Capítulo 23

1292 Palavras
-Rápido, Sofia, precisamos sair daqui. Agora. -Escutei uma voz distante. -Sofia! -Repetiu e isso me fez abrir os olhos. -O que? -Tentei raciocinar o que está acontecendo. -Estão tentando entrar aqui. -Sussurrou. Me sentei o mais rápido que consegui e ele continuou falando. -Devíamos ter ido para um andar mais alto, m***a. Me virei na direção em que Peter está dormindo junto com o seu urso de pelúcia e comecei a sacudi-lo, na intenção de conseguir te despertar. -Temos que ir, Peter. -Ele concordou e se levantou sem nem questionar. -Vamos para o closet. -Dei a ideia. Peguei o colar da cabeceira da cama e coloquei em meu pescoço. Em seguida fomos correndo em direção ao closet. Assim que conseguimos entrar, notei o quão apertado havia ficado com nós três aqui dentro. Peter pegou uma chave na gaveta e em seguida trancou a porta. -É a segunda vez que entram aqui. Da outra vez eles não acharam nada e saíram. -Peter falou. Ficamos todos em silêncio e pudemos escutar arrombarem a porta da entrada principal. Como devia estar com muito medo, Peter passou seus braços ao redor de minha cintura e escondeu seu rosto em minha camiseta. -Vai ficar tudo bem. -Sussurrei para ele. -Você só precisa fechar os olhos, está bem? Após consentir, um silêncio nos rodeou mais uma vez. -Você só pode estar de brincadeira com a minha cara. Não tem ninguém aqui. Mas que m***a Stefan, você só me faz perder tempo. -Cara eu juro que vi gente aqui dentro. Tinha uma garota olhando pela janela. Se tinha alguém aqui, então deve ter comida. Ela era jovem, vai ser fácil pegar as coisas dela. -Está amanhecendo. Nosso turno já vai acabar. Vamos embora e falar que não encontramos nada. -É a terceira vez que iremos voltar com as mãos vazias, Negan não vai nos perdoar. -Ele não vai fazer nada. No máximo nos ameaçar. Ficou tudo em silêncio. -Já foram embora? -Peter perguntou baixinho. -Eu não sei. -Respondi. Pude ouvir a porta do quarto se abrindo. -Argh. Ei David, olha só. -Ouvi passos se aproximando. -Uou. Não pensei que me depararia com algo assim nesse mundo de agora. -Está podre. Vamos sair daqui. -Ficamos um tempo quietos e até que enfim não ouvimos mais nada. -Será que já é uma boa hora para sairmos daqui? -Olhei para Dylan. -É bom esperarmos mais alguns minutinhos. -Me respondeu. -Ei cara, o que acha de tirarmos um cochilo antes de voltar? -m***a. -Dylan deixou escapar. -É uma boa. Estou precisando dormir, e se chegarmos atrasados uns 20 minutos ele não vai brigar conosco. -Sim. Eu encontrei um quarto limpo. Eu durmo na cama e você no chão. -O que? Nem pensar. A cama é minha. -Eu achei primeiro, então por direito ela é minha. Eles saíram discutindo e fecharam a porta. -Vamos ter que ficar aqui até eles resolverem ir embora. -Peter falou com uma voz de sono. -Vem, deita aqui. -Me sentei e fiz um sinal para que ele se sentasse também. Ele deitou a cabeça sobre minha perna e eu comecei a mexer em seu cabelo novamente. Dylan também se sentou e encostou a cabeça na parede. -Acho que vamos passar um bom tempo aqui ainda. -Virei minha cabeça pra Dylan. -É. -Falou somente. -Está tudo bem? Tenho te achado tão quieto. -É só que... -Pensou um pouco antes de continuar. -Eu estava vendo o quanto ninguém fez questão de mim. -Deu um sorriso fraco. -Cara, desde quando eu me perdi não veio absolutamente ninguém atrás para ver se eu estava morto ou não. Eles sequer se deram o trabalho. -Negou com a cabeça. -Eu sinto tanta falta da minha mãe. Ela foi uma mulher incrível, e eu não pude protege-la. -Eu sei como se sente, -Olhei em seus olhos. - os meus também se foram por minha causa. Mas sabe, eu andei pensando e se isso não tivesse acontecido, talvez nós não estaríamos aqui e eles também não. Temos que seguir em frente por eles, e mostrar que somos fortes. -É, eu sei. Mas é tão complicado. O sentimento de culpa me corrói por dentro. Vê-la gritando desesperada por ajuda e eu ter fugido, foi muita covardia. Mas eu estava com medo, sem saber o que fazer. Eu não sabia o que era aquilo nem o que estava acontecendo. Quando vi que todos estavam correndo com medo, eu fiz o mesmo. E quando percebi que ela não estava perto de mim, não tinha mais o que fazer. Até hoje ainda consigo ver claramente o seu rosto pedindo socorro. Fiquei em silêncio. -Nossa. -Suspirou. -Foi tão bom falar isso em voz alta pela primeira vez. -Onde era o lugar que você morava? Era um lugar fixo ou vocês também ficam mudando constantemente? -Alexandria. Lá era incrível. Tem várias casas juntas, Sofia, você ia amar. -E você tinha alguma pessoa especial lá? -Eu cheguei a namorar uma menina, só que não estávamos mais junto quando acabei me perdendo. Enid é o nome dela. Sorri para ele e voltei a mexer no cabelo de Peter, que provavelmente deve ter pego no sono. -Mas e você? -Chamou minha atenção mais uma vez. -Tem alguém esperando por você? Aquela hora que estávamos na cozinha você pareceu ter ficado bem constrangida quando Peter falou sobre namorado. -Ah, é que na verdade eu nem sei o que eu e ele somos. -Dei de ombros. -Não tenho dúvidas de que temos sentimentos um pelo outro, só que não conversamos ainda sobre relacionamento. -Entendo. -Sorriu fraco. -De qualquer forma nós vamos ter a oportunidade de fazer isso assim que chegarmos em casa. Consentiu e eu respirei fundo, torcendo mentalmente pra isso realmente acontecer. ### Algumas horas depois eu resolvi sair do closet para conferir se ainda estávamos acompanhados daquelas visitas indesejadas ou não. Assim que vi que não há mais ninguém aqui, voltei e acordei os meninos. Quanto mais cedo sairmos, mais cedo eu chego em casa. -Então eles já foram? -Dylan perguntou enquanto se levantava. -Sim. Estamos seguros agora. Olhei na direção de Peter e o vi com v*****e de perguntar algo. -Peter? Está bem? -Sim, é só que... eu queria saber se eu posso ir com vocês. Eu prometo que não vou dar trabalho. Eu fico bem quietinho na minha e... -É claro que sim. -Sorri pra ele. -Eu nunca deixaria você aqui sozinho, Peter. -Obrigado. -Sorriu animado. -Então eu vou arrumar minha malinha. 3 SEMANAS DEPOIS... Três semanas já se passaram e não temos sinal de onde eles possam estar. Estou começando a desistir da esperança que eu tinha de voltar. Durante essas três semanas nós saímos quase todos os dias para dar uma olhada nas redondezas e ver se havia algum/qualquer sinal de onde a nossa casa fica. -Não vamos encontrar eles. -Senti v*****e de chorar. -Não adianta mais sairmos todos os dias. -Não quero que perca as esperanças, Sofia. -Dylan veio até mim e me abraçou. Nesses últimos dias nós nos aproximamos bastante e ele tem sido um grande conforto pra mim. -Eu já não sei mais aonde procurar. -Encostei minha cabeça em seu peito. -Talvez eles já tenham seguido em frente. Dylan não falou nada. -Acho que daqui pra frente vai ser só eu, você e Peter. -Suspirei. -Se essa for a decisão do destino... -Sofia, eu encontrei uma coisa, vocês precisam ver isso. -Após trocar olhares de dúvida com Dylan, saimos de dentro da fármacia e fomos atrás de Peter. Graças aos céus minha perna está bem melhor e não está mais infeccionada. Nós tratamos dela durante todos os dias, já que Dylan insistia que isso tinha que ser feito. Vários muros levantados recentemente me fizeram parar assim que os vi. -O que é tudo isso? -Perguntei. -Mas... é Alexandria.
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