2- Mayara

1266 Palavras
Mayara Narrando Acordei cedo, me espreguicei e já fui direto pro banho, a água quentinha caindo no corpo relaxando tudo uma delícia, sai do banheiro e me enrolei na toalha e fui direto pro closet, que hoje tem baile e eu gosto de chegar brilhando e chamando atenção mesmo. Fui olhando as roupas até bater o olho num macacão lindo, aberto nas costas, daquele jeito que valoriza tudo que tem que valorizar, peguei um salto combinando por que eu não brinco em serviço e já deixei em cima da cama, e claro do lado coloquei minhas joias, que andar trajada no ouro é essencial, no baile, eu chego daquele jeito linda, cheirosa e poderosa. Depois de separar tudo, fui até a penteadeira dar um trato no cabelo, passe um óleo pra dar aquele brilho e comecei a arrumar os fios que hoje eu quero causar, enquanto ajeitava fiquei pensando no baile, tava ansiosa, porque sempre rende umas histórias boas, e também sabia que Lucas ia tá lá, o que já era certeza de risada e zoação a noite toda. Terminei de arrumar o cabelo e fui pra make, pele bem feita, olho marcante com aquele batom que destaca tudo no capricho, quando terminei e olhei no espelho eu sorri, eu sabia que tava um estouro. Depois disso joguei uma música no som e comecei a me vestir com calma sentindo a energia do dia, o macacão vestiu perfeito e o salto deu aquela postura de mulher poderosa e quando coloquei as joias pronto, não tinha pra ninguém, peguei meu perfume mais caro e dei umas borrifadas estratégicas, antes de sair do quarto, dei aquela última conferida no espelho. — Tá maluca, Mayara.— falei pra mim mesma, rindo, hoje a tropa que lute, porque eu vou brilhar! Antes de sair de casa, peguei o celular e mandei mensagem pro Lucas: — E aí, gostoso, já tá pronto? Vou passar no teu beco pra gente ir junto. Ele demorou um pouco pra responder, então já imaginei que devia estar se olhando no espelho se achando o mais gato do rolê como sempre, ri sozinha e fui pegando minha bolsinha conferindo se tava com tudo, celular, documento, um gloss pra retocar no baile e claro um chiclete, porque nunca se sabe. O celular vibrou e já sabia que era ele. — Tô lindo já, só esperando a patroa chegar. Revirei os olhos, mas não tinha como negar, Lucas realmente era um espetáculo, peguei a chave e saí, rebolando leve, sentindo o vento bater no corpo e sabendo que essa noite ia ser braba. Cheguei no beco dele e lá tava o bonitão, encostado na moto, de brinco brilhando e aquele sorriso sacana de sempre. — Tá podendo, hein, Mayara. — Ele passou a língua nos lábios me analisando de cima a baixo mas Lucas era gay e sempre fazia essas brincadeiras. — Para de graça, Lucas, me ajuda a subir logo. Ele riu, entreguei o capacete e eu subi na minha moto, ele segurou firme na minha cintura. — Partiu baile minha tropa! Hoje a gente vai botar pra f*der! — gritei e acelerei, cortando a noite com aquele ronco da moto. A moto cortava o vento e eu sentia a adrenalina subindo, cabelo voando e perfume se misturando com o cheiro da noite, eu pilotava como se fosse dona da rua e eu era, cheia de marra, e Lucas ali na garupa seguro e confiante. Chegamos no baile e já dava pra ouvir o grave batendo forte, o morro inteiro vibrando no ritmo da música, gente dançando, luzes piscando e um cheiro de cerveja gelada misturado com perfume doce no ar, era assim que eu gostava era ali que eu me sentia viva. Estacionei a moto e descemos juntos, ele me puxou pelo pulso e falou no meu ouvido: — Vamo brilhar hoje, quero ver se tu vai representar. Olhei pra ele com deboche e joguei o cabelo de lado. — Tu sabe que eu sempre represento né, bebê? Dei um passo à frente entrando no baile com a postura de quem manda na p*rra toda, os olhares vieram na hora, as meninas analisando meu look e os caras me secando, e eu só absorvendo tudo porque eu gostava daquilo. Lucas já foi cumprimentar o bonde dele e eu fui pegar uma bebida, antes de dar o primeiro gole, senti um olhar pesado em cima de mim, virei devagar e lá estava ele. Moreno, tatuado e com aquele olhar que parecia enxergar até a alma, Gael. Ele tava encostado na grade com o copo na mão me analisando sem vergonha nenhuma, segurou o copo nos lábios tomou um gole devagar e não desviou o olhar nem por um segundo. A tensão bateu forte. Segurei a taça e bebi um pouco e dei um meio sorriso pra ele, provocando. Se ele queria jogo, então ia ter. Subi pro camarote com minha bebida na mão, rebolando do jeito que eu sabia que chamava atenção, o baile tava pegando fogo lá embaixo, mas dali de cima a visão era ainda melhor, Lucas já tava encostado com uns parceiros, rindo alto, e eu me joguei no sofá, cruzando as pernas e apreciando a cena. Não demorou muito e senti alguém se aproximando, nem precisei olhar pra saber quem era. — Tá podendo hein, princesa, só falta o trono agora. — Gael soltou com aquele sorrisinho sacana no rosto. Revirei os olhos e dei um gole no meu drink antes de responder. — E tu, tá fazendo o quê aqui? Perdeu alguma coisa no meu camarote? Ele riu, como se já esperasse meu fora e se aproximou mais um pouco, apoiando uma mão no encosto do sofá, me cercando com aquele jeito dele. — Perdi nada, mas se tu quiser posso encontrar algo interessante... Soltei uma risada debochada e balancei a cabeça. — Credo Gael, arruma outra pra jogar esse papo furado, eu tô aqui pra curtir e não pra aturar tuas gracinhas. Ele arqueou a sobrancelha e riu de novo, mordendo o lábio de leve. — Eita, tá braba hoje, hein? Gosto assim… Bufei e virei a cara, mas sabia que ele não ia sair tão fácil, Gael gostava de um desafio, e a pior é que parte de mim adorava brincar com ele também. Fiz questão de ignorar Miguel e me virei pro baile lá embaixo, tomando mais um gole da minha bebida, mas ele não saiu dali, ficou encostado na grade, como quem não queria nada, só esperando a hora certa de falar de novo, Lucas que já tava ligado no clima, chegou perto rindo. — Ihhh, Mayara, Gael no teu pé de novo? Esse aí não aprende, não? — Pois é — falei, olhando de canto. — Parece que gosta de levar fora. Gael riu balançando a cabeça e virou o copo na boca antes de responder. — E parece que tu gosta de me dar atenção, né? Senão já tinha saído daqui faz tempo. Me virei na hora, encarando ele. — Atenção? Meu filho, desce do salto, quem te deu essa moral toda? Ele deu um passo pra perto se inclinando com a voz baixa, só pra mim: — Não precisa me dar moral princesa, eu pego sozinho. Senti um arrepio subir pela espinha, mas não deixei transparecer, dei um sorriso de canto e levantei, me ajeitando. — Vai pegar é a visão de eu te deixando no vácuo. Passei por ele sem olhar pra trás, descendo do camarote e indo direto pra pista, se ele queria brincar ele ia ter que suar muito pra me acompanhar.
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