Jonas
Assim que Alessandra entrou na sala, não pude deixar de notar sua beleza admirável e surpreendente. Durante um bom tempo, ficamos focados nos olhos um do outro. Seus olhos castanhos me fizeram viajar para outra dimensão, até que me forcei a parar de voar tão alto.
— Senhorita Alessandra, você tem experiência com crianças? — perguntei, e minutos se passaram sem resposta. — Senhorita, você escutou? — Vi que ela balançou a cabeça, voltando à realidade.
— An…? Desculpa, não prestei atenção — ela corou rapidamente, e sua beleza pareceu duplicar.
— Sem problemas — sorri. — Então, você tem experiência com crianças? — perguntei novamente. Ela respondeu, e já passei para a próxima pergunta, até que chegou a hora daquela que mais me interessava saber a resposta.
— Bom, por que quer trabalhar? — cruzei os braços.
— Quero trabalhar para melhorar a vida da minha sobrinha, dar tudo o que ela precisa, os estudos que ela merece, ver os sonhos dela se tornarem realidade. Esse é meu objetivo: trabalhar para conseguir vê-la ser alguém — fiquei a observando com surpresa no olhar. Suas simples palavras me convenceram de que eu não encontraria uma mulher melhor para o emprego. Então, sem precisar pensar duas vezes, tomei minha decisão.
— Você pode começar amanhã às 06h00 da manhã em ponto. Esse é o horário que minha filha acorda — expliquei, e a coitada arregalou os olhos.
— Eu fui contratada? — falou, surpresa.
— Sim — respondi. Ela abriu um sorriso, levantou da cadeira toda empolgada e correu até mim, me surpreendendo com um abraço. Fiquei sem reação, até que ela rapidamente me soltou.
— Me desculpa de novo, senhor Miller — ela se afastou.
Parei por um momento, tentando entender o que havia acontecido.
— Não foi nada — achei graça da situação. — E meu nome é Jonas, não senhor Miller — disse, fazendo-a abrir um pequeno sorriso.
— Tá bom, Sen…quero dizer, Jonas — eu abri um sorriso. Resolvi mudar de assunto antes que a coitada virasse uma pimenta.
— Quero você livre durante a noite e durante o dia, ok? — A encarei.
— Ok — respondeu, aparentando nervosismo.
— Ótimo, pode sair — disse. Ela se virou e caminhou até a saída.
Fiquei como um i****a olhando a porta ser fechada. Pensei e repensei até que decidi ir atrás dela. Por que fiz isso? Nem eu sabia.
— Alessandra, posso te acompanhar até em casa? — Senhor, o que deu em mim? Pensei.
Pensando bem, seria uma ótima oportunidade de conhecê-la melhor, de ver a relação dela com a sobrinha. Afinal, eu entregaria os cuidados da minha filha nas mãos dela.
— Ah, não, obrigada, eu estou indo buscar minha sobrinha — ela se virou para mim.
— Então eu te levo de carro, aproveito e já conheço sua sobrinha — ela ficou pensativa. — Vai ser bom saber como é a relação das duas, ver se realmente se dá bem com crianças.
— Está bem — respondeu, envergonhada, e me acompanhou até o carro.
Abri a porta para ela entrar e dei a volta, entrei e me sentei no banco do motorista. Colocamos o cinto de segurança, liguei o carro e saímos. Alessandra foi me explicando onde era a escolinha. Aproveitei e fiz mais algumas perguntas para conhecê-la melhor, como a idade, formações, etc. Assim que chegamos, estacionei o carro na frente da escola.
— Obrigada pela carona, senhor Miller — falou, tirando o cinto.
— Já disse para me chamar de Jonas, senhor Miller me faz parecer um velho — ela sorriu.
— Ok, então o "senhor" pode me chamar de Sandra, que é bem mais fácil — eu sorri.
— Está bom, "senhora" Sandra — rimos. Saímos do carro e esperamos, até que as crianças começaram a sair.
— TITIA! — Uma garotinha linda, de cabelos escuros curtos e olhos castanhos bem claros, correu até Sandra e a abraçou.
— Oi, meu toquinho. Como foi a aula? — perguntou Sandra, sorrindo.
— Foi boa — ela olhou para mim. — Quem é, titia? — Apontou para mim.
— Ele é o… — A interrompi.
— Eu sou o Jonas, o chefe da sua tia, e você, como se chama? — falei carinhosamente, abaixando-me e ficando do seu tamanho.
— Meu nome é Camilly — disse, envergonhada.
— Ah, é? E quantos aninhos você tem? — Ela abriu um sorriso.
— Eu tenho três — levantou três dedinhos.
— Já está tão velha assim? — Apertei sua bochecha.
— Sim, já sou mocinha — ri de seu jeitinho fofo e me levantei.
— Venham, eu levo vocês para casa — elas concordaram e entraram no carro.
Conversei bastante com Camilly. Confesso que a amei; sua alegria contagia. Deu para ver que é muito bem cuidada e que é super apegada à Sandra, o que é um bom sinal. Sandra me passou o endereço, e eu as deixei na frente de casa.
— Até amanhã, Sandra — falei assim que elas desceram do carro.
— Até, e obrigada pela carona — suas bochechas vermelhas estavam de volta.
— Disponha — pisquei um olho e sorri.
— Tchau, tio Jonas, obrigada por nos trazer — disse Camilly, acenando com sua pequena mãozinha. Sorri.
— Tchau, baixinha — acenei de volta. Liguei o carro e parti para casa.
Cheguei, estacionei, desci e entrei.
— Papai! — Mylene me abraçou.
— Oi, anjo — a apertei. — Vamos ver um filme? — perguntei, pegando-a no colo.
— Pai, você está doente? — Ela colocou a mão na minha testa, verificando se eu estava com febre.
— Não. Por quê? — disse, rindo.
— Você querendo assistir filme a essa hora? — cruzou os braços.
— Está bom então, não vamos mais — dei de ombros.
— Agora que você deu a ideia, vamos assistir Procurando Dory — falou, batendo palmas.
— Está bem, vai colocando que eu faço a pipoca — tirei-a do meu colo e fui para a cozinha.
Preparei a pipoca e voltei para a sala. Iniciamos o filme. Horas se passaram, e o filme acabou. Mylene já havia dormido. Peguei-a nos braços com todo o cuidado e a levei para seu quarto, deitei-a em sua cama, a cobri e beijei sua testa.
Fui para meu quarto, deitei na cama e não demorou para que logo adormecesse.