Alessandra
Acordei mais cedo hoje. Precisava ser pontual, afinal, era meu primeiro dia como babá. Tomei banho, vesti uma calça jeans, uma blusa regata vermelha, um colete branco e um tênis vermelho. Amarrei meu cabelo em um r**o de cavalo e passei pouca maquiagem.
Fui ao quarto da minha pequena. Ela estava dormindo. Aproximei-me dela bem devagar para não assustá-la.
— Ei, docinho — acariciei seu rosto. — Acorda — beijei sua bochecha.
— Tão cedo? — Camilly abriu os olhos lentamente.
— Infelizmente sim, meu amor. Você vai para a escolinha mais cedo agora — ela esfregou os olhos.
— É fazer o quê, vida de pobre é difícil — levantou da cama e foi para o banheiro.
Dei banho, vesti minha sobrinha e a levei para a escola. Peguei um táxi e fui para a casa do senhor Miller. Consegui chegar bem cedo. Bati na porta, e Rute a abriu.
— Olá, querida — beijou minha bochecha. — Como está bonita! Por favor, entre — abriu espaço.
— Obrigada, Rute — sorri. — Onde está Mylene? — perguntei.
— Está dormindo, mas já pode ir acordá-la — disse, indo para a cozinha.
— Onde fica o quarto dela?
— Suba as escadas, é a terceira porta do corredor — explicou.
— Ah, claro, obrigada — fui subindo as escadas quando esbarrei em alguém. Olhei para ver em quem tinha sido.
— Me desculpe se… Mi… Jonas… — gaguejei.
— É a terceira vez que me pede desculpas por algo — ele sorriu.
— Bom… é… que… — Tentei falar, mas não saiu nada.
— Bom, acho melhor eu ir trabalhar — ele olhou nos meus olhos. Por um impulso incontrolável, em um movimento rápido, beijei sua bochecha.
Parei para pensar no que eu acabara de fazer e me arrependi amargamente. Por que eu tinha que ser tão impulsiva e fazer tudo o que me dava na telha?
— Ai, d***a — reclamei.
— Acho bom eu ir — ele desceu as escadas rapidamente.
— Você é uma anta — falei para mim mesma.
Com dificuldade, voltei ao meu foco inicial e andei em direção ao quarto da Mylene. Bati na porta e a abri lentamente. Vi que ela já havia acordado, então me aproximei.
— Olá, bom dia, Mylene — falei carinhosamente.
— Bom dia, quem é você? — perguntou, esfregando os olhos.
— Sou a Alessandra. Seu papai me contratou para cuidar de você — acariciei sua bochecha com o polegar.
— Então… você é minha babá? — Ela abriu um sorriso.
— Sim, sou sim! — fiz cócegas nela, e ela gargalhou.
— Vou… morrer… sem… ar — disse em meio a risos.
— Está bom, parei — levantei os braços em forma de rendição.
— Vou tomar banho — disse, indo para o banheiro.
— Tudo bem, enquanto isso, vou separar uma roupa bem linda para você — disse e fui até seu guarda-roupa. Optei por uma calça jeans preta, uma blusa florida e um tênis branco.
Fui ajudar Camilly no banho. Minutos depois, saímos do banheiro. Ela foi até a cama e analisou as roupas separadas.
— Nossa, que roupas bonitas! — Seus olhos brilharam.
— Já que gostou tanto, que tal vesti-las? — Ela concordou com a cabeça e se vestiu rapidamente.
— Quero o cabelo preso — afirmei com a cabeça e fiz um r**o de cavalo nela.
— Está pronta. Agora é só ir tomar seu café da manhã — ela saiu do quarto, e eu me peguei pensando em Jonas. Ele era realmente muito lindo, seu corpo era simplesmente perfeito, musculoso e deixava qualquer mulher hipnotizada. Até agora não acreditava que beijei a bochecha dele.
— Você vai me levar para a escola, tia? — Mylene perguntou enquanto comia.
— Claro, por que não? — Ela sorriu. Assim que terminou seu café, fomos direto para a escola. Eu a deixei lá e voltei para a casa de Jonas, deparando-me com ele na sala.
— Ah, olá, Sandra — disse ele, tirando os olhos da folha de jornal.
— Olá — disse, meio tímida.
— Se está assim por causa do beijo na bochecha, pode ficar tranquila — ele escondeu o riso, e eu corei na hora. — A propósito, você sempre foi atirada assim mesmo? — disse ele, sem tirar os olhos do jornal.
— Às vezes — disse. Ele se levantou e começou a se aproximar.
— Só às vezes, tem certeza? — arqueou a sobrancelha em sinal de dúvida. Acho que se lembrou do abraço que dei nele ontem.
Confirmei com a cabeça, e com isso ele se afastou, o que me deu um baita alívio.
— Na verdade, na maioria do tempo — disse, constrangida.
— Eu percebi isso — disse ele e começou a vir em minha direção, provavelmente indo para o seu quarto. — Só espero que isso não se repita! — Disse em um tom que eu pudesse ouvir, já que ele estava a uma pequena distância.
Meu coração paralisou assim que ele passou do meu lado, mas voltou a bater quando Rute entrou na sala.
— Está tudo bem? — Rute perguntou, rindo.
— Estou… ótima… Quer ajuda na cozinha? — Ela gargalhou e afirmou com a cabeça.
Terminamos o almoço e vi que já era hora de buscar Mylene e Camilly. Fui até o escritório de Jonas e bati na porta. Escutei ele gritar "entre" e entrei.
— Senhor, vou buscar a Mylene e minha sobrinha. Depois disso, já estou liberada? — disse nervosa, não podia chegar tarde no meu trabalho de garçonete.
— Claro — ele sorriu. — Acho bom você ter um tempo para sua sobrinha — mexeu em alguns papéis.
— Quem me dera — resmunguei, e ele pareceu ter ouvido.
— Espero que você não tenha nada para fazer depois do trabalho. Já te avisei que preciso de você disponível em todos os períodos — disse sério.
— Eu sei — falei muito nervosa, chegando a suar de tanto nervosismo.
— Você está bem, Sandra? — Ele veio até mim.
— Ah, claro, estou sim. Eu vou buscar as crianças — saí o mais rápido possível do escritório.
"Jesus me ajude, não quero que ele descubra que eu tenho outro emprego durante a noite!"
Busquei Mylene primeiro e pedi para o motorista de Jonas a levar para casa. Em seguida, peguei um táxi e busquei Camilly. Infelizmente, Camilly ficaria no trabalho comigo; meu chefe não se importou em tê-la conosco. Coloquei o avental e comecei a atender as mesas junto com Camilly, que alegrava os clientes. Eu estava certa de que essa minha "farsa" seria descoberta em algum momento, mas isso não podia acontecer.