-Alexandria? Mas como? -Perguntei.
-Andamos tanto que enfim conseguimos encontrar. -Ele olhou pra mim. -Sofia, você acha que devemos entrar?
-Na verdade, eu que devia te fazer essa pergunta. Você quer? Se sente preparado pra ver todas as pessoas que você deixou pra trás?
Dylan pensou um pouco mas logo começou a falar:
-Se for pra manter vocês dois seguros, é claro.
-E como você encontrou isso, Peter? -Me virei para ele, que está olhando admirado para os enormes muros.
-Estava brincando de explorador. Daí eu comecei a correr dos monstros que me encontraram na caverna e dei de cara com isso. -Olhou para mim. -Será que são pessoas boas, Sofia? Eu não quero virar do mau e ter que m***r alguém.
-Eles são bastante complicados, na verdade. -Dylan respondeu. -Mas nenhum sequer levantou alguma a**a pra m***r.
-E como sobrevivem? Não há pessoas que tentam entrar aí dentro sem a v*****e deles? E se matarem um dos deles? Eles não se vingam?
-Eles acreditam que o mundo pode ser melhor se não precisarem m***r. É bem estranho mesmo, eu sei.
-E... e nós vamos entrar aí? -Voltei a olhar para o muro.
-Acho que é melhor esperarmos até amanhã. Está anoitecendo e pode não ser seguro entrarmos enquanto está escuro.
Após todos nós concordarmos com isso, voltamos para a farmácia e cada um se deitou em sua cama improvisada. Mesmo sem querer, acabei deixando os meus pensamentos voarem até Carl.
Será que ele já se esqueceu de mim? Eu tenho sentido tanta saudade ultimamente. Saudades de tudo. De seu abraço, de seu cafuné, de seu beijo...
É difícil pra mim pensar que tenho que seguir em frente e esquecer todos eles. O que está doendo muito também, é saber que não vou ver o crescimento da Judith. Não vou vê-la aprender a andar, a falar...
E tudo isso é culpa minha. Se eu tivesse escutado Carl e tivesse ficado em casa, nada disso teria acontecido.
Apesar de ter conhecido o Dylan e o Peter, que são pessoas maravilhosas e têm feito de tudo para ficarmos em segurança, ainda sinto falta de meus antigos amigos. Principalmente do meu irmão. Ele deve estar tão preocupado.
Três semanas se passaram. Três semanas que pra mim pareceu uma eternidade. Eu fico imaginando como deve estar as coisas. Maggie super feliz ao lado de Glenn, Rick e Daryl tentando manter o g***o de pé, Michonne, Carol e Tara preparando a comida, meu irmão, Abraham e Rosita indo atrás de alimento e água. E Carl... Ele eu já não consigo imaginar, não consigo pensar o que ele esteja fazendo.
Talvez tenha seguido em frente e desistido de tentar me encontrar. Não gosto de pensar nessa possibilidade. Eu ainda tenho esperança que ele possa me encontrar. Mas e se não? E se eu nunca mais ver eles?
-Tudo bem? -Dylan perguntou ao me ver encarando a janela.
Somente agora me dei conta das lágrimas em minha bochecha.
-Sim, eu só... -Não consegui terminar, parece que todo o peso que eu estava carregando comigo nessas três semanas fez com que eu desabasse.
Ele veio até mim, se sentou e me abraçou bem apertado.
-Você quer conversar? -Neguei. -Tudo bem, respeito sua escolha. Quando estiver preparada, estarei sempre aqui. -O abracei mais forte e chorei, chorei muito.
Carl narrando:
Eu não sei mais aonde procurar. Durante todo esse tempo eu saí quase o dia todo para tentar encontra-la, e nada. Simplesmente nada. Como se ela sequer tivesse existido.
Como ela pode ter sumido assim? Em um segundo estávamos juntos e no outro não mais. Aqueles desgraçados que começaram a atirar em nós a seguiu e ela não voltou depois disso. Quando o carro voltou, ele tentou nos atropelar, então tivemos que entrar em nosso carro. Entramos e Daryl começou a correr, foi só aí percebi que Sofia não tinha voltado. Eu tentei fazer eles pararem mas os carinhas estavam bem atrás de nós e nos fez capotar.
Daryl perdeu o controle e o carro derrapou na pista. Pensando que tínhamos morrido, eles foram embora. Assim que saímos do carro vi meu pai chorar desesperadamente. Nesse momento eu pensei no pior. Me aproximei e vi a pior coisa da minha vida. Judith estava sem vida em seu braço.
Eu fiquei totalmente sem reação e só simplesmente caí no chão e comecei a chorar muito. Comecei a rezar, apesar de não acreditar muito nisso, e pedi pra Deus que não a levasse ainda, já que era uma bebê indefesa. Implorei. Implorei e implorei novamente. Eu não podia acreditar naquela cena. Como? Como eu imaginaria que qualquer dia eu iria perder minha irmã?
E quando me levantei, algo estranho aconteceu. Ela havia voltado e começou a chorar, chorar muito. Uma mistura de medo e desespero. Todos começaram a se entreolhar assustados com o que havia acabado de acontecer. Como era possível uma pessoa voltar a vida?
Até hoje não consigo encontrar uma explicação lógica para o que possa ter acontecido.
Queria tanto que você estivesse aqui, Sofia. Queria poder te contar desse milagre. Contar que nossa princesinha reviveu. Ao mesmo tempo eu não queria que estivesse, eu fico imaginando a sua reação se visse aquilo. Acho que você não seria forte e poderia até mesmo desmaiar.
-Ainda acordado? Carl já são 3 horas da manhã. -Me virei e vi Beth virada pra o meu lado. Estamos naquele mesmo quarto, ela está deitada na beliche ao lado.
-Não consigo dormir. -Coloquei as duas mãos em minha barriga e fiquei olhando para cima.
-Pensando nela de novo? -Concordei e fechei o olho. -Ela está bem, eu tenho certeza. E nós vamos encontra-la.
-Eu devia ter ido atrás dela, não devíamos ter corrido pra lados opostos.
-Era pra ser assim, Carl. Algumas coisas não podemos mudar.
-Mas também podemos fazer não acontecer. Podemos ser mais espertos e não fazer o que o "destino" quer.
-Sim, concordo, mas nem sempre dará certo. Veja bem, ela podia ter morrido no acidente que vocês sofreram, ela ter fugido pode ter sido a melhor coisa.
Comecei a pensar e realmente vi que era verdade. Talvez ela nem estaria mais viva...
-Amanhã nós vamos sair e procurar ela de novo. Estou com um bom pressentimento. -Continuou.
Concordei.
-Você gosta dela, não é? -A olhei. -Se eu te conhecesse bem, podia até falar que você a ama.
Sorri sem mostrar os dentes e balancei a cabeça para os lados.
-Eu não sei.
-Não sabe? Pelo amor de Deus, se você não sentisse nada por ela, não estaria tão preocupado assim. -Fiquei quieto. -Eu sei o que está passando Carl, e sei também que esse é um sentimento maravilhoso. Gostar de alguém é uma coisa tão boa.
-Tudo bem, eu gosto. Ela é tão... Ela mesma. Não consigo explicar. Ela é o oposto de várias garotas. O jeitinho dela, o seu sorriso, tudo faz meu coração acelerar. Eu sinto tanta falta daquele cabelo aonde eu amava passar a mão. Sinto falta do seu beijo. -Falei essa última parte mais baixo.
-Não sabia que vocês já haviam se beijado.
Olhei para ela e sorri.
-Algumas vezes. -Comecei a me lembrar do copo de leite, do seu sorriso e finalmente do nosso beijo. Foi uma coisa tão calma e eu gostei disso. Como eu nunca havia feito isso, confesso que fiquei com medo de fazer errado. Mas quando nos separamos e ficamos com as cabeças encostadas e ela sorriu, pude perceber que tudo havia se saído bem.
-Eu acho que vou dormir, estou ficando triste. -Começamos a rir.
-Ei, fiquem quietos. Deixem pra conversar amanhã, eu quero dormir. -Falou Daniel na parte de cima da minha cama.
-Desculpa. -Disse Beth.
-Gostei de conversar com você, me fez bem.
Ela sorriu.
-Se precisar estou aqui. -Disse.
Concordei e ela virou para o lado oposto.
Me virei também e fechei o olho. Eu tenho que conseguir dormir, já tem dois dias que não consigo. Parei de pensar em tudo e torci pro dia amanhecer logo.