4- Gael

1400 Palavras
Gael Narrando Hoje é sábado, dia do baile no morro do Dendê, o dia m*l começou e eu já tô na correria, desde cedo tô em pé, sem tempo pra descanso, já cobrei os mano que tavam devendo porque aqui ninguém fica devendo pra mim e acha que vai sair ileso, quem joga comigo tem que jogar certo, senão aprende da pior forma e depois de resolver esses BO, chamei meu sub e passei a visão: — Hoje à noite nois vai pro Dendê, quero todo mundo no esquema sem vacilo. Ele acenou com a cabeça, já ligado no papo. — Fechamento total chefe, vai ser só nois ou leva mais alguém? — Só a tropa de confiança, não quero amador do meu lado, porque lá é outro território e a gente tem que pisar certo. Já tinha mandado mensagem confirmando presença pra Jorginho e sabia que a Mayara ia estar esperando, mais do que só curtir o baile, eu queria sentir a energia do Dendê e ver como era o comando dela de perto. Passei a tarde na função organizando tudo e quando começou a escurecer fui pro barraco me arrumar, peguei uma camisa preta de botão e deixei uns botões abertos pra mostrar as tatuagens, joguei uma corrente de ouro no pescoço e passei um perfume forte, cabelo na régua e relógio brilhando no pulso. Antes de sair olhei no espelho e dei um sorriso de canto. — O Dendê que se prepare, porque hoje a Babilônia vai marcar presença. Cheguei no morro do Dendê com minha tropa, tudo no esquema, assim que os vapor me viram, já liberaram a passagem sem barrar, respeito se impõe e eu sabia que minha presença ali não era qualquer coisa, subimos direto pro baile, o grave tava batendo forte e a fumaça no ar, gente dançando e o clima daquele jeito quente, vibrante e do jeito que eu gostava, mas dei uma olhada rápida e percebi que a dona do pedaço ainda não tava lá, Mayara ainda não tinha chegado. Sem pressa fui até o bar e peguei uma bebida e depois subi pro camarote, me encostei na grade observando o movimento lá embaixo, as mina jogando os cara trocando ideia e minha tropa espalhada só curtindo. Dei um gole na bebida sentindo o gelo descer queimando, e soltei um sorriso de canto. — Quero ver se essa tal de Mayara faz jus à fama que tem. A noite só tava começando e eu tava pronto pra ver como essa jogadora comandava o jogo. O baile tava pegando fogo e eu dali de cima só observando, o Dendê tinha um clima diferente, o pessoal vibrava de um jeito intenso, mas nada que me surpreendesse, eu já tinha rodado muito eu já conhecia bem como cada morro funcionava. Dei mais um gole na minha bebida e troquei ideia com meu sub. — E aí, chefe, tá achando o quê? — O baile tá bom, os cara respeitam a dona do pedaço, quero ver se ela tem presença mesmo ou é só papo furado. Enquanto eu falava, ouvi um burburinho na entrada, olhei pra baixo e vi a movimentação mudar, as atenções se voltaram pra um ponto só. Mayara tinha chegado. A gata entrou como quem já sabia que era o centro das atenções, macacão colado no corpo e cabelo no lugar, postura de quem manda e desmanda, as mina respeitavam e os cara olhavam com desejo, mas sem ousar demais, ali era território dela e ela fazia questão de mostrar isso, acompanhei com os olhos enquanto ela caminhava pela pista cumprimentando uns aliados, recebendo acenos de respeito, meu sorriso aumentou de leve. — Agora sim a festa começou. Fiquei ali na grade esperando pra ver se ela ia subir no camarote ou se eu ia ter que ir até ela, mas uma coisa era certa, hoje eu e Mayara íamos trocar uma ideia, olhava da grade do camarote de copo na mão, só acompanhando o movimento, Mayara andava pelo baile como uma verdadeira rainha, cabeça erguida, olhar afiado. Quem cruzava com ela mostrava respeito, e eu gostei de ver isso. Meu sub percebeu meu olhar fixo e riu baixo. — Ihhh, chefe, já tá de olho na gata, né? Dei um gole na bebida e sorri de canto. — Só tô analisando o território, mano. Quero ver se a fama dela é real ou só conversa. Mayara trocou ideia com uns aliados, olhou ao redor e, como se sentisse meu olhar, ergueu o rosto na direção do camarote, nossos olhares se cruzaram e por um segundo ninguém desviou, ela arqueou a sobrancelha e deu um sorrisinho de lado, mas não veio até mim, fez questão de seguir pelo baile, deixando claro que se eu quisesse papo, teria que descer até ela. Ri baixo e balancei a cabeça. — Ah, então é assim que tu joga gata, beleza. Virei o copo e deixei a bebida descer queimando e larguei o copo na mesa, olhei pro meu sub e dei a ordem. — Segura o camarote, vou ver de perto como essa rainha comanda o jogo. Desci pro baile, andando com calma, mas com presença, quem me via passar abria espaço, eu tava indo direto até a dona do pedaço, fui descendo com calma, sentindo os olhares me acompanharem, o pessoal do Dendê já tinha me reconhecido, e dava pra ver no semblante de alguns que minha presença ali não era qualquer coisa, mas ninguém ousou falar nada, só observavam, Mayara tava perto do DJ, trocando ideia com Jorginho e mais uns aliados dela, ela tava rindo de alguma coisa, mas assim que me viu se aproximando o sorriso dela diminuiu um pouco, como se estivesse se preparando pro que vinha. Parei na frente dela sem pressa e dei um sorriso de canto. — E aí gata demorou, mas finalmente nos encontramos. Ela cruzou os braços me olhando de cima a baixo, analisando sem pressa. — Tu que veio até mim. — O tom dela era provocativo, cheia de confiança. — Pensei que ia ficar lá em cima só olhando. Ri baixo balançando a cabeça. — Gosto de ver o jogo de perto, e pelo que tô vendo, cê joga bem. Ela deu um passo mais perto e eu senti o perfume dela, forte e marcante, o olhar dela brilhava de um jeito que mostrava que ela não era qualquer uma. — E tu Gael? — Ela falou meu nome devagar, como se testasse ele na boca. — Qual é o teu jogo? A tensão no ar era palpável e eu sabia que essa conversa tava só começando, Mayara me olhou com aquele olhar afiado e na hora que ela falou meu nome, eu senti a pressão, mas aí quando ela me deu aquele fora, fiquei ligado no que tava rolando, ela não tava ali pra conversa fácil, tava no jogo sério e isso só me deixou mais interessado. Ela cruzou os braços, me olhou com aquele sorrisinho irônico e falou. — Não acha que vai ser tão fácil assim Gael, aqui quem manda sou eu. O tom dela foi direto sem jogo e sem papo furado, e ali sem mais nem menos, eu vi o que os outros tanto falavam, Mayara é dura de roer, não deixa ninguém se aproximar sem mostrar que tem controle, ela me deu um fora na cara dura sem nem pensar duas vezes, mas quer saber, eu adorei, mulher difícil sempre foi meu estilo, adoro esse tipo de desafio, principalmente quando ela sabe exatamente quem é e o que quer, e Mayara, pelo visto não ia ser fácil de conquistar, isso só me dava mais vontade de mostrar que eu também sou jogador de peso. Sorri de canto e falei sem perder o controle. — Eu gosto assim, mulher que sabe o que quer, e se cê acha que vai me afastar é só jogar o jogo certo gata. Ela me encarou mais um segundo como se tivesse avaliando se eu tava falando sério ou só dando papo furado, mas ela não disse nada, apenas virou de costas e voltou pro seu canto, fiquei ali parado por um tempo, me divertindo com a situação, essa mulher ia me dar trabalho e eu sabia disso, mas no fundo, era isso que eu procurava, um jogo pesado, uma disputa real, e Mayara, Mayara sabia jogar melhor que muitos por aí.
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