Capítulo 4

1212 Palavras
Mia Clark Eu já estava me arrumando para ir ao mercado, Michael fez questão de me acompanhar até a minha casa. Nesse momento ele estava sentado no meu sofá, enquanto me aguardava. Eu insisti para ele me deixar vir sozinha, insisti para que ele fosse embora, mas esse homem parecia simplesmente não me escutar. Vesti o uniforme, era uma blusa azul marinho e uma calça da mesma cor. Todos os funcionários usavam um uniforme padrão, dentro da paleta de cores da logo da rede de supermercados. Eles tinham alguns outros mercados espalhados pelo país. No fim eu parecia eu uma estudante do fundamental. Penteei os cabelos, eu havia lavado e não tinha tempo de secar. Passei um reparador de pontas, um hidratante na minha pele e por fim o meu perfume. Me olhei no espelho uma última vez antes de voltar para a sala. Michael estava inerte, parecia bem distante, percebi que ele não havia notado a minha presença, mas foi questão de segundos para isso mudar. Assim que seus olhos pousaram em mim vi ele mudar sua expressão por completo, era uma mistura de desejo e raiva, a raiva que sempre estava presente ali. Ele se levantou, tirou a chave da moto do bolso e caminhou em direção a porta sem dizer nenhuma palavra. Eu peguei a chave de casa em cima da pequena mesinha de centro, tranquei a porta antes de sair e fui o seguindo até o estacionamento do prédio onde ele havia deixado a moto. Silêncio. Eu já estava ficando incomodada, Michael não é de ficar sem falar por muito tempo, não que ele seja tagarela. Qual é? Eu nem sequer o conheço bem para dizer como ele é e deixa de ser, mas sei que ele estava agindo estranho, era notório. — Aconteceu alguma coisa? — Perguntei antes de subir da moto. — Não! Suba logo, vou te deixar lá e voltarei no fim do seu expediente para te buscar. — Ele falou rude. Da água para o vinho. Owen mudou drasticamente em questão de minutos, eu nem sequer conseguia imaginar o que eu tinha feito para receber todas aquelas grosserias vindas dele. Subi na moto, agarrei em sua cintura sentindo os nossos corpos praticamente colados. Como o mercado era pertinho da minha casa, em poucos minutos nós chegamos. Assim que desci da moto ele saiu de lá em disparada, não se despediu e eu também não fiz questão. Entrei no mercado e fui até o escritório que fica nos fundos do estabelecimento. James estava lá, assim que entrei o encarei, sua expressão fria me fez entrar em alerta. Eu não o conhecia muito bem, ele quase nunca vinha aqui e quando vinha, m*l falava com os funcionários. — Você veio. — Ele murmurou. — Você me chamou. — Respondi o óbvio. Olhei para ele praticamente com uma interrogação na testa. Ele sorriu, um p**a sorriso diabólico que me fez ficar nervosa instantaneamente. — Não imaginei que fosse tão fácil ter você. — Ah não! Ele caminhou lentamente em minha direção, eu dei passos para trás até encostar na parede. Senti todos os músculos do meu corpo se contraírem, só pensar nas coisas que poderiam me acontecer naquele momento me fez ficar apavorada. James me prendeu contra a parede praticamente jogando o seu corpo ao meu, sua mão nojenta foi descendo pela minha barriga até a minha i********e onde ele apertou fortemente. Gemi de dor. Era uma área sensível e ele não estava poupando forças. Ele aproximou o rosto do meu, fechei os olhos sentindo as lágrimas quentes rolarem pelo meu rosto. Eu estava em pânico. Antes de qualquer outro contato, senti o seu corpo sendo arrastado para longe do meu, abri os olhos abruptamente. Aconteceu tudo muito rápido, em segundos, Michael estava desferindo socos no rosto de James que estava no chão incapaz de ter qualquer reação. — Michael... — Tentei gritar, mas minha voz estava muito fraca. Ainda assim, ao me ouvir chamá-lo ele parou e se virou para mim, Michael saiu de cima de James e caminhou em minha direção. Eu havia escorregado pela parede e me encontrava de joelhos no chão, olhando aflita toda a cena. As mãos do Owen foram até o meu rosto, ele me tocou com carinho e algo dentro de mim se aliviou com o contato. — Ele te tocou? — Entre lágrimas eu concordei. — Me diga com qual mão esse infeliz fez isso, será dilacerada primeiro! Ele falava de forma fria, como se não fosse nada. Eu ainda estava com medo, tinha visto um lado do Michael que eu não esperava. Mas, também achava que James merecia, ele era um merda, um abusador. — Por favor, eu só quero sair daqui. — Respondi. — Me responda e iremos! — Ele grunhiu. Suspirei. Minha cabeça estava girando, eu sentia o ar dos meus pulmões diminuindo freneticamente. — Direita. — Murmurei baixinho. Ele me ajudou a sentar no chão, meus joelhos estavam vermelhos pelos minutos naquela posição. Me sentei encostada na parede, observei Michael se afastar de mim e pegar o celular no bolso fazendo uma ligação. Assim que desligou o telefone, Michael veio em meu encontro, me pegou no colo e saímos do mercado. Fui posta dentro de um carro preto, eu estava me sentindo tão suja. Por alguns minutos a minha mente viajou até o dia em que minha tia trouxe um namorado para dentro de casa, eu ainda era muito pequena, não sabia que aqueles “carinhos” eram assédio e talvez pudesse resultar em algo pior. O carro já estava em movimento, a todo momento eu sentia os olhos de Michael em mim. — Você não vai mais trabalhar, não quero que esse tipo de coisa aconteça. — Ele falou enquanto passava a marcha do carro. — Eu vou matar aquele filho da p**a! — Michael, não! — Suspirei pesadamente. Ele estava num estado de fúria sem igual. — Eu preciso trabalhar para me manter, manter a minha casa. — Mora comigo? — Ele perguntou no mesmo instante. Não. Eu teria que depender dele, não teria mais a minha liberdade. — Você tem que aceitar, Mia. Você é a p***a da minha mulher, tenho que te proteger e vou, até mesmo com a vida. — Owen, gosto da independência que eu conquistei. Isso vai passar, acontece com milhões de mulheres… — Você fica comigo na minha casa e caso não goste, eu compro uma casa para você no condomínio, mas de forma alguma você vai passar por esse tipo de coisa de novo. A gente pode pensar em algo para você, quer ter uma loja de quê? — Ele falou tudo tão rápido. — Você não tem escolha, Mia. Eu te dou tudo o que você quiser se você aceitar. Ele realmente seria capaz de tal coisa por mim? Eu sabia que o Michael era rico, isso estava na cara, mas uma casa no condomínio dele deve custar milhões. Eu não conseguiria dormir com isso, ia me sentir a mulher mais interesseira do mundo. — Porque você me trata assim? Porque é tão bom comigo? — Eu estraguei sua vida, eu fui o merda que estragou toda a sua vida! Eu não entendia aquilo, ele foi anjo em minha vida, como poderia tê-la estragado?
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR