Sofia narrando:
Ao acordar, vi que Peter ainda está dormindo. Já Dylan não está mais aqui dentro, o que é bem estranho, já que ele nunca saiu tão cedo.
Me levantei mesmo sem v*****e alguma e fui para a parte de fora da farmácia. Agora deve ser por volta das seis da manhã, já que o sol não parece ter saído a muito tempo. Assim que o vi sentado na beirada da calçada, fui ao seu lado e me sentei.
-Oi, Sofia. -Deu um sorriso f*****o. -Levantou cedo.
-Eu vi que você não estava mais lá e fiquei preocupada. -Levantei as pernas e coloquei meus braços ao seu redor, já que está bem fresquinho aqui fora.
-Vim aqui pensar um pouco. -Suspirou e passou a mão nos cabelos. -Será é uma boa irmos pra Alexandria?
-Por que não seria? -O encarei.
-Estava pensando na Enid. -Desviou seu olhar do meu. -Corre o risco dela querer voltar comigo e eu não vou querer.
-Mas não é só você falar que não quer mais nada?
-Sim, é. -Coçou a cabeça mais uma vez. -Mas acontece que eu estou gostando de outra pessoa... -Olhou pra mim. -De você.
Não tive reação a não ser arregalar um pouco os olhos.
-É estranho, eu nunca gostei de alguém em tão pouco tempo. Mas você... -Ele sorriu novamente. -Você fez isso mudar.
-Ah, eu...
-Não precisa dizer nada, eu sei que você ainda gosta daquele menino. Mas quando você ver que pode nunca mais vê-lo novamente, talvez você me dê uma chance e podemos ficar juntos.
Fiquei em silêncio, tentando digerir a informação.
-Deviamos tentar, Sofia. Se não der certo, tudo bem, eu tento seguir em frente. Mas eu não consigo mais ficar perto de você e saber que você não é minha.
Será que eu devo tentar? Mas e Carl? Eu sei que eu posso nunca mais ver ele, mas ainda tenho esperança. Não, eu não posso fazer isso. Isso é errado e... Eu não consigo gostar dele desse jeito. Ele é legal, bonito e inteligente, mas não...
-Dylan, olha... -Como posso explicar? -Eu não consigo. Eu não quero fazer isso com você. Não quero ver você chateado se não der certo, o que eu sei que não vai dar. Por favor, tente me entender, eu... não gosto de você assim, entende? Eu continuo gostando... -Antes de eu terminar de falar ele me cortou.
-Continua gostando do carinha lá. -Ele balançou a cabeça para os lados e se levantou. -Tudo bem, não vou insistir. A decisão é sua. Só não mude de ideia quando for tarde. -Ele começou a caminhar e voltou para dentro da farmácia.
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Após aquela conversa nossa, eu e Dylan trocamos poucas palavras. Agora estamos arrumando nossas coisas para irmos em direção a Alexandria. Não tenho certeza do que nos espera lá do lado de dentro, porém é a nossa melhor alternativa agora.
-Prontos? -Perguntou Dylan, enquanto colocava sua mochila nas costas.
Saímos da farmácia e fomos até a entrada de Alexandria.
-EI! VOCÊS AÍ. -Olhamos para cima e vimos algumas pessoas de guarda. -O QUE QUEREM?
Olhei para Dylan e o vi se aproximar um pouco mais. Ele levantou as mãos em forma de rendimento.
-Me chamo Dylan. Eu tinha me perdido daqui já faz mais ou menos um mês. Pode verificar com a Deanna, ela irá confirmar pra você. Agora que encontrei aqui novamente, eu gostaria de voltar e fingir que nada aconteceu.
O cara se virou e sussurrou algo no ouvido do outro que saiu andando.
-Esperem um minuto, vamos chama-la.
Concordamos e ficamos parados esperando.
-Sofia, eu posso segurar a sua mão? -Peter perguntou enquanto colocava seu ursinho de pelúcia na outra mão.
-É claro, vem. -Ele chegou perto de mim e segurou.
O portão se abriu e uma mulher com dois homens armados apareceu.
-Dylan, que saudade. -Ela se aproximou dele e lhe abraçou. -Achei que nunca mais veria você. Como se perdeu?
-Agora fica preocupada comigo? Depois de 5 semanas? Se estava com saudades como você mesmo disse, por que não mandou ninguém para ir me encontrar?
-É claro que eu mandei. Mandei, mandei sim. Mas ninguém te encontrou.
Ele pareceu sério e para quebrar o clima ela voltou a falar:
-Bom, isso não importa mais. O que importa é que você está bem e está de volta. E trouxe companhia. Poderia dizer seu nome, mocinha?
-Sofia, e esse é o Peter.
-Sejam muito bem vindos a Alexandria, a nova casa de vocês. Venham, vamos entrar.
Ela começou a caminhar para dentro do local e nós a acompanhamos.
-Como vocês podem ver, temos energia movida pela luz solar. Aqui dentro temos mais de 50 casas aonde irei separar uma para vocês. Essas pessoas que moram aqui estão super protegidas desde quando tudo isso começou.
-Quer dizer então que vocês nunca precisaram passar por nada lá fora? Sempre estiveram aqui dentro? -Perguntei.
-Sim, construímos esses muros logo no começo. Dylan que sempre esteve aqui conosco nos ajudou muito.
-E por que aceitam pessoas estranhas?
-Tentamos ao máximo parecer uma comunidade comum. Não queremos que pensem que só porque o mundo lá fora está destruído, que aqui também está. E aceitamos essas pessoas para dar a elas um recomeço, uma vida nova.
Sorri e segurei mais forte a mão de Pedro.
-Mas para que tudo dê certo é necessário ter regras, não é mesmo? Então eu preciso que vocês me entreguem suas armas e facas. Temos um depósito aonde deixamos tudo guardado para quando precisar, só pegar.
Dylan pegou a faca em sua mochila e entregou para ela.
-Só isso? Como sobreviveram? -Perguntou Deanna.
-Improvisávamos. -Respondi.
-Irei chamar um de meus ajudantes para mostrar para vocês aonde irão ficar. Aaron, será que você poderia vir aqui, por favor?
Um homem veio correndo ao nosso encontro.
-Claro, Deanna. O que precisa?
-Quero que você mostre a casa aonde eles irão ficar.
-É só me seguirem. -Ele começou a andar.
-Vejo vocês mais tarde.
Concordamos e começamos a seguir o cara.
-É essa aqui. Vocês podem ficar à v*****e. Irei pedir para trazerem coisas para vocês. Estão com fome? -Concordamos. -Tudo bem. Se precisarem de alguma coisa, bom, como não tem celular, estou a cinco casas a baixo.
-Obrigada.
-Irei trazer algumas roupas também. Se vocês quiserem tomar banho.
-É tudo o que eu quero. -Disse Peter e nós todos rimos.
-Então você já pode m***r esse d****o, rapazinho. Preciso ir agora. Mais uma vez, fiquem a v*****e.
Agradeci novamente e ele saiu. Peter soltou minha mão e entrou correndo na casa. Fizemos o mesmo.
-Essa casa é enorme. -Ele falou ainda correndo para todos os lados. -Vou ver como é lá em cima.
Ele subiu as escadas e eu fiquei olhando ao redor.
-Uau. -Falei admirada.
-É bem legal mesmo. Quando se vive aqui, você esquece completamente do mundo lá fora. -Dylan colocou sua mochila em cima do sofá.
Liguei a torneira da cozinha e saiu água. Comecei a rir.
-Como eu queria que Rick visse esse lugar, se eu contasse ninguém iria acreditar. Como é possível? Meu Deus, agora eu posso ficar tranquila. Posso dormir em paz.
-Você pode tomar banho primeiro se quiser. Não me importo em ir por último.
-Obrigada, Dylan.
Continuei olhando ao redor. Tem até aquecedor. Subi as escadas e vi 4 quatro portas. Na primeira tinha um quarto com 2 camas de solteiro, na outra a mesma coisa, em outra era uma sala com jogos e livros. E na última era o banheiro.
-Sofia, aqui é incrível! Tem tudo. Tudo que eu achei que não veria novamente. -Peter veio correndo até mim.
Sorri ao ver sua empolgação.
-Eu não quero ir embora daqui nunca. Me promete que não vamos mais sair daqui?
-É claro que eu prometo. Eu também não quero isso. -Ele veio até mim e me abraçou pela cintura.
-Obrigado. Obrigado por ter me tirado de lá e ter me trazido com vocês.
Beijei sua cabeça e me abaixei, ficando do seu tamanho.
-Ei, já te falei que não precisa me agradecer. Olha, eu sempre estarei aqui para você, está bem?
Ele começou a chorar e me abraçou novamente.
-Por que está chorando? -Perguntei sorrindo.
-Você foi a única pessoa que fez isso por mim. Eu tenho certeza que ninguém me traria, iam falar que eu ia ser um peso. -Nos separamos e eu sequei suas lágrimas.
-Você não é um peso. Você é forte. Não é qualquer um que viveria nesse mundo sozinho, ainda mais na sua idade. -Me lembrei dessas palavras que Carl havia me dito quando eu estava chorando lá na prisão. -Mas vamos parar de chorar, temos que ficar felizes e comemorar.
Ele sorriu e eu me levantei.
-O que acha de um banho? - Ele concordou. -Vou arrumar pra você. Enquanto isso você pode ir explorar o lugar.
-Tá. -Ele começou a correr e eu entrei no banheiro.
Bateram na porta então tive que desligar o chuveiro e fui até a entrada. Assim que abri, vi um garoto parado com uma cesta nas mãos.
-É... oi, meu nome é Ron. Eu vim trazer essas coisas para você. Faço parte da equipe que fica responsável pelos mantimentos. Eu trouxe comida e roupa. Posso entrar?
-É claro. -Dei espaço e ele entrou.
-Aqui também tem umas toalhas e papel higiênico. Minha mãe me disse que chegou um menino pequeno, bom, estamos fazendo de tudo para dar uma infância normal para eles. A tarde, das 13:30 às 15:00 uma mulher está dando aula, ela ensina a ler e a escrever. Se você quiser colocar ele...
Concordei.
-Se não souber cozinhar, pode me chamar. Estou aprendendo algumas coisas.
-Eu sei, mas obrigada mesmo assim.
-Tá, é... está tudo funcionando normalmente? Nenhum eletrônico está com defeito?
-Estamos bem.
-Eu vou indo então. Fala pro Dylan passar lá em casa mais tarde.
-Pode deixar. -Abri a porta e ele saiu.
-Você não me disse seu nome. -Disse se virando.
-Sofia.
-Sofia, tá. Eu sou Ron.
-É, você já disse isso. -Ri.
-Já? Ah, tá bom então. Tchau.
-Tchau. -Fechei a porta e subi.
Até que ele é engraçado.