim, e também que me tenha por muito tempo.
— E será assim. Siga seus sonhos e se precisar de algo, estarei aqui.
— Obrigada! E te digo o mesmo.
— Obrigada! Foi a minha vez de agradecer. Eu tenho que ir agora. Depois conversamos mais.
— Ok. Até o final de semana!
— Até! Desligamos e eu fui ver Thomas, que já estava deitado. A enfermeira já havia dado banho nele, e trocado sua dieta.
Em seu quarto, ele estava na mesma. Seus olhos dessa vez estavam fechados. Olhei sua dieta que estava ainda pingando em gotas na intravenosa.
— Espero que você não demore a melhorar. Você precisa me dar a liberdade que eu tinha antes de você reaparecer. Digo e saio do quarto.