3- Gael

1270 Palavras
Gael Narrando Eai Rapaziada, meu nome é Gael, conhecido como Chefe tenho 27 anos e sou herdeiro do morro da Babilônia, cresci no corre e aprendi desde cedo que respeito e postura valem mais que qualquer palavra, hoje, quem pisa aqui sabe que eu sou a voz sou quem comanda, sou moreno o corpo todo tatuado e cabelo sempre na régua, porque estilo é essencial, gatão mesmo, sem modéstia, as mina caem matando, todas querendo uma chance comigo, mas eu não sou fácil, sei meu valor e escolho a dedo quem merece meu tempo. No baile sou referência, onde eu passo os cara cumprimentam e as mina olham, e eu sigo tranquilo, porque sei que sou o centro das atenções, mas não me iludo com qualquer sorriso por que aqui a visão é sempre alerta, no jogo da vida quem pisca perde, e eu nunca fui de vacilar. Herdei o morro da Babilônia do meu coroa depois que ele morreu numa troca de tiros com a polícia, cena que eu nunca vou esquecer, foi naquele dia que entendi que a vida aqui é jogo sério sem segunda chance, ele me deixou a responsa de continuar o legado e eu assumi sem medo, só restou minha coroa, que faz de tudo por mim e pela minha irmã Nicole, minha coroa é guerreira, sofreu pra car*lho, mas nunca deixou faltar nada pra gente, sempre me ensinou o certo, mas sabia que eu ia seguir meu próprio caminho, ela tenta manter Nicole na linha, mas minha irmã é rebelde e às vezes dá trabalho, não aceita fácil as regras e gosta de testar o limite, e eu como irmão mais velho, tenho que segurar a onda dela também. Aqui no morro, respeito é a base de tudo, eu não sou de muito papo furado, mas quando falo todo mundo escuta, sei quem tá comigo e sei quem vacila, no meu território, eu decido o que acontece e quem tenta me passar pra trás aprende da pior forma que eu não sou qualquer um, eu e meu sub tamos na boca resolvendo umas paradas, contando o lucro da semana e organizando os corres, quando meu celular vibrou, peguei do bolso e vi a mensagem, era do Jorginho, sub da gata da Mayara. — E aí Gael, firmeza? Sábado vai rolar um baile no Dendê, a patroa mandou avisar que a presença de vocês é bem-vinda, cola lá, vai ser pesado. Dei um sorriso de canto, eu já conhecia a fama da Mayara, Mulher braba cheia de atitude, comanda o morro do Dendê com pulso firme, respeitada e bonita pra car*lho também, mas eu sabia que ela não era de se encantar fácil, mostrei a mensagem pro meu sub e ele riu. — E aí, chefia, vamo marcar presença? Dei um trago no cigarro, soltando a fumaça devagar. — Claro que vamos, quero ver de perto se esse baile deles é tudo isso que falam. Mandei um retorno pro Jorginho, confirmando nossa presença, se o Dendê tava chamando era porque queriam mostrar respeito, e eu gostava de ver quem sabia jogar o jogo do jeito certo, saí da boca depois de resolver tudo e subi pro meu barraco, no caminho já tava pensando no baile de sábado, mas assim que abri a porta, vi que o clima não tava bom, minha coroa tava sentada no sofá, enxugando as lágrimas com a ponta da blusa. Franzi a testa na hora. — Que foi, coroa? O que aconteceu? Ela levantou o olhar, suspirou fundo e balançou a cabeça. — Foi a Nicole de novo, Gael, essa menina vai me matar do coração, deu trabalho na escola, brigou com uma professora e quase foi expulsa, me ligaram hoje cedo, tive que ir lá. Minha mandíbula travou na hora, Nicole sempre foi rebelde, mas eu já tinha falado pra ela que não ia tolerar vacilo, fechei os olhos e respirei fundo pra não estourar ali mesmo, e depois olhei pra minha coroa. — Cadê ela? — No quarto trancada como sempre, achando que pode se esconder do mundo. Passei a mão no rosto tentando manter a calma e fui direto pro quarto da Nicole, bati forte na porta. — Abre essa p***a agora, Nicole. Silêncio. Bati de novo, mais forte. — Eu não tô brincando, não. Ouvi um suspiro do outro lado e depois de uns segundos ela abriu a porta com aquela cara de deboche que me tirava do sério. — Que foi agora Gael? Vai me dar sermão também? Entrei no quarto e fechei a porta atrás de mim, cruzei os braços e encarei ela de cima a baixo. — Cê acha que a vida é brincadeira, Nicole? Já te avisei que não vou ficar passando pano pras tuas merda, cê quase foi expulsa p***a! Tá querendo jogar tua vida fora? Ela revirou os olhos e se jogou na cama. — Que vida Gael? Meu destino já tá escrito, todo mundo só me vê como “a irmã do chefe”, nada mais. Me aproximei, puxei uma cadeira e sentei na frente dela. — Para de falar merda, ce tem escolha, eu mato e morro por tu, mas não vou ficar vendo tu se perder nesse caminho errado, então presta atenção, ou cê começa a respeitar nossa coroa e ajeita tua vida, ou eu mesmo te mando pra fora do Brasil, sem discussão. Os olhos dela arregalaram. — Tá me ameaçando Gael? Apoiei os cotovelos nos joelhos e encarei ela sério. — Não é ameaça, é promessa, eu não vou ver tu se afundar e ficar de braços cruzados. Ela ficou quieta, mordendo o lábio, como se tivesse processando, eu sabia que Nicole era esperta, mas também era cabeça dura. Levantei e fui até a porta, antes de sair olhei pra ela de novo. — Pensa bem no que tu quer pra tua vida, porque essa é tua última chance. Saí do quarto dela e bati a porta sem paciência, passei a mão no rosto respirando fundo pra não explodir mais ainda, mimha coroa ainda tava sentada no sofá, olhando pra mim com aquele olhar cansado, como se carregasse o mundo nas costas. — Como foi? — ela perguntou, cheia de preocupação. — Falei com ela, dei a última chance, ou ela se ajeita ou mando ela pra fora do Brasil. Minha coroa arregalou os olhos. — Gael, meu filho… — Não tem meu filho coroa, eu já tentei de tudo, se ela quer ficar aqui, tem que entender as regras, se não é melhor ir embora antes que se perca de vez. Ela suspirou e balançou a cabeça, mas não discutiu. Sabia que quando eu tomava uma decisão, era aquilo e pronto, fui pra cozinha, peguei uma garrafa de água e virei quase tudo de uma vez, minha mente ainda tava a milhão, Nicole tava me tirando do sério e eu não gostava de me sentir fora do controle, voltei pra sala e encostei na parede e fiquei olhando pro nada. — Quando é que isso tudo virou um caos, hein, coroa? Ela sorriu triste. — Desde que a gente nasceu aqui Gael, a gente só tenta sobreviver do jeito que dá. Fiquei em silêncio, a vida sempre foi assim pra gente, no limite entre o certo e o errado o possível e o impossível, eu só queria garantir que minha irmã não se perdesse no meio disso tudo. Peguei o celular e joguei uma mensagem pro Jorginho: — Tô no baile sábado, quero trocar uma ideia com a Mayara. Se era pra manter a Babilônia firme, eu precisava me conectar com os manos certos.
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