Jogador — A Esperança

905 Palavras

Jogador Eu tô sentado na cadeira velha da sala da casa do Vassoura, cotovelos apoiados nos joelhos, mãos cruzadas apertando uma na outra, olhando pro chão de cimento queimado. O silêncio entre nós carrega anos de coisas m*l resolvidas, nomes que não são ditos, lembranças que doem como ferida aberta que nunca cicatrizam direito. O rosto dele ainda tá marcado da surra que eu dei — olho esquerdo roxo e inchado, lábio cortado, nariz inchado, costela que faz ele respirar curto e cuidadoso. Isso deixa tudo mais real. Aquilo não é só guerra de morro. É família. Sangue. Coisa que não se apaga com tempo nem com ódio. Coisa que fica grudada na pele, no peito, na alma. Eu começo direto, sem rodeio. Voz baixa, rouca, pesada, como se cada palavra doesse pra sair. — Eu não quero guerra agora,

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