6

1573 Palavras
QUARTO DE BENJAMIN. QUARTO GRANDE, QUE ELE USA DESDE QUE SE CONHECE POR GENTE. AS JANELAS ESTÃO ABERTAS. AS CORTINAS BALANÇAM COM O VENTO. ELE ENTRA APRESSADO E FURIOSO, BATENDO* COM A PORTA LOGO ATRÁS DE SI. DÁ UM MURRO NA PAREDE E JOGA AS COISAS DA ESCRIVANINHA NO CHÃO. -- Nenhuma mulher pode me tratar assim, nenhuma. Muito menos Rebecca!!! -- Dizia com o ego ferido de bêbado. Ele fungava como um touro eriçado por um toureiro. Rebecca o havia tirado do sério. Mas aos poucos Benjamin foi se acalmando. Pegou uma toalha e foi para o banho. Com a água quente caindo sobre sua cabeça, ele era capaz de raciocinar melhor e teve um estalo: "por que se sentiu tão afetado com a rejeição de Rebecca?" Era um fato que Benjamin, por ser um homem bonito, sempre teve a mulher que quis, não se lembrava da última vez que fora rejeitado por uma mulher. Seu coração pertencia a Larissa, mas por que sentia-se rejeitado daquela forma? O problema para homens que são cheios de si e de ego extremamente inflado, como era o caso de Benjamin, é que levar um 'não' os fazem criar uma certa obsessão pela pessoa que os rejeitou. Isso poderia muito bem ser a explicação para o rapaz ficar tão afetado pelo gesto de recusa de sua esposa. BENJAMIN SAI DO BANHO. OLHA PARA AS COISAS CAÍDAS NO CHÃO E UM COPO QUEBRADO. ASSIM QUE TERMINA DE SE VESTIR, OUVE ALGUÉM BATER A PORTA E ENTRAR EM SEGUIDA. ERA RUTH,. SUA MÃE. -- Eu posso saber o que está havendo aqui? -- Disse ela reparando a bagunça no assoalho. -- Nada demais -- mentiu o rapaz secando os cabelos e depois as orelhas. -- Está bêbado? -- Perguntou Ruth em tom de reprovação. -- É o dia do meu casamento, o que esperava, oras? -- Não podia ter bebido, isso o torna impuro. -- Mãe, mãe. Não me venha com ladainhas agora. -- Benjamim, ainda sou sua mãe. Você ,me deve respeito. O rapaz se recompôs e suspirou. Ainda havia resquícios de sua irritação após o episódio com Rebecca, resquício que afetava seu humor mais do que ele gostaria. -- Desculpa, mãe, tô de cabeça quente. Sem condições para conversar ou ouvir sermões agora. Ela o reparou, e então relaxou os músculos, se compadecendo do filho. Mãe, é mãe. -- Achei que estivesse no quarto com Rebecca. É a noite de núpcias. -- Ela não me quer por lá ́-- disse o rapaz com um leve tom de frustração, que tentou ao máximo disfarçar. -- Eu imaginei que isso fosse ocorrer. Eu te falei para parar de se engraçar com aquela filha do caseiro. Se não fosse pela amizade que seu pai tem com seu Belchior, eu pediria que o demitisse. Desse modo ele e a família dele iriam embora. -- NÃO! Não ouse. Larissa não tem nada a ver com isso. A senhora sabe que meu casamento com Rebecca é apenas por causa da vontade* do pai. Para eu não ser deserdado. -- Benjamin, você precisa entender que deve amar a respeitar sua esposa, jurou perante Deus, pelos Céus! -- Mãe, eu não tô legal agora pra conversar, preciso dormir que amanhã viajo cedo. -- Viaja? -- espantou-se a mãe -- Mas Celeste me disse que Rebecca não irá mais a Bariloche. Não venha me dizer que você irá sem sua esposa, Benjamin? -- Vou, mãe. Eu vou! Se Rebecca não quer ir é problema dela! Eu irei. -- E vai sozinho? -- Duvidava Ruth. -- Claro que vou, com quem mais iria? -- Com quem mais iria. Rum -- desdenhou Ruth -- Escuta, Benjamin, um dia você vai se apaixonar por sua esposa e espero que não seja tarde demais, meu filho. Aí será ela que não vai te querer. -- Está me praguejando? -- Murmurou o rapaz., -- Não, não estou praguejando. Estou apenas tentando abrir os seus olhos e te mostrar que Rebecca é a mulher certa pra você, você apenas precisa se dar conta e enxergar isso de uma vez por todas. Boa noite! Benjamin se jogou na cama e bufou. -- Boa noite, mãe. Dorme bem.. Juntando seu ego recentemente ferido por ter sido rejeitado por Rebecca somado ao que sua mãe dissera de uma maneira quase profética, Benjamin não conseguiu pegar no sono, se perguntando sobre qual rumo sua vida tomaria. Estava apaixonado por Larissa, isso era fato. Quando estava com ela, sentia seu corpo arder, sentia desejo*. E quando estava longe queria vê-la. Mas paixão é o suficiente para manter algo? Será que a paixão um dia acabaria e Benjamin finalmente fosse se dar conta de que o amor verdadeiro era aquele ao lado de Rebecca? É MANHÃ NA FAZENDA. UMA AURORA LINDA TINGE OS CÉUS DE UM LARANJA QUE VAI SE MISTURANDO AO AZUL ONDE A NOITE AINDA INSISTE EM DAR AS CARAS. OS RAIOS DE SOL COMEÇAM A ILUMINAR A FAZENDA. OUVE-SE BARULHO DE g**o CANTANDO, PÁSSAROS PIANDO PRESTES A SAÍREM DE SEUS NINHOS. UM CLIMA FRESCO RONDA A FAZENDA, EM TOM BUCÓLICO E DE PAZ.. Conceição levanta-se na ponta dos pés para não acordar seu marido, Belchior. Larissa estava prestes a sair. Já havia chamado um homem para levá-la até o aeroporto, já que carro de aplicativo quase nunca chegava à fazenda. -- Está levando tudo? -- Perguntou Conceição encolhida em sua camisola, parada na soleira da porta da cozinha. -- Sim, mamãe. E o que faltar, Benjamin comprará pra mim. Rebecca estava com uma mala de rodinhas e uma mala de mão. -- Traz um presentinho pra mim, não se esqueça, filha! -- Trago, mãe. Pode ficar tranquila. Agora deixa eu ir lá pra fora, antes que o motorista buzine e acorde o papai. -- Boa viagem. Vai com Deus. -- Brigada, mãe. ESTRADA DE TERRA. JACINTO E ANTENOR, OS DOIS PEÕES, ESTÃO COM CAPUZES NAS MÃOS, PRONTOS PARA INTERCEPTAREM O CARRO QUE VIRÁ DA FAZENDA COM LARISSA. -- Homi, ocê trata de segurá a muié com força senão nóis tá na roça! -- Disse Antenor atento ao movimento na estrada. -- Ara, desde quando eu faiei, Antenô. Assim tu me ofendi, homi. Antenor mastigava um pedaço de capim, estava ansioso. -- Só tô lembrano. Num pode dá nada di errado, não. A dona até já adiantô nosso pagamento. E tu tem certeza que viu a praca direito? -- Vi, eu vi. Eu sei quar carro é. Das vista eu tô baum, ara. O barulho dos motores do carro já podiam ser ouvidos. Antenor ergue a cabeça, estavam atrás de uma moita. -- Jacinto, óia lá, é aquele o carro? Jacinto espiou. -- Pois é sim. Vamo se aprumá. Ambos vestiram capuzes. Antenor pegou sua arma* na cintura e engatilhou. -- Me dá cobertura, Jacinto. Presta atenção que tu tem mania de deixá os miolo faiá nessas hora. -- ô, que hoje tu tirô odia pra me dismerecê, foi? -- Para de sentimento e bora trabaiá. O carro já tá bem perto. INTERIOR DO CARRO EM QUE LARISSA ESTAVA. ELA FICA DISTRAÍDA NO CELULAR. O MOTORISTA QUE A LEVA ACHA ESTRANHO DOIS HOMENS ENCAPUZADOS APARECEREM NO MEIO DA ESTRADA DE TERRA. ELE PENSA EM PISAR NO FREIO E ACELERAR, MAS UM DOS HOMENS APONTA UMA ARMA* NA DIREÇÃO DO VEÍCULO. -- Por que está parando o carro? -- Perguntou Larissa tirando os olhos do celular. Ela ria de algo no t****k*. Logo percebeu que poderia se tratar de um assalto*. -- Pisa, arranca com esse carro -- Dizia Larissa desesperada. -- Não dá, dona. Eles vão atirar* na gente. O carro parou, os motores ficaram em ponto morto. Uma poeira subia da estrada de terra que não via chuva há dias. Era mato de ambos os lados, onde vacas e cavalos pastavam. -- Nóis qué a moça. Ocê podi segui sua viage. -- Disse Antenor apontando com a arma para a cabeça do motorista ao lado da janela. Antenor apontou com a cabeça para Larissa no banco de trás. Jacinto, meio atrapalhado que só ele, abriu a porta e puxou a menina. -- Ocê pode segui seu rumo.; Vai com deus. -- Antenor deu duas batidas na lataria do carro e o homem retomou o caminho, desesperado. O que Jacinto não viu, era que Larissa estava com um spray de pimenta na mão. Ela estava aflita, esperando o momento certo de usar. -- Me solta, seu i****a*. -- Disse Lsrissa jogando spray nos olhos de Jacinto. -- Ahhhhh, meus zoio tá ardeno. Meus zoio, Antenô! -- Num fala meu nome, homi. Ela tá fugino.; Ei, moça, vorta aqui... Ei . Antenor largou Jacinto no meio da estrada e passou a seguir Larissa que saiu correndo pelo pasto. A menina corria temendo por sua vida, às vezes olhando para trás, por cima dos ombors. Jacinto ficou tentando tirar o produto irritativo dos olhos. -- Vorta aqui, moça. Eu vô atirá. -- ?Gritava Antenor -- eu sabia que o Jacinto ia se esmerdeá todo, ô homi burro. Ô homi burro, ara. -- Murmurava para si mesmo. Mas Larissa parecia ter rodinha nos pés, quanto mais Antenor corria, mais distante a menina parecia ficar. E como se já não fosse muito estar perdendo na corrida para a menina, Antenor tropeçou em uma moita e caiu. Isso só fez a distância entre ele e Larissa aumentar. Estava tudo perdido. Eles não conseguiram levar Larissa como o combinado.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR